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Segunda-feira, 9 de Setembro de 2019

Torrente Ballester

Balesteros.jpg

Durante o tempo em que estive em Salamanca, também o café Novelty me fascinava. Pelo agradável que é. Pela história que comporta, Pelas figuras que por lá passaram, e cujos espíritos parece ainda hoje aí permanecerem. Café centenário e o mais antigo de Salamanca. Situado na Plaza Mayor, por onde todos os dias passava, também por ser o caminho mais curto da minha casa à Faculdade.

Pelo Novelty passaram muitos intelectuais, escritores, artistas, políticos. O Novelty era o centro das tertúlias de Salamanca. O Reitor da Universidade, Miguel de Unamuno, gostava de o frequentar, mas um dos mais assíduos era Gonzalo Torrente Ballester. Nascido em Ferrol em 1910, foi em Salamanca que faleceu depois de deambular por Oviedo, Compostela, Madrid, Pontevedra e Estados Unidos. Foi em 1975 que regressou a Salamanca.

Lembrei-me disto, por ter lido agora “Doménica” que foi publicado postumamente em 1999, o ano da sua morte.

Na foto:  sentado no café Novelty ao lado da estátua de Ballester

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 13:32
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Quinta-feira, 5 de Setembro de 2019

O Bibliotecário

O-Bibliotecario.jpg

O Bibliotecário, é o primeiro romance de A. M. Dean um professor de culturas antigas. O romance parte da antiga biblioteca de Alexandria que pretende não ter sido destruída, mas escondida. Que terá sido preservada e alimentada durante o tempo, por bibliotecários que mesmo sem se conhecerem trabalharam em rede para a perpetuação dessa grande biblioteca repositório do conhecimento humano. A procura do lugar onde se encontra esse legado de conhecimento acumulado não nos leva a espaço físico, nem mesmo à tentativa de a retomar com a nova biblioteca de Alexandria. A primordial não se encontra em espaço físico, foi digitalizada. Ela está por todos os lados, em rede, acessível de qualquer computador. No romance, duas grandes forças mundiais e antagónicas conspiram entre si para dominar a informação. E o domínio da rede é o domínio global. O romance é, no essencial, uma alegoria à grande biblioteca da actualidade que é a internet.

Dean, A. M. – O Bibliotecário. Lisboa: Clube do Autor, 2012.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 11:36
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Quarta-feira, 4 de Setembro de 2019

O tempo entre costuras

O-Tempo-Entre-Costuras.jpg

Num bairro modesto de Madrid uma jovem aprende costura. Estamos em tempos próximos da guerra civil. No seu universo social estão desde a amiga aderente do partido comunista, até a um namorado rejeitado que adere ao franquismo. Passa ao lado desse conflito por um casamento que a leva a Marrocos, onde a infelicidade do casamento a coloca na necessidade de recorrer à costura. A sua competência e sucesso profissional coloca-a em ambiente social privilegiado. A guerra e os contactos a que tem acesso lançam-na involuntariamente na espionagem. Sira muda de nome e adopta um campo de batalha.
O livro está também numa série televisiva. A autora, Professora Universitária, depois de vários trabalhos académicos, escreve este livro que nos encanta e agarra à leitura.
 
Maria Dueñas – O tempo entre costuras. Porto: Porto Editora, 2010.
 
António Borges Regedor
 
publicado por antonio.regedor às 14:12
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Segunda-feira, 2 de Setembro de 2019

IMPRENSA

rotativa.jpg

O falar de imprensa atira-nos para Gutemberg. No entanto a imprensa é muito anterior à inovação do  impressor alemão de 1400.  

Imprimir é essencialmente o  transferir imagem de uma superfície a outra de forma repetida.

Os Sumérios ( Há 5 500 anos , no actual sul do Iraque, onde o Tigre e Eufrates quase se juntam e que vai até ao Golfo Pérsico) já usavam cilindros gravados em negativo do texto a imprimir. Os Chineses imprimiam cartas de jogar. Na Idade Média placas de madeira ou pedra  gravada eram as matrizes de impressão. Daí os termos respectivos de  xilogravura e  litogravura.

A inovação de Gutemberg, no século XV,  foi a de utilizar caracteres móveis , resolvendo o inconveniente das matrizes anteriores serem peça única, e agora com a inovação poder refazer-se o texto com os mesmos caracteres.

Em vez de se gravar o texto numa placa, o texto era agora composto numa caixa que correspondia à mancha gráfica.  Podia ser copiado inúmeras vezes, e os mesmos tipos podiam posteriormente compor outro texto diferente. 

A revolução industrial  proporcionou um forte desenvolvimento técnico no processo de impressão.   No início do século XIX,  graças a  Friedrich Koenig desenvolveu-se  a impressão cilíndrica. A mecanização foi um enorme passo no processo de impressão. E esta desenvolveu-se aproveitando as várias fontes de energia.

Os Jornais tornaram-se cada vez mais fáceis de produzir.  O mesmo com os livros. Cresceu a indústria editorial até os transformar  os livros de de produto literário a mercadoria cada vez mais perecível.

O mundo digital dispensa em grande parte a impressão. O texto já não tem necessidade de ser registado em suporte físico. A impressão está em extinção.

António Borges Regedor

 

 

publicado por antonio.regedor às 18:11
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Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

Eva

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Depois de ter lido A Rainha do Sul, O Tango da Velha Guarda, Homens Bons, O Pintor de Batalhas, O Cemitério dos Barcos sem Nome, de cada vez que aparece mais um livro de Pérez-Reverte é um entusiasmo.

A rainha do Sul é uma mulher forte, que reconstrói a sua vida . A que lhe é possível construir. O ambiente é de mar, barcos e viagens. Só por isso já já seria profundamente agradável ler o livro. Foi o meu primeiro livro lido deste autor, o livro que me causou a simpatia inicial por Pérez-Reverte. O Tango da Velha Guarda foi talvez o que mais me marcou. É fabuloso. A procura da raís do tango. Nos lugares onde nasceu. Por gente que o conheceu já desenvolvido e adocicado pela sociedade Parisiense.

Eva é um romance que se desenvolve no contexto do conflito fratricida da guerra civil espanhola. Fora dos palcos das trincheiras, dos assaltos e fuzilamentos. É a história em palcos da inteligência, dos bastidores, da diplomacia e espionagem. Das rivalidade e cumplicidades. E da honra, valentia, palavra e amor.

 

Pérez-Reverte, Arturo - Eva. Alfragide: Edições ASA II, 2018

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 17:12
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Terça-feira, 23 de Abril de 2019

DIA MUNDIAL DO LIVRO

livro 001.JPG

 

Hoje é dia de dizer muitos lugares comuns sobre o livro e a leitura.

É comum dizer-se que se devia ler mais, e melhor. Que em Portugal se lê menos, muito menos, que nos países com sucesso científico, económico e social.

Mas não se pode querer hoje o que o país nunca teve, nem mudar de um dia para o outro.

No início do século XX o analfabetismo era generalizado. 78,6% da população era analfabeta.

Na República o ensino primário era de oito anos, mas apenas três eram obrigatórios.

Na ditadura o ensino primário foi reduziu inicialmente para 3 anos. Já só nos anos setenta a quarta classe passou a ser obrigatória.

Mesmo assim, o limite de idade para a escolaridade obrigatória era os 14 anos de idade, e o analfabetismo, e o abandono escolar era muitíssimo alto ainda no 25 de Abril de 1974.

Não admira que a primeira biblioteca pública, ou seja, de acesso ao público, embora de característica patrimonial e erudita, tenha sido aberta apenas em 1833.

Mais significativo é que em 1958, quando as carrinhas da Gulbenkian começam a levar livros à população, a televisão já há um ano lhes conquistava a atenção pela novidade. A televisão chegou primeiro a casa dos portugueses.

 

António Regedor

publicado por antonio.regedor às 17:39
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Segunda-feira, 4 de Março de 2019

A Ilustre Casa de Ramires - Eça de Queirós, Biblioteca Ulisseia

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José Maria Eça de Queirós, o autor da Ilustre Casa de Ramires , nasceu em 1845 na Póvoa de Varzim. É já fruto da revolução liberal e de todas as suas consequências, políticas, sociais, religiosas, económicas. O Fontismo estava já em abrandamento e a degradação política era evidente com o rotativismo político do período liberal, contraposto à ascenção do movimento republicano que tem data marcante na revolta de 31 de Janeiro de 1891 que tenta a implantação da República.

Passou a infância em Aveiro e estudou num colégio dirigido pelo pai de Ramalho Ortigão. Na Universidade, em Coimbra onde estudou Direito, conheceu Antero de Quental, Teófilo Braga, Alberto Sampaio.

Uma visão aberta do mundo foi-lhe proporcionada pela visita ao Egipto e Palestina, por altura da inauguração do Canal de Suez e na companhia do Conde de Resende.

No ano da inauguração do canal de Suez,visitou o Egipto e a Palestina acompanhado com o Conde de Resende, vindo a casar com a filha deste em 1900.

Fez carreira diplomática, sendo embaixador em Cuba, Newcastle, Bristol e Paris.

Durante a sua vida assistiu à instabilidade nos Balcãs, à ameaça ao Império Otomano. Aos jogos de poder motivados pelas ambições coloniais e obviamente ao desenvolvimento científico, técnico e dos transportes. Esse tempo era influenciado por Baudelaire, Flaubert, Zola, Hegel, Marx, Proudhon, Conte.

Como era habitual à época, começou a escrever nos jornais, no caso, a “Gazeta de Portugal”, para depois reunir as crónicas em livro. O que faz com a edição em livro, “Prosas Bárbaras”. Passa pela direcção do “Distrito de Évora”.

Em “A Ilustre Casa de Ramires”, o protagonista, Gonçalo Mendes Ramirez, era conhecido como o Fidalgo da Torre. Vivia no Solar dos Ramires. Residência de uma antiga família cuja origem se conta anterior à nacionalidade de Portugal. A genealogia afirma a sua existência anterior à vinda das famílias francesas que ajudaram na reconquista e deram origem ao Condado e depois Reino de Portugal. Essa mesma genealogia que coloca os Ramires nos momentos e com os protagonistas da história de Portugal. A o lado de D. Afonso Henriques, na reconquista , Nos descobrimentos, nos bons e maus momentos, mas sempre ao lado do poder e no poder.

A Casa da Torre da Lagariça foi o local de visita e inspiração do escritor Eça de Queiroz para o romance, “A Ilustre Casa de Ramires”. é um Imóvel classificado de Interesse Público desde 1977.

A construção da Torre da Lagariça data da primeira metade do Séc. XII , por volta de 1112 e está ligada ao período da "Reconquista Cristã" e à "Fundação da Nacionalidade Portuguesa".

A Torre é um sólido torreão militar de linhas de planta quadrada, que serviu de ponto de vigia e prisão, sendo mais tarde construído o casario em volta da Torre e tornada em casa de habitação dos Fidalgos da Torre da Lagariça.

A Torre teria como objetivo a defesa da linha do Douro na época da reconquista Cristã, servindo de Torre da atalaia, mas a sua função militar perdeu o significado com o estabelecimento das fronteiras mais a norte.

No Séc. XVI foi adquirida pela Brasonada família Pinto, Senhores da Torre da Chá e do Paço de Covelas.

Situa-se na Freguesia de S. Cipriano, no Concelho de Resende - 41°03'37.1"N 7°59'57.3"W

Para além da “Ilustre Casa” a quinta tem campos de cultivo e árvores de fruto e . Uma Eira, e jardins de inspiração romântica.

publicado por antonio.regedor às 13:50
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2019

Tenho de saber

Livro Tenho de saber.JPG

 

Analista da CIA na intrincada teia da infiltração, que tem por missão identificar infiltrados.  “Podem chamar-me paranóica, ou apenas uma analista de contra-espionagemda CIA” p. 17  A descoberta de partes  do caminho do labirinto. “Dedos de gelo apertam-me o coração e nos meus ouvidos o sangue pulsa num turbilhão”  p. 24.  “ Por que razão senti a necessidade de o esconder?” p. 25.  E quando a verdade é insuportável, “”Gostaria que tudo desaparecesse” p76.  Pode der apenas uma parte do labirinto.

 

Karen Cleveland - Tenho de saber. Lisboa: Planeta. 2018.

 

António Regedor

publicado por antonio.regedor às 15:39
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2019

Plano Estratégico para as Bibliotecas Espanholas

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Bibliotecas Espanholas têm novo plano estratégico para cinco anos (2019-2023)

Dia 20 3 21 de Fevereiro deste ano (2019) reuniu o Conselho de Cooperação Bibliotecária.  

A reunião é organizada pela Dirección General del Libro y Fomento de la Lectura del Ministerio de Cultura y Deporte

Este conselho reune o organismo de coordenação bibliotecária do Ministério da Cultura e Desporto, Comunidades Autónomas, Federação Espanhola de Municípios e Províncias, e Conferência de Reitores das Universidades Espanholas através da Rede de Bibliotecas Universitárias,

Fuente: http://www.culturaydeporte.gob.es/prensa/convocatorias-prensa/2019/02/20190219-consejo-bibliotecas.html

 

Antónuio Regedor

publicado por antonio.regedor às 14:47
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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2019

Nó Cego

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Carlos Vale Ferraz, lançou em 1983 a ficção “Nó Cego”. Para mim, é a leitura deste autor, mas no sentido contrário do cronológico. Aqui dei conta em 4 de abril do ano passado, do seu mais recente romance “A Última Viúva de África (2017)”.

Este autor que também foi militar em Moçambique, coloca a acção em finais de 1969 no planalto dos Macondes, Mueda. Nome terrível para muitos portugueses. O jovem que “sentia a curiosidade dos gatos por tudo o que o rodeava e que desconhecia. De facto, jamais pensara em seguir a carreira militar.” p.28 Como tantos outros aqui estava, milicianos ou não, de arma na mão. Em pleno teatro de guerra. O nome do romance traz-me à memória a operação Nó Gordio no mesmo local. Ea história como na realidade começa antes com gente que queria ser diferente. O enfermeiro Cardoso queria ser pintor. Um dia “o professor foi levado mais uma vez para Caxias e o João Cardoso viu-se no meio da sala da mansarda, com tudo o que restava dos seus bens comuns desfeito e espalhado pelo soalho a seus pés”p. 45. É agora o enfermeiro da companhia.

“O clínico militar, um alferes miliciano mobilizado mal acabou a especialização...entrou na sala trazendo atrás de si o brigadeiro e o tenente-coronel que vinham em visita de inspecção.(...)Acendeu a luz amareladae deixou-se a fitr a cara do brigadeiro, a empalidecer enquanto observava o interior do cubículo negro. Apontou com o dedo musculado de cirurgião, sem uma termura:  - Aquilo que está dentro daquele caixote, embrulhado no pano de tenda, era, ou é, já nem sei, o corpo dum daqueles a quem o senhor chama “soldadesca”.”p. 81.

“E ali estava ele só, o dólman do camuflado ainda sujo da viagem, sentado num monte de pedras como se carregasse o peso de todas as canseiras, apensar nela, a entender os poetas e a poesia – “essa pieguice”, como ela lhe dissera um dia, quando, deitados numa prais de areia fina no Algarve, ela lhe lera um poema”. p. 241

E entretanto, na cidade, longe das operações de cerco e assalto, o “Azevedo Melo tinha o programa previsto para o dia completo de cruzeiro no mar dos seus convidados, que passava por uma experiência de pesca ao corripo.” p. 258

E assim vai correndo a ficção do “Nó Cego” ou Nó Gordio, como preferirem, o desempate da guerra que não aparece, nem na ficção nem na realidade.

 

Abtónio Regedor

publicado por antonio.regedor às 15:17
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