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Sexta-feira, 14 de Maio de 2021

“Na tua ausência”

20210514_195941.jpg

A minha amiga Daniela Fernandes escreveu um livro com o título “ Na tua ausência”.  É um livro em poesia. Muito pessoal.  Para a tarefa de ilustração foi acompanhada por Sandra Abafa.

A Daniela tem formação base de geografia, mas fez pós-graduação em ciências documentais e é arquivista na Casa do Infante. Foi durante vários anos minha colega como docente do curso de ciências da informação e documentação na Universidade Fernando Pessoa. Teve um papel importante no processo de desmaterialização do arquivo da Câmara Municipal do Porto.  

O livro é já de 2021 (Abril) das edições 100Título.

É um livro feito como coração e para melhor apresentar o livro escolhi o poema “ao teu olhar”

Mantenho num suspiro o meu pensamento,

Sei de cor as voltas que o teu coração dá.

Espero por ti, o tempo que for preciso.

Com o meu sorriso, ao teu olhar…

 

publicado por antonio.regedor às 20:08
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Sexta-feira, 23 de Abril de 2021

No dia Mundial do Livro a ler livros sobre livros.

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Um amigo ofereceu-me o “Burning The Books: a History on Knowledge Under Attack” de Richard Ovenden. Editado em Londres por John Murrray em 2020. O autor estudou na University of Durham e na University College London e  foi bibliotecário. Começa com os acontecimentos do 10 de Maio de 1933 em Berlim. Vai às origens dos arquivos e posteriormente bibliotecas. Tem capítulos sobre as bibliotecas incendiadas e  as bibliotecas medievais. O capítulo 10 é sobre Sarajevo. Dá grande importância aos arquivos e aborda o digital.

O outro que tenho em mãos é “O infinito num junco: A invenção do livro na Antiguidade e o nascer da sede de leitura” da Irene Vallejo. Editado pela Bertrand em 2020 traduzindo o original de 2019. É também uma história sobre os livros com anotações de histórias pessoais da autora e da sua relação com os livros. Tem recomendações de Mario Vargas Llosa, de Juan José Milás e de Alberto Menguel.

E ainda estou a reler do meu professor e amigo Henrique Barreto Nunes um conjunto de textos autografados que me ofereceu. Entre eles está o texto que o Henrique em co-autoria com o Joaquim Portilheiro e o Luís Cabral apresentaram ao 1º Congresso Nacional de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas em 1985 cujas actas foram editadas em 1986.  Este texto que agora possuo com o autógrafo do Henrique tinha-o já citado na minha Tese de Doutoramento.

Como se sabe já quase  só guardo livros autografados, sendo que os restantes os ofereço aos amigos pelo estima que deposito nos livros e naqueles a quem proponho a leitura. 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 17:47
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Sexta-feira, 2 de Abril de 2021

Dia Internacional do Livro Infantil 

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Em casa não tinha livros. Mas na casa da minha madrinha  havia sempre “O Falcão” quer a publicação em série, quer a monográfica. Da série não me recordo. O modelo de contar histórias em fascículos não parece favorecer fixar enredos, lembrar heróis, ligar contextos e cenários. Já de “O Falcão”  monográfico recordo as aventuras do “major Alvega” herói da propaganda inglesa contra os nazis.   O major Alvega era um piloto da RAF que ganhava todas as batalhas aéreas em que participava. Mas havia também heróis do western tipo Texas Kid  que faziam a apologia do europeu contra os índios. Os colonos atravessavas as pradarias a caminho das terras do oeste na busca de ouro ou apenas terra fértil. O General Custer e o 7º de cavalaria  vingavam os ataques dos índios e empurravam-nos para reservas.  Assim se faziam as histórias da minha infância. Antes tinha havido “O Mosquito”, mas já não sou desse tempo. Depois foi tempo de ler os livros de Enid Blyton. Os cinco e os sete. Mas também as biografias muito difundidas no final dos anos 60.  David Crockett, Marie Curie,  Robinson Crusoe e muitos outros em voga.

A primeira diversidade de livros chegou-me através da carrinha da biblioteca itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian. No primeiro momento foi o deslumbramento. E nenhum dos miúdos queria deixar de escolher e de ter livros da carrinha. Corriam para os livros como uma brincadeira. Como corriam para a bola ou rebuçados.

A literatura só chegou com as leituras escolares obrigatórias. Mas aí já não era literatura para a infância.  

António Borges regedor

publicado por antonio.regedor às 19:38
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Quinta-feira, 11 de Março de 2021

Dia da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas.

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A partir deste ano de 2021, o dia 11 de Março passa a assinalar o Dia da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas. Decorrem 35 anos desde a data da publicação do Despacho 23/86 de 11 de Março da Secretaria de Estado da Cultura que determinou o grupo de trabalho para apresentar uma política de Rede de Bibliotecas Municipais. O despacho foi assinado por Maria Teresa Pinto Basto Gouveia. (Vulgarmente conhecida por Teresa Patrício Gouveia). Também exactamente um ano depois, a 11de Março de 1987 foi publicado o Decreto-Lei 111/87 de 11 de Março decreta uma política de Leitura Pública no quadro da Rede de Bibliotecas Municipais.

Iniciava assim a grande tarefa de construir pela primeira vez na História de Portugal uma política de Leitura Pública com a responsabilidade do Estado Central e participação das autarquias Locais. Tinha já sido tentado com o Liberalismo, com a República e amordaçada na ditadura. (Regedor, António Borges - http://hdl.handle.net/10284/4291 pag. 50 a 92).

Foi em Democracia que passou a haver uma política de Leitura Pública e se construiu uma Rede Nacional de Bibliotecas Públicas. Durante o tempo  da ditadura, a única rede de leitura  existente no país era privada e pertenceu à iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian.

publicado por antonio.regedor às 10:28
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2021

A leitura é uma amizade  

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A editora Relógio D´Água, editou recentemente 2020, “Sobre a Leitura” de Marcel Proust.  O autor fala das suas leituras e refere muitos outros autores. 

Na sua memória está presente o tempo dos seus pais pronunciarem “Vamos lá, fecha o livro, são horas de almoçar”, p. 9. Hoje a diferença estaria na palavra telemóvel e no livro que não se levava para a mesa.  Proust ao serão “quando já não havia muito para ler antes de chegar ao fim. Então, correndo o risco de ser punido…assim que os meus pais se deitavam, tornava a acender a minha vela;” p. 18.  Recorre a uma citação de Descartes no “Discurso do Método”: “a leitura de todos os bons livros é como que uma conversação com as pessoas mais bem-criadas dos séculos passados que foram seus autores”. P. 22.  E nesta partilha de leituras e de autores, refere que “Schopenhauer não adianta nunca uma opinião sem a apoiar logo a seguir em várias citações” … “Lembro-me de uma página de “O Mundo como Vontade e como Representação” em que há talvez vinte citações seguidas”. P.34.  Para logo a seguir dizer que “a leitura é uma amizade”. P. 36. Proust reconhece na leitura a construção do indivíduo, principalmente dos clássicos.

Proust, Marcel – Sobre a Leitura. Lisboa: Relógio D´Água, 2020

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 12:51
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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2021

La Boetie: A servidão voluntária

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La Boetie nasceu a 1 de Novembro de 1530. Estudou direito na Universidade de Bordéus. Em 1554 foi admitido na Magistratura, sendo Conselheiro no Supremo Tribunal de Justiça de Bordéus. Na sua vida conheceu Montaigne e é junto dele que morre a 18 de agosto de 1563.
O seu pensamento é de critica radical ao feudalismo e ao poder imposto.
No discurso sobre a servidão voluntária afirma que : É o povo que se escraviza, que se decapita, que, podendo escolher entre ser livre e ser escravo, se decide pela falta de liberdade e prefere o jugo” pag. 22.
Diz numa frase sua: Não vos peço que empurreis o tirano ou o derrubeis, peço-vos tão somente que não o apoieis” pag. 26
É desta forma que enfaticamente endossa a responsabilidade da tirania para a acção do povo. Quele que permite com a sua acção de apoio ou cobardia da escolha se deixa escravizar, oprimir, tiranizar.
La Boetie parte do princípio de que a natureza que naturalmente nos empurra para a socialização, não é por ela que a sociedade destina uma parte soa seus membros à escravidão. Ou seja, considera que não é por ordem natural que a sociedade oprime, subjuga, explora, divide, ou que provoca desigualdade, ou que não é solidária. Entende que a liberdade é natural e que todos nós nascemos livres e com vontade de defender essa liberdade com que nascemos.
“Há três espécies de tiranos. Uns reinam por eleições do povo, outros por força das armas, outros sucedendo aos da sua raça.” pag. 29. Admite que por engano os homens também se podem deixar subjugar. Dá o exemplo de Pisístrates que no século VI a.c. foi por três vezes tirano em Atenas.
Daí que afirme a importância da educação e que são os livros e o pensamento que transmitem aos homens o sentimento da sua dignidade e o ódio à tirania.
Assim, o tirano “só se sente em segurança quando consegue ter como súbditos homens sem valor” p. 42
Recorda a forma como Ciro dominou os Lídios sem ter de usar o exército e sem destruir a cidade. Fundou bordéis, tabernas e jogos públicos. Os jogos, espectáculos, gladiadores, medalhas eram para os povos antigos engodos da servidão. Os povos ludibriados achavam bonitos esses passatempos. Em Roma havia o circo e pão.
Não resisto a constatar como estava tão certo La Boetie. Actualmente, já só nos dão circo e jogos. Falta o pão e rareia a democracia.
 
La Boetie, Étienne de – Discurso sobre a servidão voluntária. Lisboa: antígona, 2020
 
 
publicado por antonio.regedor às 14:11
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Sábado, 9 de Janeiro de 2021

O mensageiro do Rei

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O mensageiro do Rei é um romance de  Francisco Moita Flores que coloca em paralelo  a realização de um filme com um romance, e dentro deste duas histórias de amor. A do Rei com a artista francesa e a do  mensageiro com a filha do burguês que queria ser conde.  O cruzamento da história do regicídio com a da implantação da república e do desânimo com esta última no advento da ditadura.

Com a experiência de Moita Flores temos as histórias de amor, com as apreciações políticas e notas sociais em que a nossa simpatia se reparte por todos. Simpatia pelo mensageiro e o infortúnio do seu amor não autorizado. Pela sua amada que é encerrada num convento por ordem do pai. Pelo Rei que se vê com um reino para governar, sem que isso lhe interesse ou alguma vez o esperasse. Pela sua amada que aceita o afastamento por amor de quem terá de fazer um casamento de conveniência real. O Rei segue o seu caminho real, o mensageiro enriquece na américa, a artista e amante real tem reconhecimento e fama internacional. Só a namoradinha do mensageiro morre de tuberculose o que nos faz nutrir ainda mais simpatia por ela.

É leitura obrigatória que certamente não será obstáculo de outras actividades porque o livro lê-se com a avidez do conteúdo.

Flores, Francisco Moita - O mensageiro do rei. Alfragide: Casa das Letras, 2017

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 17:03
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2020

O “Lector”

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Tinha ouvido falar do “leitor”, presumo que, na pós-graduação em Ciências Documentais. O “Lector” é o indivíduo que lê enquanto os operários fabricam os famosos charutos cubanos. Achei a ideia interessante. Quando fui a Cuba obviamente visitei a Partagás em Havana. Posteriormente fui a Pinar del Rio onde se fabricam os charutos com denominação de “havanos”. A visita ás fábrica tinha, para além de ver como se fabricam os charutos, o especial interesse em ouvir o “leitor”. Logo na Partagás tive essa oportunidade. A Fábrica está instalada num edifício antigo, junto ao Capitólio, e foi fundada em meados do século XIX. Uma típica industria manufactureira. Comecei a visita pelo local onde se faz a escolha e selecção dos vários tipos de folha com que se faz o tabaco e separação em vários lotes seleccionados para as várias funções que ocuparão na charuto. As folhas para a parte mais interior do charuto. As folhas que envolvem esse núcleo, e finalmente o tipo de folha que é usado para capa. das folhas. Trabalho maioritariamente feito por mulheres. A zona onde se enrolam os charutos é um grande espaço amplo e onde maioritariamente homens estão sentados lado a lado em frente a pequenas bancas individuais de madeira. Uma imagem parecida com a das oficinas de ourivesaria. Impressiona a agilidade, rapidez e exactidão com que os charutos são enrolados. Já depois de prontos há ainda dois tipos de controlo de qualidade. Um mecânico e outro humano executado por alguns homens cuja função é provar alguns charutos dos lotes que vão sendo produzidos. E a um canto do enorme salão que é a oficina, elevado por um estrado e sentado numa cadeira, lá está o leitor em frente ao microfone. A ler as notícias, comunicados, romances. Sem ter mudado muito desde o tempo em que esta maneira de ler ganhou forma. Espantei-me, deliciei-me e senti-me feliz por passar por essa experiência.

Quem melhor explica a origem do “leitor” é  Alberto Manguel (1):  “Não sabia nessa altura que a arte da leitura em voz alta tinha uma história longa e itinerante e que, há mais de um século, na colónia espanhola de Cuba, se estabelecera como instituição dentro dos limites rígidos da economia cubana.

O fabrico de charutos era uma das principais indústrias de Cuba desde o século XVII, mas em 1850 o clima económico alterou-se. A saturação d mercado americano, a subida da taxa de desemprego e a epidemia de cólera de 1855 convenceram muitos trabalhadores de que era necessária a criação de um sindicato para o melhoramento das suas condições . Em 1857, fundou-se uma Sociedade de Ajuda Mútua dos Trabalhadores Honestos e Tarefeiros para o benefício dos trabalhadores da indústria tabaqueira de raça branca; foi criada uma Sociedade de Ajuda Mútua semelhante a esta para os trabalhadores negros livres em 1858.”... “Em 1865, Saturnino Martínez, operário da indústria de charutos e poeta lembrou-se de publicar um jornal para os trabalhadores da indústria” ... “Com o apoio de vários intelectuais cubanos, Martínez publicou o primeiros número de La Aurora em 22 de Outubro desse ano.” ... “ não tardou a aperceber-se, o analfabetismo era o empecilho óbvio à popularidade de La Aurora” ... “Martínez lembrou-se da ideia de um leitor público. “ ... “avistou-se com os trabalhadores da fábrica El Fígaro e, após obter a permissão do proprietário, convenceu-os da utilidade da iniciativa. Um dos trabalhadores foi escolhido como leitor, o lector oficial, e os restantes pagavam-lhe do seu próprio bolso. ” ... “ A 7 de Janeiro de 1866 iniciava-se a leitura na fábrica El Fígaro. Outras fábricas acabaram por seguir o exemplo de El Fígaro.” Alberto Manguel continua a contar-nos esta maravilhosa história do leitor. A actividade foi considerada subversiva pouco tempo depois de iniciada. A 14 Maio de 1866 governo proibiu “distrair os trabalhadores” e ameaçava com julgamento os proprietários das fábricas. Apesar da proibição continuaram a realizar-se por algum tempo sessões de leitura clandestinas. “Em 1870 tinham praticamente desaparecido” .

A Guerra da Independência dos Dez Anos é iniciada por Céspedes, um proprietário agrícola cubano em 10 de Outubro 1868. Isso leva a muita emigração para os Estados Unidos onde a prática do “leitor” foi restaurada ainda em 1869.

“O material para estas leituras, escolhido previamente pelos trabalhadores (que à semelhança da época do Le Fígaro, pagavam ao lector do seu próprio bolso), ia desde panfletos políticos e livros de História até romances e colectâneas de poesia, tanto modernos como clássicos. Tinham os seus favoritos: O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, por exemplo, tornou-se uma escolha tão popular que um grupo de trabalhadores escreveu ao autor, pouco antes da morte deste, em 1870, pedindo-lhe autorização para dar o nome do herói dos eu romance a um dos charutos. Dumas consentiu.” Uma das características desta manifestação de interesse pela informação e gosto pelo romance era que o leitor “interpretasse as personagens, imitando-lhes as vozes, como um actor.”

Assim era a actividade de “lector”. Actividade que ainda hoje se mantém. Tão longe de 1866.

 

(1) Manguel, Alberto – Uma História da Leitura. Lisboa: Editorial Presença, 1999. pag 122 a 125

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 19:27
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2020

Clubes de Leitura em tempo de pandemia e confinamento.

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Os clubes de leitura que conhecemos têm um formato presencial, que coloca os vários leitores a trocar opiniões, perspectivas e análises dos livros que vão lendo. Mas não é um formato único. Ao longo da história os clubes de leitura começaram por ser de leitura em voz alta, dado poucos saberem ler e os livros serem raros.

Nos finais do século XVIII com a maior disponibilização do livro impresso, e em razão do seu elevado custo, surgiram os gabinetes de leitura. Nem todos so burgueses se podiam dar ao luxo de ter livraria. Daí que o hábito de leitura da pequena e até média burguesia tivesse passado pelos gabinetes de leitura. Eram iniciativas comerciais. Aí eram emprestados livros a troco de um pagamento. E nessa linha várias associações operárias já nos finais do século XIX, também influenciadas pelas ideias liberais e republicanas também foram formados gabinetes de leitura direccionados aos operários e trabalhadores.

Só depois surgiram as bibliotecas populares que em Portugal são criadas já por legislação republicana.

A formação de Bibliotecas Públicas inicialmente com fundos eruditos, e com desenvolvimento incipiente por razões económicas e de analfabetismo generalizado na população portuguesa, resultou num conceito de leitura silenciosa. A biblioteca tinha normalmente um depósito de livros e uma sala onde se fazia a leitura. E obviamente, essa configuração espacial tinha necessidade de silêncio.

Vamos no entanto encontrar um caso curioso de leitura em voz alta e colectiva. Uma prática nas fábricas de charutos. Perante um trabalho repetitivo e monótono, os trabalhadores quotizavam-se para ouvir um “lector” a contar os romances de que mais gostavam. É aliás essa a razão porque muitos dos charutos têm nome de livros. É o caso de Romeu e Julieta, ou de Montecristo.

Actualmente, sujeitos aos cuidados de distanciamento. Com a redução ou mesmo supressão das reuniões presenciais parece estar criada a necessidade e possibilidade dos grupos passarem para as várias formas de comunicação on-line e redes sociais. É um desafio, mas será uma oportunidade para evoluir para nova forma de existência de clubes de leitores. Afinal, é só mais uma mudança ao longo da história. A interacção pode ser feita pelas ferramentas disponíveis e já usadas no ensino e reuniões. As redes sociais podem até servir para a impossibilidade de estarem todos ao mesmo tempo em directo. Nestas pode ser lançado o livro para leitura e o grupo passar a fazer as suas intervenções quando tiver oportunidade na plataforma escolhida. Desde há muito tempo há no facebook um grupo de citações de livros que foi lançado por um professor de Salamanca, tenho seguido um grupo que apresenta sugestões de livros. E nada impede que se formem grupos para ler e comentar um livro em moldes idênticos ao que se pratica nos grupos presenciais. A pandemia não acaba com a leitura e os clubes de leitores mais uma vez podem mudar mas não acabar.



António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 18:31
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Sábado, 31 de Outubro de 2020

Istambul: Memórias de uma cidade

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Istambul: Memórias de uma cidade, é um livro muito pessoal, muito autobiográfico do Nobel da Literatura Orhan Pamuk.  

O livro é recheado de descrições de locais de Istambul, aproveitando para contar histórias da juventude, dos locais de residência e de férias. Das várias casas onde Pamuk viveu e as suas ambiências. Da família e da escola. Uma excelente forma de conhecer Istambul.

 

Pamuk, Orhan – Istambul: Memórias de uma cidade. Lisboa: Presença, 2008.

publicado por antonio.regedor às 20:46
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