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Terça-feira, 17 de Novembro de 2020

O “Lector”

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Tinha ouvido falar do “leitor”, presumo que, na pós-graduação em Ciências Documentais. O “Lector” é o indivíduo que lê enquanto os operários fabricam os famosos charutos cubanos. Achei a ideia interessante. Quando fui a Cuba obviamente visitei a Partagás em Havana. Posteriormente fui a Pinar del Rio onde se fabricam os charutos com denominação de “havanos”. A visita ás fábrica tinha, para além de ver como se fabricam os charutos, o especial interesse em ouvir o “leitor”. Logo na Partagás tive essa oportunidade. A Fábrica está instalada num edifício antigo, junto ao Capitólio, e foi fundada em meados do século XIX. Uma típica industria manufactureira. Comecei a visita pelo local onde se faz a escolha e selecção dos vários tipos de folha com que se faz o tabaco e separação em vários lotes seleccionados para as várias funções que ocuparão na charuto. As folhas para a parte mais interior do charuto. As folhas que envolvem esse núcleo, e finalmente o tipo de folha que é usado para capa. das folhas. Trabalho maioritariamente feito por mulheres. A zona onde se enrolam os charutos é um grande espaço amplo e onde maioritariamente homens estão sentados lado a lado em frente a pequenas bancas individuais de madeira. Uma imagem parecida com a das oficinas de ourivesaria. Impressiona a agilidade, rapidez e exactidão com que os charutos são enrolados. Já depois de prontos há ainda dois tipos de controlo de qualidade. Um mecânico e outro humano executado por alguns homens cuja função é provar alguns charutos dos lotes que vão sendo produzidos. E a um canto do enorme salão que é a oficina, elevado por um estrado e sentado numa cadeira, lá está o leitor em frente ao microfone. A ler as notícias, comunicados, romances. Sem ter mudado muito desde o tempo em que esta maneira de ler ganhou forma. Espantei-me, deliciei-me e senti-me feliz por passar por essa experiência.

Quem melhor explica a origem do “leitor” é  Alberto Manguel (1):  “Não sabia nessa altura que a arte da leitura em voz alta tinha uma história longa e itinerante e que, há mais de um século, na colónia espanhola de Cuba, se estabelecera como instituição dentro dos limites rígidos da economia cubana.

O fabrico de charutos era uma das principais indústrias de Cuba desde o século XVII, mas em 1850 o clima económico alterou-se. A saturação d mercado americano, a subida da taxa de desemprego e a epidemia de cólera de 1855 convenceram muitos trabalhadores de que era necessária a criação de um sindicato para o melhoramento das suas condições . Em 1857, fundou-se uma Sociedade de Ajuda Mútua dos Trabalhadores Honestos e Tarefeiros para o benefício dos trabalhadores da indústria tabaqueira de raça branca; foi criada uma Sociedade de Ajuda Mútua semelhante a esta para os trabalhadores negros livres em 1858.”... “Em 1865, Saturnino Martínez, operário da indústria de charutos e poeta lembrou-se de publicar um jornal para os trabalhadores da indústria” ... “Com o apoio de vários intelectuais cubanos, Martínez publicou o primeiros número de La Aurora em 22 de Outubro desse ano.” ... “ não tardou a aperceber-se, o analfabetismo era o empecilho óbvio à popularidade de La Aurora” ... “Martínez lembrou-se da ideia de um leitor público. “ ... “avistou-se com os trabalhadores da fábrica El Fígaro e, após obter a permissão do proprietário, convenceu-os da utilidade da iniciativa. Um dos trabalhadores foi escolhido como leitor, o lector oficial, e os restantes pagavam-lhe do seu próprio bolso. ” ... “ A 7 de Janeiro de 1866 iniciava-se a leitura na fábrica El Fígaro. Outras fábricas acabaram por seguir o exemplo de El Fígaro.” Alberto Manguel continua a contar-nos esta maravilhosa história do leitor. A actividade foi considerada subversiva pouco tempo depois de iniciada. A 14 Maio de 1866 governo proibiu “distrair os trabalhadores” e ameaçava com julgamento os proprietários das fábricas. Apesar da proibição continuaram a realizar-se por algum tempo sessões de leitura clandestinas. “Em 1870 tinham praticamente desaparecido” .

A Guerra da Independência dos Dez Anos é iniciada por Céspedes, um proprietário agrícola cubano em 10 de Outubro 1868. Isso leva a muita emigração para os Estados Unidos onde a prática do “leitor” foi restaurada ainda em 1869.

“O material para estas leituras, escolhido previamente pelos trabalhadores (que à semelhança da época do Le Fígaro, pagavam ao lector do seu próprio bolso), ia desde panfletos políticos e livros de História até romances e colectâneas de poesia, tanto modernos como clássicos. Tinham os seus favoritos: O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, por exemplo, tornou-se uma escolha tão popular que um grupo de trabalhadores escreveu ao autor, pouco antes da morte deste, em 1870, pedindo-lhe autorização para dar o nome do herói dos eu romance a um dos charutos. Dumas consentiu.” Uma das características desta manifestação de interesse pela informação e gosto pelo romance era que o leitor “interpretasse as personagens, imitando-lhes as vozes, como um actor.”

Assim era a actividade de “lector”. Actividade que ainda hoje se mantém. Tão longe de 1866.

 

(1) Manguel, Alberto – Uma História da Leitura. Lisboa: Editorial Presença, 1999. pag 122 a 125

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 19:27
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2020

Clubes de Leitura em tempo de pandemia e confinamento.

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Os clubes de leitura que conhecemos têm um formato presencial, que coloca os vários leitores a trocar opiniões, perspectivas e análises dos livros que vão lendo. Mas não é um formato único. Ao longo da história os clubes de leitura começaram por ser de leitura em voz alta, dado poucos saberem ler e os livros serem raros.

Nos finais do século XVIII com a maior disponibilização do livro impresso, e em razão do seu elevado custo, surgiram os gabinetes de leitura. Nem todos so burgueses se podiam dar ao luxo de ter livraria. Daí que o hábito de leitura da pequena e até média burguesia tivesse passado pelos gabinetes de leitura. Eram iniciativas comerciais. Aí eram emprestados livros a troco de um pagamento. E nessa linha várias associações operárias já nos finais do século XIX, também influenciadas pelas ideias liberais e republicanas também foram formados gabinetes de leitura direccionados aos operários e trabalhadores.

Só depois surgiram as bibliotecas populares que em Portugal são criadas já por legislação republicana.

A formação de Bibliotecas Públicas inicialmente com fundos eruditos, e com desenvolvimento incipiente por razões económicas e de analfabetismo generalizado na população portuguesa, resultou num conceito de leitura silenciosa. A biblioteca tinha normalmente um depósito de livros e uma sala onde se fazia a leitura. E obviamente, essa configuração espacial tinha necessidade de silêncio.

Vamos no entanto encontrar um caso curioso de leitura em voz alta e colectiva. Uma prática nas fábricas de charutos. Perante um trabalho repetitivo e monótono, os trabalhadores quotizavam-se para ouvir um “lector” a contar os romances de que mais gostavam. É aliás essa a razão porque muitos dos charutos têm nome de livros. É o caso de Romeu e Julieta, ou de Montecristo.

Actualmente, sujeitos aos cuidados de distanciamento. Com a redução ou mesmo supressão das reuniões presenciais parece estar criada a necessidade e possibilidade dos grupos passarem para as várias formas de comunicação on-line e redes sociais. É um desafio, mas será uma oportunidade para evoluir para nova forma de existência de clubes de leitores. Afinal, é só mais uma mudança ao longo da história. A interacção pode ser feita pelas ferramentas disponíveis e já usadas no ensino e reuniões. As redes sociais podem até servir para a impossibilidade de estarem todos ao mesmo tempo em directo. Nestas pode ser lançado o livro para leitura e o grupo passar a fazer as suas intervenções quando tiver oportunidade na plataforma escolhida. Desde há muito tempo há no facebook um grupo de citações de livros que foi lançado por um professor de Salamanca, tenho seguido um grupo que apresenta sugestões de livros. E nada impede que se formem grupos para ler e comentar um livro em moldes idênticos ao que se pratica nos grupos presenciais. A pandemia não acaba com a leitura e os clubes de leitores mais uma vez podem mudar mas não acabar.



António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 18:31
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Sábado, 31 de Outubro de 2020

Istambul: Memórias de uma cidade

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Istambul: Memórias de uma cidade, é um livro muito pessoal, muito autobiográfico do Nobel da Literatura Orhan Pamuk.  

O livro é recheado de descrições de locais de Istambul, aproveitando para contar histórias da juventude, dos locais de residência e de férias. Das várias casas onde Pamuk viveu e as suas ambiências. Da família e da escola. Uma excelente forma de conhecer Istambul.

 

Pamuk, Orhan – Istambul: Memórias de uma cidade. Lisboa: Presença, 2008.

publicado por antonio.regedor às 20:46
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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

"Uma História de Leitura"

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Manguel, Alberto – Uma História da Leitura. Lisboa: Presença, 1998.

 

Portugal inicia uma rede nacional de bibliotecas por iniciativa de uma instituição privada, a Fundação Calouste Gulbenkian, um ano depois do regime ditatorial ter lançado a televisão. Apesar deste atraso que faz marco histórico, espantosamente um escritor , Alberto Manguel, escolheu Portugal para doar a sua biblioteca. Dessa forma dá corpo em Lisboa a um Centro de Estudos da História da Leitura.

Ele que é autor do fabuloso livro "Uma História de Leitura" editado em Portugal pela editorial presença em 1998. Foi-me muito útil. Recomendei-o aos meus alunos nas aulas de Licenciatura e Pós-graduação de Especialização e Mestrado. Voltei a ele e ás anotações que faço sempre nos livros que leio.

Sobre a leitura Manguel coloca a questão de não se limitar á leitura alfabética, mas esta é apenas uma das suas manifestações (p.20). Manguel entende a leitura de todo o que vemos e interpretamos. Ou seja, a tradução de signos. De seguida aborda as várias formas de leitura ( silenciosa ou em voz alta)e até os lugares de leitura (na cama por exemplo). E mesmo as mulheres e a leitura (p.85) para as interessadas.

A propósito da leitura em voz alta achei interessante a referência ao “lector” figura importante no trabalho de enrolar charutos.

Abordas questões da educação na antiguidade e na idade média. E aprendizagem da leitura.

Há também notas sobre a história da escrita e sobre os suportes.

E claro que como bibliotecário, director da biblioteca nacional da Argentina, não podia deixar de abordar a catalogação (p.199).

Não deixa de ser fascinante continuarmos a ver novidades em cada um dos livros que acrescentamos ás nossas leituras e de cada vez que os relemos.



António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 19:22
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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

No café da juventude perdida

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No café da juventude perdida, Patrick Modiano descreve um certo ambiente da “rive gauche” do Sena e dessas ruas de Paris. São nos anos sessenta os cafés dos intelectuais, dos artistas, dos noctívagos e mais tardiamente dos turistas e nostálgicos. Num desses cafés, o Condé, “que fechava mais tarde” ela “escolhia a mesma mesa, ao fundo da pequena sala”.

É a história de Louki, aliás Jacqueline Delanque ou, aliás, Choureau, nome de casada

O autor, Modiano, é Nobel de 2014. Mas já tinha o Grande Prémio de Romance da Academia Francesa em 1972. E o Prémio Goncourt em 1978. E ainda o Grande Prémio Nacional das Letras em 1996.

O livro é editado pela ASA, mais uma editora do grupo Leya, e tem uma página de rosto medíocre. Esta gente devia saber que a página de rosto deve indicar o local e a data de edição. Formalmente os livros são cada vez piores. Grandes escritores não merecem editores ignorantes.



Modiano, Patrick - No café da juventude perdida. 2ª ed. Alfragide: ASA, 2014. ISBN 978-989-23-0454-0

 

António Borges Regedor

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publicado por antonio.regedor às 19:06
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2020

Luzes na escuridão

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Portugal nunca se tornou famoso pelo elevado índice de cultura, de alfabetização ou leitura. Tirando o momento histórico excepcional de actividade científica ligada à construção naval, navegação, astronomia, cartografia no período dos descobrimentos, o resto da história é cinzenta. Está no entanto pontilhada de casos singulares de excepcionalidade. Alguns deles como será o caso de D. Dinis o primeiro monarca a possuir uma biblioteca privada. Pedro Julião Rebolo que foi o Papa João XXI, mais dado à ciência que ao Papado. Luíz Vaz de Camões tanto dado às armas e aos amores como à cultura humanista. O iluminista Marquês de Pombal, que passa a considerar a Universidade de Coimbra uma instituição ‘pública’ numa linha de secularização do ensino. Frei Manuel do Cenáculo Villas Boas (1724-1814) que criou a Real Biblioteca Pública de onde deriva todo o edifício do sistema bibliotecário português. Egas Moniz, médico, Prémio Nobel. Saramago também Nobel entre outros. Vários pontos de luz numa realidade de base inculta, iletrada, dominada pelo ambiente religioso retrógrado, conservador da contra-reforma e cujo argumento para uma guerra civil foi a disputa entre liberalismo a absolutismo.

Em alguns momentos há luzes que se acendem na escuridão.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 11:20
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Terça-feira, 1 de Setembro de 2020

Feiras do Livro 2020

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Neste ano de pandemia as feiras do livro viram-se arrastadas para o tempo de verão. Recuaram, mas não se renderam. Neste momento decorrem as Feiras do Livro de Lisboa e Porto. O Livro teima em não desaparecer. Mas não tem vida fácil. Outros produtos culturais concorrenciais estão mais próximos e têm mais promoção. A música, os filmes e séries de televisão por exemplo. A promoção e o apoio político ao Livro é a sua grande debilidade. A percepção é que a leitura de lazer é cada vez menor, a venda de livro a recuar pelo que se ouve dos comerciantes de livro e uma menor visibilidade das bibliotecas pública. Mas nem disto se pode ter a certeza, porque não há dados suficientes, actualizados e fidedignos para se estabelecerem indicadores. O último estudo sobre comércio livreiro em Portugal é de 2014. Dos Hábitos de Leitura o último estudo é de 2005. Estudo que durante muito tempo foi feito anualmente. A associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) deixou de os encomendar. Neste momento o site da APEL refere a Feira do Livro de Lisboa, mas omite a Feira do Livro do Porto. A Direcção Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB) , publica anualmente um relatório da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP), mas neste momento o último relatório disponível é o de 2018. Ainda assim é a fonte que conhecemos mais actualizada sobre a tendência de leitura e uso das bibliotecas, mas que naturalmente não nos fornece todos os dados sobre leitura e hábitos de leitura.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 19:56
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2020

Livros e Filmes

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Bons livros dão bons filmes. Talvez não tenham sido feitos filmes de todos os bons livros. Nos últimos tempos o livro não tem que ser uma excepcional obra literária, mas é seguramente um best-seller que passado ao cinema ganha ainda maior dimensão.

Há uma questão que se coloca a quem leu o livro e depois viu o filme. A diferença. Diferença da leitura. Cada leitor lê de modo diferente. Depois de escrito cada leitor faz um livro diferente. Normal que o filme seja também produto de uma leitura diferente e naturalmente um livro diferente. Outra diferença é o da extensão. Obviamente uma narração de noventa minutos não poderá ser tão extensa, ter tanta informação, tantos pormenores como a leitura por trinta , sessenta ou noventa dias. Tenho esse exemplo com o “Nome da Rosa” de Umberto Eco. O livro contem muito mais informação da idade média, nomeadamente na diversidade de correntes monásticas e no disputado terreiro da correcção teológica e filosófica. Aqui reside o elemento estruturante do livro e do filme consequentemente. As mortes são provocadas por perspectivas teológicas diferentes na apreciação das expressões filosóficas. No caso, o Riso em Aristóteles, que trata o tema no seu volume II da “Poética”. O filme pode não dar visibilidade a esta questão, mas é a grande questão que no livro é a causa das mortes. Por isso ler um livro é bem diferente de ver um filme. Independentemente da abstrair do facto de mediação que o filme constitui em relação à ideia original.

Reconheço no entanto que ver um filme que resulte de adaptação é uma possibilidade interessante no contexto da enorme oferta de lazer para além da leitura. Que o cinema, e agora na visualização de cinema em casa, constitui um meio que na classificação de Marshall McLuhan e mais quente, o que significa de menor esforço para o consumidor dessa plataforma de fornecimento de lazer. E há imensa escolha em formato filme e série. Desde os clássicos, até aos best-seller tipo “guerra dos tronos”.

Os bons livros continuarão a dar bons filmes e não será isso que nos privará da nostalgia da leitura em papel, do cheiro a tinta fresca, do tacto das fibras vegetais compactadas mecanicamente à espessura de oitenta gramas o metro quadrado.

António Borges regedor

publicado por antonio.regedor às 20:00
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Quinta-feira, 16 de Abril de 2020

Luís Sepúlveda

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Morreu o autor de “O velho que lia romances de amor”. Enquanto o livro era lido em Oviedo aquando da atribuição do “Prémio Tigre Juan” na Amazónia era assassinado Chico Mendes, a quem Luís Sepúlveda dedicou o livro.

Começou a ser reconhecido pela escrita em 1970 quando venceu o “Prémio Casa das Américas” pelo seu primeiro livro “Crónicas de Pedro Nadie” escrito no ano anterior.

Luís Sepúlveda era Chileno, socialmente empenhado na causa pública e na identidade do seu país. Estava no Palácio da La Moneda no grupo mais próximo do Presidente Salvador Allende aquando do golpe de estado americano montado pela CIA e realizado por Pinochet. Desde aí sempre viveu exilado.

Além dos dois livros premiados que já referi, lembro também “Patagónia Express” em 1995. “Encontro de Amor num País em Guerra de 1977. “Diário de um Killer Sentimental em 1998. “As Rosas se Atacama” em 2000. O fabuloso texto “ História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar”, escrito em 2008. “A Lâmpada de Aladino” em 2008. “Crónicas do Sul” em 2011. “História de um gato e de um rato que se tornaram amigos” escrito em 2012. “História do caracol que descobriu a importância da lentidão” de 2013. E a “História de um cão chamado Leal” em 2015. “O fim da história” é de 2016 e o fim da sua vida e de 2020 e termina depois de regressar de Itália, ao passar pelas “Correntes de Escrita realizadas em por Vila do Conde, ter adoecido pela pandemia do Covid-19, acabando por falecer em Oviedo.

Pode ter acabado a escrita, não acabou a leitura deste fabuloso autor. 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 14:49
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Segunda-feira, 13 de Abril de 2020

A mulher de cabelo ruivo

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Orhan Pamuk foi Prémio Nobel da Literatura em 2006. O livro que acabei de ler, “A mulher de cabelo ruivo” o protagonista é dominado de principio ao fim pelos dramas do parricídio e do filicídio. Cruza a lenda do Rei Édipo com a de Shahnameh, o poema épico nacional Iraniano em que Rostam chora pelo filho Sohrab que acabou de matar . Cruza a mentalidade da sociedade conservadora com a laica e faz referências ao golpe militar. O cruzamento da mentalidade oriental e ocidental de Sófocles e de Freud. O cruzamento da cultura Otomana com a cultura Persa. Dá conta do enorme intrincado do mosaico cultural deste enorme território onde se cruzam Otomanos, Curdos, Persas, porque os Arménios sofreram genocídio. Quando visitei Istambul confrontei-me com a preservação de uma praça antigo hipódromo que conserva um obelisco romano. Uma das maiores mesquitas da Turquia, a mesquita azul em frente à igreja cristã de Santa Sofia. Bairros de ruas estreitas e bazar tipicamente oriental com a praça Taksim. O Hotel onde bebemos vinho com uma turca ocidentalizada mas que detestava os Curdos, em contraste com um guia turístico a debitar discurso religioso aos ocidentais. Um restaurante que se recusou a servir qualquer tipo de bebida alcoolica e a noite de ramadão com os seus excessos de comida, divertimento, folia. O livro dá conta de um tempo de crescimento da cidade de Istambul da cidade a devorar os antigos bairros periféricos com identidade onde agora os centros comerciais os tornam indistintos. Este aspecto torna-se mais interessante para quem já visitou a cidade. Estive em locais referidos no texto e isso é sempre agradável ao leitor e motivo extra de adesão ao livro.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 22:58
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