.posts recentes

. São Bento da Avé Maria

. Do Porto ao Pinhão a pens...

. As pontes no Porto

. A Sé pela Porta Nobre

. O Tesouro

. No coração da Prelada

. Viela dos abraços de Rama...

. TRÊS MOMENTOS DA HISTÓRIA...

. Carvalhido

. O Porto pelo olhar de Man...

.arquivos

. Setembro 2020

. Agosto 2020

. Julho 2020

. Junho 2020

. Maio 2020

. Abril 2020

. Março 2020

. Fevereiro 2020

. Janeiro 2020

. Dezembro 2019

. Novembro 2019

. Outubro 2019

. Setembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Maio 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Outubro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Novembro 2007

. Setembro 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sexta-feira, 5 de Junho de 2020

São Bento da Avé Maria

azulejos S. Bento.jpeg

 

Da estação de São Bento se diz das mais bonitas.  E assim é a obra do Arquitecto Marques da Silva.  Da mesma forma não  ficamos indiferentes aos painéis de azulejos da autoria de Jorge Colaço datados de 1905/1906. Um evocativo do que ficou conhecido por Torneio dos Arcos de Valdevez em 1140. Um  facto importante no restabelecimento da paz entre Afonso I de Portugal e Afonso VII de Leão e Castela.  O jovem rei português tinha invadido a Galiza e em resposta Afonso VII invade pelo Soajo e encontra as posições de Afonso Henriques acampado e cortando o passo na Portela de Vez. Após algumas escaramuças e vendo que maiores prejuízos haveria no confronto, os contendores decidiram a contenda em torneio. Na Idade Média a arte da guerra envolvia muitos participantes. Cavaleiros que os senhores locais se obrigavam a armar, muitos camponeses feitos soldados de tempos a tempos para efectuar escaramuças, rapinas, cercos mais ou menos demorados e alguns combates. Curiosamente e ao contrário do que vulgarmente se supõe, não se morria muito. E esta disputa em Arcos de Valdevez é um exemplo disso. Com a mediação do Arcebispo de Braga João Peculiar foi retomada a paz.

Um outro painel  evoca a entrada de D. João I, em 1387 no Porto,   para o casamento com D. Filipa de Lencastre. A noiva já o esperava desde Novembro do ano anterior, vinda directamente de Inglaterra, de acordo com o estabelecido com o Tratado de Windsor que combinou o casamento. D. Filipa de Lencastre ficou alojada no Paço Episcopal aguardando o Rei, seu noivo que entrou no Porto e se alojou no convento de S. Francisco. O casamento foi celebrado na Sé Catedral a dois de Fevereiro de 1387.

A  conquista de Ceuta em 1415 está também representada nos azulejos da estação de S. Bento. O facto é de enorme significado para a cidade e para o país. Foi nos estaleiros de Miragaia que se construiu cerca de metade da armada que conquistou Ceuta. À época Miragaia era um praia de extenso areal onde se instalavam estaleiros navais. Dá também origem à denominação de tripeiros pelo facto do Porto ter abastecido de carne a armada e sobrarem as vísceras não utilizáveis na viagem, mas que o povo não deixou de consumir.

Para final fica a referência do painel que resulta de um mito e mistificação da história de portugal. É o mito de Egas Moniz. Mito criado pelo  trovador João Soares Coelho  que tentando para si projecção social  se dizia descendente por via bastardo de Egas Moniz.   Vivendo já no século XIII João Soares Coelho     procurando glorificar o seu possível tetravô glorificava-se a si próprio.

Na verdade, documentos da época referem que Afonso Henriques cedeu ás exigências de Afonso VII.  Não há certeza do cerco a Guimarães. E o aio de Afonso Henriques deverá ter sido Ermígio Moniz de Ribadouro, irmão mais velho de Egas Moniz, que nos documentos assina em primeiro lugar e  que foi  o primeiro conselheiro de Afonso Henriques e desempenhou funções políticas como membro mais importante da corte.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 18:58
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 4 de Junho de 2020

Do Porto ao Pinhão a pensar em Salamanca

transferir.jpg

 
Com a partida a poder fazer-se na estação de São Bento podemos iniciar uma viagem que gostaríamos fosse mais longa. Apanhar o comboio numa bela estação. Por passe de magia entra-se na escuridão de um túnel e em pouco somos colocados na grande estação de Campanhã e no comboio da Linha do Douro. À medida que se vai afastando do Porto, a paisagem urbana e suburbana vai dando lugar à ruralidade e a impressão estética e cromática impõe-se ao longo do Vale do Douro. A linha de caminho de ferro acompanha quase fielmente a sinuosidade do rio. Parece querer ir com ele ou através dele. Uma parceria perfeita. O rio traçou o vale a seu custo e gosto. O comboio acompanha-o a seu gosto e custo. Em alguns momentos o comboio deu o seu toque de pormenor como a fazer adorno em paisagem já de si bela. Escavou túnel numa rocha mais saliente que fica como brinco na orelha do rio. Uma ponte de ferro na passagem de um afluente como alfinete que liga peças coloridas unindo a paisagem. Uma estação e seus complementos como apontamento no padrão tecido da natureza. O marulhar das águas e o som das rodas nos carris são o compasso e harmonia que rasga em sinfonia heróica o silêncio da paisagem. De um e outro lado do rio e do comboio tudo é vinhedo que o braço humano moldou na paisagem agreste sulcada a socalcos. O comboio avança pela Régua, Pinhão, Tua e pode mesmo chegar ao Pocinho. A Barca d’Alva já não vai desde 1988. E entrar por Espanha até Salamanca seria desejável.
É a viagem ao coração do "terroir" que produz o néctar com que se fazem as libações nos mais variados momentos solenes.
 
António Borges Regedor
publicado por antonio.regedor às 11:04
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 19 de Junho de 2019

As pontes no Porto

20190610_16h00_2_DJI_0014.jpg

 
Quando em 868 o conde Galego Vímara Perez faz a presúria do Porto, este era um ermo. Assim tinha ficado depois da invasão muçulmana que a destruiu e do posterior ataque em 750 por Afonso I das Astúrias. Nestas condições ninguém aí quereria viver. E assim ficou por pouco mais de um século.
Até aí a passagem do rio era feita por barco. E mesmo depois do crescimento da cidade e da sua expansão pela encosta em direcção ao rio na Idade Média, o barco continuava a ser o instrumento de travessia do Douro.
Só em 1806 se construiu uma travessia assente em barcas. Tinha um mecanismo de abrir a meio para deixar passar a navegação, que voltava a fechar. É esta a ponte das barcas que não suportou o peso dos habitantes em fuga das tropas de Napoleão que invadiram Portugal.
Para a substituir foi construída em 1841 uma ponte pênsil. Os pilares em granito de 18 metros de altura. O tabuleiro de 6 metros de largura estendia-se por 170 metros suportada por quatro cabos de fio de ferro em cada lado. Assim se atravessou o rio por 45 anos.
Foi substituída pela ponte Luiz I em 1886. Uma ponte em aço com um vão de 172 metros, 395 de comprimento e 62 de altura. A largura é de oito metros. O tabuleiro inferior está suspenso do tabuleiro superior.
Logo no ano seguinte a ponte Maria Pia, construída em ferro, para travessia do comboio. O vão tem 160 metros, 354 de comprimento e da mesma altura da de Luiz I. Construída pela casa “Eiffel & Cie”.
Assim se atravessou o Douro até 1963 com a inauguração da Ponte da Arrábida. O arrojado Engenheiro Edgar Cardoso construiu-a com um arco em betão de 270 metros de vão. Tem 72 metros de altura e 26 metros de largura.
Pelo caminho da história das travessias do Douro, ficou uma nunca construída. Era da autoria do Militar e Engenheiro Carlos Amarante. Em 1802 propôs uma ponte em alveraria de um só arco e que ligaria o fim da rua do Sol nas Fontainhas ao Mosteiro da Serra do Pilar.
A partir dos anos 90 deu-se uma sucessão de construções de pontes em betão. A de S. João em 1991 ainda da autoria de Edgar Cardoso para uso do caminho de ferro. A do Freixo em 1995 e a do Infante em 2003 para uso do automóvel. Esta a que tem maior vão (280 metros) e maior altura (72 metros).
Mas é a ponte da Arrábida que actualmente se pode escalar. A subida faz-se do lado do Porto, na base do arco do lado esquerdo. O arco no início, tem grande inclinação. Quase que cai a pique. Na realidade, a ponte tem dois arcos paralelos ligados por uma estrutura cruzada em x também de betão. Os arcos são ocos. A beleza e robustez da simplicidade. A ascensão é facilitada pela construção recente de uma escada. E há também a segurança de uma linha de vida ao longo da subida. Se a ponte já é de grande beleza e impacto vista de baixo, o impacto de a conhecer pelo seu interior, de se sentir nela e parte dela, é extraordinário. Subi-la e estar com os pés no arco e a cabeça no tabuleiro é fantástico. Beber um Porto aí é magnífico. Beber a satisfação da subida, beber a paisagem da cidade ribeirinha do Porto, beber a extensão do horizonte para além da Foz do Douro, e claro, beber o vinho do Porto que o rio encaminhava desde as vinhas até ao estágio nos armazéns, e daqui para o Mundo.
publicado por antonio.regedor às 18:53
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 18 de Junho de 2019

A Sé pela Porta Nobre

SÉ DO PORTO.jpg

Vindos de Miragaia, dessa praia onde tantos estaleiros construíram os diversos tipos de embarçações  que formaram a maior parte da armada que conquistou Ceuta e deu início aos descobrimentos, entrava-se no Porto pela Porta Nobre.

Esta porta situava-se na muralha Fernandina, vindo como se disse do lado de Miragaia, passava uma ponte por cima do rio da vila. Este rio está hoje encanado e o seu curso final corresponde a actual Rua de Mouzinho da Silveira e Rua de S. João.  

A imagem da imponente Sé do Porto corresponde ao que veriam os que dela se aproximavam,  na Idade Média,  quando escolhiam por entrada a Porta Nobre das muralhas Fernandinas.  

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 13:06
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 30 de Maio de 2019

O Tesouro

IMG_20190508_161708.jpg


Ir à Sé do Porto, é uma aventura no tempo. Aí, onde ela foi construída é a Pena Ventosa. O cimo do morro ventoso, mas suficientemente defendido pela encosta íngreme, e pelo vale do rio da vila. Foram as condições encontradas para aí se instalar a povoação castreja. Depois os romanos, os visigodos aqui formaram um reino cristão que cunhou uma moeda com o nome de portugal. Os mouros destruíram a cidade, deixaram-na ao abandono até o Galego Vímara Peres a dizer sua. D. Teresa doou-a ao Bispo Francês D. Hugo. No lugar onde havia uma capela, foi erguida a Catedral. Bem podia ser uma fortaleza com as duas torres que lhe servem de fachada. E a aventura continua quando se lhe reconhecem os traços românicos, e os góticos, e os barrocos. E se o seu interior é de força e nos esmaga, o claustro protege-nos. Aí sentimos conforto e segurança. Arredados do Mundo, o que de fora fica não nos atormenta. Estamos na interioridade, voltados para nós mesmos, para a reflexão. A aventura continua quando subimos ao piso que fica por cima do claustro. Avistamos o Porto, o Rio, a cidade de Gaia. Vemos o mundo de cima. Por baixo de nós ficam os que labutam, que se apressam ou deambulam nas ruas estreitas do burgo. Mas a aventura a ainda maior quando entramos na sala do tesouro. Uma das primeiras peças em que a vista atenta pára é um missal, impresso, com gravura na folha de rosto e título a rubro e negro. Outros livros com capas protegidas a placas de prata cinzelada. Alfaias litúrgicas e paramentos bordados a ouro. Várias coroas e muitos outros objectos que brilham de valor, de história, de simbolismo.

A Sé é muito mais que o lugar de culto. É um registo de tempo histórico do Porto que não pode deixar de ser tido em conta.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 09:30
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

No coração da Prelada

_PRELADA TORRE.JPG

O Porto mantém ainda alguns espaços verdes de assinalável dimensão.  Para além dos mais conhecidos e abertos ao usufruto lúdico como o Parque da Cidade,  S. Roque e Serralves,   ou ainda alguns mais pequenos como as Virtudes, Palácio de Cristal ou Covêlo. Mas há ainda quintas que não estando abertas ao público, são significativas do ponto de vista da área de espaço verde. Uma delas é a Quinta da Prelada. Já não tem hoje a utilização como  parque de campismo que já foi. Mas para além da arborização que permanece, mantém, quase em segredo as construções à boa maneira de jardim inglês romântico. Um Portão liga o Jardim à mata centenária. Um lago circular com uma ilha onde se ergue uma torre de dois pisos. Há ainda uma gruta e uma fonte.

 

António Regedor

publicado por antonio.regedor às 11:45
link do post | comentar | favorito
Sábado, 18 de Maio de 2019

Viela dos abraços de Ramalde

IMG_20190330_111428.jpg

 
O Porto ainda mantém muito da sua primitiva ruralidade. Ramalde é um exemplo. Grandes quintas que a cidade foi integrando. Dos caminhos entre quintas, nem todos resultaram em ruas e travessas. Alguns permanecem no tempo. Caminhos estreitos como a viela dos abraços que percorri muitas vezes.
 
António Regedor
 
publicado por antonio.regedor às 14:27
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 31 de Outubro de 2018

TRÊS MOMENTOS DA HISTÓRIAS DO PORTO

IMG_20181028_151133 (1).jpg

 
 
A Muralha Fernandina, ou Cerca Nova. A primeira cerca do Porto foi construída no morro da Pena Ventosa e corresponde sensivelmente ao que é hoje a Rua de D. Hugo.
O crescimento da cidade no século XIV ditou a sua construção. Apesar do nome, foi iniciada ainda no tempo de D. Afonso IV e concluída em 1370, reinava D. Fernando.
Ponte pênsil D. Maria II que substituiu a ponte das barcas. Na imagem um dos pilares que amarrava os cabos que sustentavam o tabuleiro. Foi construída em cerca de dois anos. Iniciada em 1841 e terminada em 1842. Funcionou durante quarenta e cinco anos. Foi desmontada após a construção da Ponte Luiz I.
Ponte Luíz I. Na imagem pilar e parte do tabuleiro superior. O arco de ferro suporta o tabuleiro superior e suspende o tabuleiro inferior. Iniciada em 1881, terminou a construção em 1888. A sua construção corresponde ao grande crescimento do comércio e indústria da cidade e à necessidade de ligação a Gaia.
 
António Regedor
 
publicado por antonio.regedor às 16:28
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 25 de Junho de 2018

Carvalhido

36189119_623145718047338_8602673155762290688_n.jpg

 

Grato à Manuela Moreira que, do Arquivo Fotográfico de Paranhos, postou esta fotografia do Carvalhido. Na toponímia o Carvalhido é a Praça do Exército Libertador, em memória de ter sido percorrida pelas tropas liberais de D. Pedro, desembarcadas na Praia da Memória. Neste lugar de Matosinhos um oblisco marca o ponto de desembarque.

Não conheço o arquivo fotográfico de Paranhos, mas pelo que vejo dos post de Manuela Moreira deve ser muito interessante, como é muito importante o trabalho que produz.

Mas conheço bem o Carvalhido actual. Não o retratado na foto, que nessa altura ainda não era nascido. Eu diria que mudou, mas os traços estruturais permanecem. Já não existe o quiosque nem o fontanário. Mas mantém a forma triangular. Ouso mesmo reconhecer a permanência de algumas fachadas e até do formato das portas. O da mercearia (primeira do lado da esquerda da foto logo a seguir ao toldo) é evidente, pelo menos até há pouco tempo. 

 

António Regedor

publicado por antonio.regedor às 13:41
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Segunda-feira, 12 de Março de 2018

O Porto pelo olhar de Manuel Vitorino

porto panorâmica.jpg

 Um texto Belo e Bem feito.  Por um jornalista, que escreve bem. Dos jornalistas que já não há.  Infelizmente, também para eles.

Um texto sobre a cidade do Porto. Bela e renascida. Ou mesmo nunca tão Bela e tão Bem frequentada.

Uma memória que nos faz gostar ainda mais do futuro.

Um texto do meu amigo Manuel Vitorino a quem endereço um Grande Abraço.

António Regedor

 

 

Texto de ManuelVitorino

 

OPINIÃO

“O Porto da minha infância” abriu-se ao Mundo e mudou a face urbana

 

“O Porto tem uma atmosfera muito especial. Ainda não perdeu a sua identidade. Ainda

vejo lojas tradicionais, bairros antigos e gente boa”, dizia-me, há dias, um amigo italiano,

 de Turim que, mal aterrou no Aeroporto Francisco Sá Carneiro deslumbrou-se pela cidade

 

       

 “Vim da neve para o sol”, sorriu feliz e contente, mais ainda por provar um saboroso “prato de tripas” e depois, ter dado um pulo a Serralves onde, coincidência feliz, está patente a notável exposição da artista italiana Marisa Mers (Turim, 1926).

O que tem o Porto de especial? Sim, eu sei que é a melhor cidade do mundo para viver (nasci por aqui há alguns anitos) mas quero crer que a cidade de Eugénio, Agustina e Garrett soube juntar património, modernidade, tradição e cultura, sem esquecer a hospitalidade e segurança para vencer outras capitais apostadas no reconhecimento e
igualmente cheias de monumentalidade como Paris, Roma, Londres.

A imprensa internacional (jornais e revistas) continua a dedicar ao Porto várias páginas e, em competição com outras urbes europeias, ganha-lhes a palma de ouro. A última vez aconteceu no ano passado ao arrebatar o prémio de Melhor Destino Europeu em 2017. A cidade está de parabéns e tal como o meu amigo italiano, milhares de turistas visitam, anualmente, a Casa da Música, Museu de Serralves, deslumbram-se com a igreja e a torre dos Clérigos, fazem “selfies” no Palácio da Bolsa e diante dos azulejos de Jorge Colaço na Estação de S. Bento, na Universidade do Porto e no Centro Português de Fotografia, ou as galerias Mira Fórum, em Campanhã (onde estão sempre a acontecer mil e uma coisas ligadas à fotografia e às artes performativas) mais as belezas do Douro e suas pontes, sem esquecer as delícias dos bons vinhos e gastronomia (em nenhum país da Europa ainda se consegue jantar tão bem e barato como na Invicta…) mais as artes e a cultura. A metamorfose acontece e só não vê quem não quer.

Regeneração urbana

Basta dar um pulo à Baixa para ver a regeneração urbana, a quantidade de guindastes no alto das fachadas dos prédios muitos deles até há alguns anos em ruínas ou abandonados, tropeçar nas ruas sempre cheias de turistas, descer a Rua das Flores, porventura a mais bonita da cidade ou subir Mouzinho da Silveira e perceber a revolução urbana levada a efeito nos últimos anos. E constatar uma certeza: o turismo já não é apenas sazonal, acontece todos os meses do ano e contribuiu para mudar radicalmente a face urbana da cidade.

Queira-se ou não o Porto do séc. XXI já não tem nada a ver com o Porto cinzentão e triste do século passado, onde era quase proibido circular à noite em Sampaio Bruno ou em Sá da Bandeira, ruas desertas após o fecho dos escritórios e comércio, passo apressado até à paragem do autocarro. A cidade adormecia. Até ao dia seguinte.

Quanto às artes pouco ou nada acontecia. Existiam muitos cinemas que, devido às modas e à contínua desertificação da cidade foram fechando portas; algumas peças de teatro de revista no Sá da Bandeira, meia dúzia de galerias de arte, com papel de destaque para a pioneira Alvarez do pintor Jaime Isidoro e a galeria 2, mais a “111” do colecionar de arte Manuel de Brito, em D. Manuel II, sem esquecer muitas outras que, tiveram vida efémera, como, por exemplo, a galeria Abel Salazar (do pintor João Martins) na Rua do Barão de Forrester, à Ramada Alta.

E depois, existiam algumas instituições culturais que, contra ventos e marés, souberam resistir à Censura e ao Fascismo: o TEP de António Pedro, cujo teatrinho de bolso nunca devia ter sido demolido; o Cineclube do Porto, à Rua do Rosário, mais Os Modestos (cujo edifício em ruínas dará lugar a um hotel); a Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, mais o Clube dos Fenianos Portuenses, Ateneu Comercial do Porto, Teatro Universitário do Porto, o Círculo de Cultura dos Operários Católicos do Porto, o Orfeão do Porto, o Museu Nacional Soares dos Reis que, entre outras actividades expositivas acolheu, em meados da década de 70, o Centro de Arte Contemporânea
(CAC) orientado pelo crítico e historiador de arte Fernando Pernes cuja persistência e dinamismo o Porto muito devem no aparecimento do Museu de Arte Contemporânea de Serralves.

Brendel sem público no Rivoli

Sem agenda cultural digna de registo só restava aos portuenses uma opção para quem queria (e podia) admirar arte, pintura, escultura e fotografia ou assistir a concertos: viajar até Lisboa, apanhar o comboio “Foguete” (cujo bilhete à época custava 500 escudos, 2, 5 euros actuais) e rumar até à Fundação Calouste Gulbenkian cuja actividade cultural e filantrópica continua ontem como hoje a ser assinalável e merecedora de todos os elogios.

Na memória retenho um facto histórico e revelador da falta de investimento na educação pela arte, conhecimento e consequentemente, no afastamento do grande público para a fruição cultural. Em 1983, no âmbito do Festival de Música da Póvoa de Varzim, o Teatro Rivoli abriu portas para um recital com o grande pianista Alfred Brendel (n. 1931) já na altura laureado e afamado intérprete de Mozart, Beethoven e Brahms. A sala estava semi-deserta e soube depois, apenas foi composta graças à presença de algumas dezenas de espectadores vindos de Lisboa que, quando souberam da presença de Brendel no Porto, alugaram um autocarro e vieram à Invicta ver e ouvir o famoso pianista.

Passados alguns anos, em 2005, Brendel veio à Casa da Música para inaugurar a temporada de piano e a Sala Suggia encheu-se de público entusiasta. E em Outubro de 2018 o lendário pianista austríaco – que entretanto abandonou os palcos – voltará à Casa da Música para uma palestra recital intitulada “On Playing Mozart” e desta feita, desvendar alguns dos segredos da sua longa carreira artística e referência mundial do piano. Tenho a certeza que o concerto será bastante concorrido.

 

Volvidos alguns anos não foi só a urbe que mudou. O modo de encarar e fazer cultura entrou nos hábitos do espectadores. Tudo é diferente. As salas de teatro, os espectáculos de artes performativas e os concertos
estão quase sempre lotadas, as exposições têm um público fiel, o Centro Português de Fotografia, o Teatro Nacional S. João, Serralves e a Casa da Música são destinos frequentados por milhares de visitantes.

Como não podemos perder a memória, será da mais elementar justiça evocar Paulo Cunha e Silva, um visionário da Cultura, das Artes e das Ciências, um homem sábio que seguiu à risca um dos pensamentos do grande Mestre Abel Salazar (“um estudante de Medicina que só estudou Medicina nem Medicina sabe”) e que cruzou as artes, todas as artes e que colocou a Cultura como centro de toda a sua vida e pensamento.

Depois dos “anos de chumbo” levados a efeito por RR (um dos períodos mais negros na história do Porto…) a cidade elegeu,  pela primeira vez, um vereador da Cultura à altura dos seus pergaminhos, cujo modo de observar a “cidade líquida” marcou para sempre as artes, o modo de programar culturalmente uma grande metrópole.

Sim, o Mundo Mudou. O Porto também. Eu prefiro o Porto de hoje ao Porto de antigamente.

 

 

 

MANUEL VITORINO

Nasceu no Porto (Paranhos). Estudou História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, depois tirou uma Pós-Graduação em Direito da Comunicação, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Escreveu durante anos sobre cinema n'O Primeiro de Janeiro e trabalhou 23 anos no Jornal de Notícias. Faz parte da Direcção do Grupo dos Amigos das Adegas e Tascos do Porto. Depois da cidade, gosta do FCP, mas também de caminhar pelo vale do rio Bestança. A Itália é o seu destino de eleição. Mantém em permanência o blogue Mau Tempo no Canal.

 

 

publicado por antonio.regedor às 10:13
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2020

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.tags

. todas as tags

.favorito

. Elle foi à Pharmacia

. Tanto tempo e tão pouco ...

. Rebooting Public Librarie...

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds