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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020

As portas da muralha burguesa do Porto

IMG_7620.JPG

A burguesia mercantil do Porto no século XIV vive já fora da cerca que o cabido domina. E o Porto vai ter nova muralha para o defender. São 3400 metros de perímetro com seis a dez metros de altura de uma muralha de dois metros e meio de espessura e torres de catorze a vinte metros mais E para maior reforço tinha como nos diz Armindo de Sousa, a muralha era reforçada com cubelos, adarves, torres adossadas, balcões providos de mata-cães, torreões, varandins. e cavas.

Para a comunicação com o exterior e para o funcionamento comercial a muralha era provida de portas localizadas na maioria a norte e de postigos na sua maioria de ligação ao rio. Não havendo certeza de quantas portas e postigos, sendo que alguns postigos passaram a portas, calcula-se que tenham sido dezassete.

Vamos percorrer a muralha numa viagem hipotética a partir da estação de S. Bento. Junto a este lugar, que originalmente foi o mosteiro beneditino feminino de S. Bento da Avé Maria situa-se a porta de Carros. Esta porta parece resultar da evolução da existência anterior de um postigo. E a própria porta só se construiu 145 anos após a construção da muralha. É portanto uma porta tardia construída por necessidade do aumento do movimento e de crescimento da cidade.

Antes da existência da porta de Carros, a muralha era servida pelo postigo das Hortas que também foi chamado de postigo do Vimial. Após a construção do convento dos Cónegos Seculares de S. João Evangelista (padres Lóios), veio a ser chamado de postigo de Santo Elói.

Subindo para o Campo do Olival, hoje a Cordoaria, havia a porta do Olival situada num ponto alto que estava defendida por um castelo. Um pequeno pedaço da muralha ainda hoje pode ser observado no interior de um café e de uma farmácia.

Continuando para oeste havia o postigo das Virtudes por referência a uma fonte antiga conhecida por Nossa Senhora das Virtudes. Posteriormente veio a ser porta com o mesmo nome.

Segue-se o postigo de S. João Novo também conhecido por postigo da Esperança.

Continuando a descer havia o postigo da Praia que deixava de fora a praia de Miragaia, uma zona baixa e plana onde desagua o Rio Frio. Posteriormente, por iniciativa de D. Manuel é elevado a porta com uma torre e um arco que lhe dá uma nobreza que a vem a considerar a porta principal. A porta Nobre, por onde entra a nobreza e o clero. Foi demolida em 1872.

Daí avançamos para o muro da ribeira e as várias ligações ao rio. Ligações fundamentais para a defesa e igualmente para o comércio e toda a actividade portuária indispensável à vida da cidade e ao principal modo de transporte da época. O barco. E a cidade liga-se ao rio pelo postigo dos Banhos, postigo da Lingueta que mais tarde passou a postigo do Pereira de acesso a um largo cais. O postigo do Peixe que posteriormente se designou postigo da Alfândega em frente ao terreiro da alfândega. Foi demolido em 1838. O postigo do Carvão que ainda existe.

Logo a seguir para nascente a porta da Ribeira ao centro da muralha virada a sul. Tinha torre fortificada mas destruída para erigir a capela de Nossa Senhora do Ó. Para leste da porta da Ribeira ficava o postigo do Pelourinho, o postigo da Forca, o postigo da Madeira e o postigo da Lada. A entrada seguinte fazia-se já no cimo da escarpa e virada a nascente pelo postigo do Carvalho, já que se situava no sítio chamado Carvalhos do Monte. Mais tarde postigo de Santo António do Penedo. Evoluiu depois para postigo do Sol e finalmente porta do Sol. Seguia-se na muralha a Porta de Cimo de Vila defendida por torres. A seguinte era a Porta de Carros por onde começamos esta viagem.

 

Bibliografia

Oliveira,  Eduardo de Sá Oliveira -  Duas muralhas, duas cidades. A História Militar do Porto Medieval. [Dissertação Mestrado] U Porto. 2013.

 RODRIGUES, Adriano Vasco, As muralhas do Porto medieval In Ingenium: Revista da Ordem dos Engenheiros, nº 2. Lisboa, Julho/Agosto de 1986.

 SOUSA, Armindo de, “Tempos Medievais”, in História do Porto, dir. de L. A. de Oliveira Ramos, Porto: Porto Editora, 2001.

 

publicado por antonio.regedor às 17:31
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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2020

Portas da Cerca Velha do Porto

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Legenda da Foto: Vista da porta das verdades, que à época da construção estaria dissimulada. É visivel a escadaria que conduz ao Barredo e o arco de um aqueduto que ainda pode ser observado actualmente numa pequena parte da sua extensão. 

As portas da Cerca Velha

No povoado castrejo da Pena Ventosa terá havido uma cerca.  Além desta defesa pré-romana terá havido uma outra do seculo III. Mas a que melhor conhecemos do Porto antigo é a que corresponde ao traçado da Rua de D. Hugo. E que é designada por sueva,  do Bispo, ou Cerca Velha.

No século XII o perímetro da muralha tinha cerca de 750 metros, e quatro portas. A principal, com torre, chamada de Vandoma. Uma segunda porta, conhecida pelo Portal. O acesso era por escadas. O nome desta porta mudou no século XVI para Sant’Ana. Foi demolida em 1821, fica na literatura pela mão de Almeida Garrett no romance o Arco de Sant’Ana. No lugar existe ainda um nicho.  

A terceira porta era a das mentiras. Teria sido uma porta disfarçada e por isso a porta da traição. Uma porta falsa. Hoje é renomeada porta das verdades e dá acesso ás escadas que descem até à Lada.

A quarta é a porta de S. Sebastião, que provavelmente só terá sido aberta no século XVI. Nessa altura era designada Porta do Ferro.

António Borges Regedor

 

publicado por antonio.regedor às 15:47
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2020

Três muralhas do Porto

Muralha D Hugo Porto.jpg

Segundo (Oliveira, 2013: 11) na sua dissertação de Mestrado  há recentes achados arqueológicos (2009) que revelaram um troço de muralha datada do século II a.C. que altera, ligeiramente, o registo de cercas defensivas da cidade do Porto.

Damião Peres pensa tratar-se de  restos duma dupla cerca castreja, (Peres, 1962: 24 cit in Oliveira, 2013: 12)

Parece assim termos uma muralha castreja,  pré-romana (séculos II-I a.C.)  que se  encontra-se junto à muralha medieval.

Isto faz considerar três muralhas no Porto em contraponto ás que conhecíamos. A Sueva e a Fernandina.

Bibliografia:

Oliveira,  Eduardo de Sá Oliveira -  Duas muralhas, duas cidades. A História Militar do Porto Medieval. [Dissertação Mestrado] U Porto. 2013.

PERES, Damião, “Origens do Porto” in História da Cidade do Porto, vol. I, Barcelos: Portucalense Editora, 1962. 

 

António Borges Regedor

 

publicado por antonio.regedor às 17:48
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Sexta-feira, 5 de Junho de 2020

São Bento da Avé Maria

azulejos S. Bento.jpeg

 

Da estação de São Bento se diz das mais bonitas.  E assim é a obra do Arquitecto Marques da Silva.  Da mesma forma não  ficamos indiferentes aos painéis de azulejos da autoria de Jorge Colaço datados de 1905/1906. Um evocativo do que ficou conhecido por Torneio dos Arcos de Valdevez em 1140. Um  facto importante no restabelecimento da paz entre Afonso I de Portugal e Afonso VII de Leão e Castela.  O jovem rei português tinha invadido a Galiza e em resposta Afonso VII invade pelo Soajo e encontra as posições de Afonso Henriques acampado e cortando o passo na Portela de Vez. Após algumas escaramuças e vendo que maiores prejuízos haveria no confronto, os contendores decidiram a contenda em torneio. Na Idade Média a arte da guerra envolvia muitos participantes. Cavaleiros que os senhores locais se obrigavam a armar, muitos camponeses feitos soldados de tempos a tempos para efectuar escaramuças, rapinas, cercos mais ou menos demorados e alguns combates. Curiosamente e ao contrário do que vulgarmente se supõe, não se morria muito. E esta disputa em Arcos de Valdevez é um exemplo disso. Com a mediação do Arcebispo de Braga João Peculiar foi retomada a paz.

Um outro painel  evoca a entrada de D. João I, em 1387 no Porto,   para o casamento com D. Filipa de Lencastre. A noiva já o esperava desde Novembro do ano anterior, vinda directamente de Inglaterra, de acordo com o estabelecido com o Tratado de Windsor que combinou o casamento. D. Filipa de Lencastre ficou alojada no Paço Episcopal aguardando o Rei, seu noivo que entrou no Porto e se alojou no convento de S. Francisco. O casamento foi celebrado na Sé Catedral a dois de Fevereiro de 1387.

A  conquista de Ceuta em 1415 está também representada nos azulejos da estação de S. Bento. O facto é de enorme significado para a cidade e para o país. Foi nos estaleiros de Miragaia que se construiu cerca de metade da armada que conquistou Ceuta. À época Miragaia era um praia de extenso areal onde se instalavam estaleiros navais. Dá também origem à denominação de tripeiros pelo facto do Porto ter abastecido de carne a armada e sobrarem as vísceras não utilizáveis na viagem, mas que o povo não deixou de consumir.

Para final fica a referência do painel que resulta de um mito e mistificação da história de portugal. É o mito de Egas Moniz. Mito criado pelo  trovador João Soares Coelho  que tentando para si projecção social  se dizia descendente por via bastardo de Egas Moniz.   Vivendo já no século XIII João Soares Coelho     procurando glorificar o seu possível tetravô glorificava-se a si próprio.

Na verdade, documentos da época referem que Afonso Henriques cedeu ás exigências de Afonso VII.  Não há certeza do cerco a Guimarães. E o aio de Afonso Henriques deverá ter sido Ermígio Moniz de Ribadouro, irmão mais velho de Egas Moniz, que nos documentos assina em primeiro lugar e  que foi  o primeiro conselheiro de Afonso Henriques e desempenhou funções políticas como membro mais importante da corte.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 18:58
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2020

Do Porto ao Pinhão a pensar em Salamanca

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Com a partida a poder fazer-se na estação de São Bento podemos iniciar uma viagem que gostaríamos fosse mais longa. Apanhar o comboio numa bela estação. Por passe de magia entra-se na escuridão de um túnel e em pouco somos colocados na grande estação de Campanhã e no comboio da Linha do Douro. À medida que se vai afastando do Porto, a paisagem urbana e suburbana vai dando lugar à ruralidade e a impressão estética e cromática impõe-se ao longo do Vale do Douro. A linha de caminho de ferro acompanha quase fielmente a sinuosidade do rio. Parece querer ir com ele ou através dele. Uma parceria perfeita. O rio traçou o vale a seu custo e gosto. O comboio acompanha-o a seu gosto e custo. Em alguns momentos o comboio deu o seu toque de pormenor como a fazer adorno em paisagem já de si bela. Escavou túnel numa rocha mais saliente que fica como brinco na orelha do rio. Uma ponte de ferro na passagem de um afluente como alfinete que liga peças coloridas unindo a paisagem. Uma estação e seus complementos como apontamento no padrão tecido da natureza. O marulhar das águas e o som das rodas nos carris são o compasso e harmonia que rasga em sinfonia heróica o silêncio da paisagem. De um e outro lado do rio e do comboio tudo é vinhedo que o braço humano moldou na paisagem agreste sulcada a socalcos. O comboio avança pela Régua, Pinhão, Tua e pode mesmo chegar ao Pocinho. A Barca d’Alva já não vai desde 1988. E entrar por Espanha até Salamanca seria desejável.
É a viagem ao coração do "terroir" que produz o néctar com que se fazem as libações nos mais variados momentos solenes.
 
António Borges Regedor
publicado por antonio.regedor às 11:04
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Quarta-feira, 19 de Junho de 2019

As pontes no Porto

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Quando em 868 o conde Galego Vímara Perez faz a presúria do Porto, este era um ermo. Assim tinha ficado depois da invasão muçulmana que a destruiu e do posterior ataque em 750 por Afonso I das Astúrias. Nestas condições ninguém aí quereria viver. E assim ficou por pouco mais de um século.
Até aí a passagem do rio era feita por barco. E mesmo depois do crescimento da cidade e da sua expansão pela encosta em direcção ao rio na Idade Média, o barco continuava a ser o instrumento de travessia do Douro.
Só em 1806 se construiu uma travessia assente em barcas. Tinha um mecanismo de abrir a meio para deixar passar a navegação, que voltava a fechar. É esta a ponte das barcas que não suportou o peso dos habitantes em fuga das tropas de Napoleão que invadiram Portugal.
Para a substituir foi construída em 1841 uma ponte pênsil. Os pilares em granito de 18 metros de altura. O tabuleiro de 6 metros de largura estendia-se por 170 metros suportada por quatro cabos de fio de ferro em cada lado. Assim se atravessou o rio por 45 anos.
Foi substituída pela ponte Luiz I em 1886. Uma ponte em aço com um vão de 172 metros, 395 de comprimento e 62 de altura. A largura é de oito metros. O tabuleiro inferior está suspenso do tabuleiro superior.
Logo no ano seguinte a ponte Maria Pia, construída em ferro, para travessia do comboio. O vão tem 160 metros, 354 de comprimento e da mesma altura da de Luiz I. Construída pela casa “Eiffel & Cie”.
Assim se atravessou o Douro até 1963 com a inauguração da Ponte da Arrábida. O arrojado Engenheiro Edgar Cardoso construiu-a com um arco em betão de 270 metros de vão. Tem 72 metros de altura e 26 metros de largura.
Pelo caminho da história das travessias do Douro, ficou uma nunca construída. Era da autoria do Militar e Engenheiro Carlos Amarante. Em 1802 propôs uma ponte em alveraria de um só arco e que ligaria o fim da rua do Sol nas Fontainhas ao Mosteiro da Serra do Pilar.
A partir dos anos 90 deu-se uma sucessão de construções de pontes em betão. A de S. João em 1991 ainda da autoria de Edgar Cardoso para uso do caminho de ferro. A do Freixo em 1995 e a do Infante em 2003 para uso do automóvel. Esta a que tem maior vão (280 metros) e maior altura (72 metros).
Mas é a ponte da Arrábida que actualmente se pode escalar. A subida faz-se do lado do Porto, na base do arco do lado esquerdo. O arco no início, tem grande inclinação. Quase que cai a pique. Na realidade, a ponte tem dois arcos paralelos ligados por uma estrutura cruzada em x também de betão. Os arcos são ocos. A beleza e robustez da simplicidade. A ascensão é facilitada pela construção recente de uma escada. E há também a segurança de uma linha de vida ao longo da subida. Se a ponte já é de grande beleza e impacto vista de baixo, o impacto de a conhecer pelo seu interior, de se sentir nela e parte dela, é extraordinário. Subi-la e estar com os pés no arco e a cabeça no tabuleiro é fantástico. Beber um Porto aí é magnífico. Beber a satisfação da subida, beber a paisagem da cidade ribeirinha do Porto, beber a extensão do horizonte para além da Foz do Douro, e claro, beber o vinho do Porto que o rio encaminhava desde as vinhas até ao estágio nos armazéns, e daqui para o Mundo.
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Terça-feira, 18 de Junho de 2019

A Sé pela Porta Nobre

SÉ DO PORTO.jpg

Vindos de Miragaia, dessa praia onde tantos estaleiros construíram os diversos tipos de embarçações  que formaram a maior parte da armada que conquistou Ceuta e deu início aos descobrimentos, entrava-se no Porto pela Porta Nobre.

Esta porta situava-se na muralha Fernandina, vindo como se disse do lado de Miragaia, passava uma ponte por cima do rio da vila. Este rio está hoje encanado e o seu curso final corresponde a actual Rua de Mouzinho da Silveira e Rua de S. João.  

A imagem da imponente Sé do Porto corresponde ao que veriam os que dela se aproximavam,  na Idade Média,  quando escolhiam por entrada a Porta Nobre das muralhas Fernandinas.  

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 13:06
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Quinta-feira, 30 de Maio de 2019

O Tesouro

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Ir à Sé do Porto, é uma aventura no tempo. Aí, onde ela foi construída é a Pena Ventosa. O cimo do morro ventoso, mas suficientemente defendido pela encosta íngreme, e pelo vale do rio da vila. Foram as condições encontradas para aí se instalar a povoação castreja. Depois os romanos, os visigodos aqui formaram um reino cristão que cunhou uma moeda com o nome de portugal. Os mouros destruíram a cidade, deixaram-na ao abandono até o Galego Vímara Peres a dizer sua. D. Teresa doou-a ao Bispo Francês D. Hugo. No lugar onde havia uma capela, foi erguida a Catedral. Bem podia ser uma fortaleza com as duas torres que lhe servem de fachada. E a aventura continua quando se lhe reconhecem os traços românicos, e os góticos, e os barrocos. E se o seu interior é de força e nos esmaga, o claustro protege-nos. Aí sentimos conforto e segurança. Arredados do Mundo, o que de fora fica não nos atormenta. Estamos na interioridade, voltados para nós mesmos, para a reflexão. A aventura continua quando subimos ao piso que fica por cima do claustro. Avistamos o Porto, o Rio, a cidade de Gaia. Vemos o mundo de cima. Por baixo de nós ficam os que labutam, que se apressam ou deambulam nas ruas estreitas do burgo. Mas a aventura a ainda maior quando entramos na sala do tesouro. Uma das primeiras peças em que a vista atenta pára é um missal, impresso, com gravura na folha de rosto e título a rubro e negro. Outros livros com capas protegidas a placas de prata cinzelada. Alfaias litúrgicas e paramentos bordados a ouro. Várias coroas e muitos outros objectos que brilham de valor, de história, de simbolismo.

A Sé é muito mais que o lugar de culto. É um registo de tempo histórico do Porto que não pode deixar de ser tido em conta.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 09:30
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Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

No coração da Prelada

_PRELADA TORRE.JPG

O Porto mantém ainda alguns espaços verdes de assinalável dimensão.  Para além dos mais conhecidos e abertos ao usufruto lúdico como o Parque da Cidade,  S. Roque e Serralves,   ou ainda alguns mais pequenos como as Virtudes, Palácio de Cristal ou Covêlo. Mas há ainda quintas que não estando abertas ao público, são significativas do ponto de vista da área de espaço verde. Uma delas é a Quinta da Prelada. Já não tem hoje a utilização como  parque de campismo que já foi. Mas para além da arborização que permanece, mantém, quase em segredo as construções à boa maneira de jardim inglês romântico. Um Portão liga o Jardim à mata centenária. Um lago circular com uma ilha onde se ergue uma torre de dois pisos. Há ainda uma gruta e uma fonte.

 

António Regedor

publicado por antonio.regedor às 11:45
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Sábado, 18 de Maio de 2019

Viela dos abraços de Ramalde

IMG_20190330_111428.jpg

 
O Porto ainda mantém muito da sua primitiva ruralidade. Ramalde é um exemplo. Grandes quintas que a cidade foi integrando. Dos caminhos entre quintas, nem todos resultaram em ruas e travessas. Alguns permanecem no tempo. Caminhos estreitos como a viela dos abraços que percorri muitas vezes.
 
António Regedor
 
publicado por antonio.regedor às 14:27
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