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Terça-feira, 1 de Setembro de 2020

Feiras do Livro 2020

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Neste ano de pandemia as feiras do livro viram-se arrastadas para o tempo de verão. Recuaram, mas não se renderam. Neste momento decorrem as Feiras do Livro de Lisboa e Porto. O Livro teima em não desaparecer. Mas não tem vida fácil. Outros produtos culturais concorrenciais estão mais próximos e têm mais promoção. A música, os filmes e séries de televisão por exemplo. A promoção e o apoio político ao Livro é a sua grande debilidade. A percepção é que a leitura de lazer é cada vez menor, a venda de livro a recuar pelo que se ouve dos comerciantes de livro e uma menor visibilidade das bibliotecas pública. Mas nem disto se pode ter a certeza, porque não há dados suficientes, actualizados e fidedignos para se estabelecerem indicadores. O último estudo sobre comércio livreiro em Portugal é de 2014. Dos Hábitos de Leitura o último estudo é de 2005. Estudo que durante muito tempo foi feito anualmente. A associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) deixou de os encomendar. Neste momento o site da APEL refere a Feira do Livro de Lisboa, mas omite a Feira do Livro do Porto. A Direcção Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB) , publica anualmente um relatório da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP), mas neste momento o último relatório disponível é o de 2018. Ainda assim é a fonte que conhecemos mais actualizada sobre a tendência de leitura e uso das bibliotecas, mas que naturalmente não nos fornece todos os dados sobre leitura e hábitos de leitura.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 19:56
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2020

Livros e Filmes

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Bons livros dão bons filmes. Talvez não tenham sido feitos filmes de todos os bons livros. Nos últimos tempos o livro não tem que ser uma excepcional obra literária, mas é seguramente um best-seller que passado ao cinema ganha ainda maior dimensão.

Há uma questão que se coloca a quem leu o livro e depois viu o filme. A diferença. Diferença da leitura. Cada leitor lê de modo diferente. Depois de escrito cada leitor faz um livro diferente. Normal que o filme seja também produto de uma leitura diferente e naturalmente um livro diferente. Outra diferença é o da extensão. Obviamente uma narração de noventa minutos não poderá ser tão extensa, ter tanta informação, tantos pormenores como a leitura por trinta , sessenta ou noventa dias. Tenho esse exemplo com o “Nome da Rosa” de Umberto Eco. O livro contem muito mais informação da idade média, nomeadamente na diversidade de correntes monásticas e no disputado terreiro da correcção teológica e filosófica. Aqui reside o elemento estruturante do livro e do filme consequentemente. As mortes são provocadas por perspectivas teológicas diferentes na apreciação das expressões filosóficas. No caso, o Riso em Aristóteles, que trata o tema no seu volume II da “Poética”. O filme pode não dar visibilidade a esta questão, mas é a grande questão que no livro é a causa das mortes. Por isso ler um livro é bem diferente de ver um filme. Independentemente da abstrair do facto de mediação que o filme constitui em relação à ideia original.

Reconheço no entanto que ver um filme que resulte de adaptação é uma possibilidade interessante no contexto da enorme oferta de lazer para além da leitura. Que o cinema, e agora na visualização de cinema em casa, constitui um meio que na classificação de Marshall McLuhan e mais quente, o que significa de menor esforço para o consumidor dessa plataforma de fornecimento de lazer. E há imensa escolha em formato filme e série. Desde os clássicos, até aos best-seller tipo “guerra dos tronos”.

Os bons livros continuarão a dar bons filmes e não será isso que nos privará da nostalgia da leitura em papel, do cheiro a tinta fresca, do tacto das fibras vegetais compactadas mecanicamente à espessura de oitenta gramas o metro quadrado.

António Borges regedor

publicado por antonio.regedor às 20:00
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Quinta-feira, 16 de Abril de 2020

Luís Sepúlveda

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Morreu o autor de “O velho que lia romances de amor”. Enquanto o livro era lido em Oviedo aquando da atribuição do “Prémio Tigre Juan” na Amazónia era assassinado Chico Mendes, a quem Luís Sepúlveda dedicou o livro.

Começou a ser reconhecido pela escrita em 1970 quando venceu o “Prémio Casa das Américas” pelo seu primeiro livro “Crónicas de Pedro Nadie” escrito no ano anterior.

Luís Sepúlveda era Chileno, socialmente empenhado na causa pública e na identidade do seu país. Estava no Palácio da La Moneda no grupo mais próximo do Presidente Salvador Allende aquando do golpe de estado americano montado pela CIA e realizado por Pinochet. Desde aí sempre viveu exilado.

Além dos dois livros premiados que já referi, lembro também “Patagónia Express” em 1995. “Encontro de Amor num País em Guerra de 1977. “Diário de um Killer Sentimental em 1998. “As Rosas se Atacama” em 2000. O fabuloso texto “ História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar”, escrito em 2008. “A Lâmpada de Aladino” em 2008. “Crónicas do Sul” em 2011. “História de um gato e de um rato que se tornaram amigos” escrito em 2012. “História do caracol que descobriu a importância da lentidão” de 2013. E a “História de um cão chamado Leal” em 2015. “O fim da história” é de 2016 e o fim da sua vida e de 2020 e termina depois de regressar de Itália, ao passar pelas “Correntes de Escrita realizadas em por Vila do Conde, ter adoecido pela pandemia do Covid-19, acabando por falecer em Oviedo.

Pode ter acabado a escrita, não acabou a leitura deste fabuloso autor. 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 14:49
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Segunda-feira, 13 de Abril de 2020

A mulher de cabelo ruivo

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Orhan Pamuk foi Prémio Nobel da Literatura em 2006. O livro que acabei de ler, “A mulher de cabelo ruivo” o protagonista é dominado de principio ao fim pelos dramas do parricídio e do filicídio. Cruza a lenda do Rei Édipo com a de Shahnameh, o poema épico nacional Iraniano em que Rostam chora pelo filho Sohrab que acabou de matar . Cruza a mentalidade da sociedade conservadora com a laica e faz referências ao golpe militar. O cruzamento da mentalidade oriental e ocidental de Sófocles e de Freud. O cruzamento da cultura Otomana com a cultura Persa. Dá conta do enorme intrincado do mosaico cultural deste enorme território onde se cruzam Otomanos, Curdos, Persas, porque os Arménios sofreram genocídio. Quando visitei Istambul confrontei-me com a preservação de uma praça antigo hipódromo que conserva um obelisco romano. Uma das maiores mesquitas da Turquia, a mesquita azul em frente à igreja cristã de Santa Sofia. Bairros de ruas estreitas e bazar tipicamente oriental com a praça Taksim. O Hotel onde bebemos vinho com uma turca ocidentalizada mas que detestava os Curdos, em contraste com um guia turístico a debitar discurso religioso aos ocidentais. Um restaurante que se recusou a servir qualquer tipo de bebida alcoolica e a noite de ramadão com os seus excessos de comida, divertimento, folia. O livro dá conta de um tempo de crescimento da cidade de Istambul da cidade a devorar os antigos bairros periféricos com identidade onde agora os centros comerciais os tornam indistintos. Este aspecto torna-se mais interessante para quem já visitou a cidade. Estive em locais referidos no texto e isso é sempre agradável ao leitor e motivo extra de adesão ao livro.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 22:58
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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2020

Salomão em viagem

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José Saramago – A viagem do elefante.

  1. João III e D. Catarina da Áustria oferecem um presente ao primo Maximiliano. É o elefante Salomão que será acompanhado pelo cornaca.

O elefante será entregue em Valladoli ao arquiduque como regente de Espanha.

Forma-se uma caravana com o cornaca montado no elefante, homens para ajudar e um carro de bois com uma dorna de água e um carregamento de fardos de palha para alimento do Salomão. Um pelotão de cavalaria para segurança mais um carro da intendência das forças armadas.

A marcha segue a passo e capricho do elefante até à fronteira onde uma força austríaca os esperaria. Na Fronteira e perante a insistência de cada um dos destacamentos fazer questão de velar pela entrega do elefante, a caravana aumentou de figurantes.

E pelo caminho o elefante ainda fez um milagre amestrado pelo cornaca, que lhe valeu alguns dinheiros pela venda de pelo de elefante.

O elefante chega finalmente a Viena. Entretanto o arquiduque muda o nome do cornaca para Fritz e o elefante Solimão acaba aí os seus dias.

publicado por antonio.regedor às 12:27
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Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019

Biblioteca de Santa Maria da Feira

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Quis o comboio que me fizesse mais tempo apeado nessa terra de Santa Maria. Como sempre acontece, aproveito razoáveis  lapsos de tempo para visitar as bibiotecas dos Concelhos por onde passo. Por várias razões decidi visitar a de Santa Maria da Feira. Já não a via há bastante tempo, sou amigo da bibliotecária que conheço há cerca de três décadas e porque sempre gostei daquele espaço.

A revisitação leva-nos a pelos pormenores do balcão de atendimento, bar e sala de leitura. Reparei de imediato que a iluminação da recepção era nova. Criativa, de complexa concepção mas de simples realização.  A sala de leitura  tem a particularidade de beneficiar de um pé-direito que sustenta um mezanine. O peso dos livros e da sua história assentam firmes no piso da sala, enquanto a leveza digital é teclada nessa posição superior que a altura do mezanine confere.    

E mais uma vez com novo olhar, há aspectos e imagens ainda não experimentadas.E elas sempre lá estiveram. Chamou-me à atenção a entrada de luz pelas claraboias da sala de leitura. A claraboia oferece o desenho de uma cruz. Um símbolo bem adequado para as Terras de Santa Maria. Um pormenor simbólico. A Bibliotecária, Etelvina Araújo, que entretanto se aproximara deu nota da inovação introduzida na sala destinada à infância. O recanto da puericultura. Mães ainda em período de amamentação dos seus filhos têm cadeiras em espaço próprio e recatado com vista para a paisagem exterior.  A biblioteca pública sempre a inovar.

António Borges Regedor

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Terça-feira, 22 de Outubro de 2019

O mercador de livros proibidos

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Simoni, Marcello – O mercador de livros proibidos. Lisboa: Clube do autor, 2011.
Prémio Bancarella
Prémio Literário Emilio Salgari
Um mercador de relíquias, amigo de um monge. Sociedades secretas que pretendem o conhecimento de um determinado livro que está disperso em fólios que o mercador tenta reunir. De Veneza a Santiago, uma estrada de aventuras em ambiente medieval.
“Apesar de o caminho de Santiago se tornar cada vez mais inacessível, o número de peregrinos aumentava de dia para dia.” “já falta pouco para o vinte e cinco de Julho, a festa de São Tiago.” “...do outro lado do rio uma longa fila de homens, em procissão, se dirigia para ocidente. Caminhavam todos, mesmo os que possuíam carros e cavalos. Tratava-se, sem dúvida, de um gesto de penitência, o último sacrifício dos peregrinos antes de acederem ao ambicionado objectivo de culto, a cidade santa.” “ Os peregrinos tinham-se retirado para as hospedarias, para as estalagens ou permaneciam, adormecidos, à beira das estradas, desconhecendo que na cidade santa, depois do pôr do sol, muita gente era assassinada e roubada.”
“...Ignazio pegou numa das extremidades do marcador de livros que pendia do códice. ... –Fascinante! –admitiu Asclépio.” ...”cub. VI arm. I plu. II - é como eu pensava! Prosseguiu, batendo com o punho na palma da mão. – Trata-se da localização de um livro. “
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Segunda-feira, 9 de Setembro de 2019

Torrente Ballester

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Durante o tempo em que estive em Salamanca, também o café Novelty me fascinava. Pelo agradável que é. Pela história que comporta, Pelas figuras que por lá passaram, e cujos espíritos parece ainda hoje aí permanecerem. Café centenário e o mais antigo de Salamanca. Situado na Plaza Mayor, por onde todos os dias passava, também por ser o caminho mais curto da minha casa à Faculdade.

Pelo Novelty passaram muitos intelectuais, escritores, artistas, políticos. O Novelty era o centro das tertúlias de Salamanca. O Reitor da Universidade, Miguel de Unamuno, gostava de o frequentar, mas um dos mais assíduos era Gonzalo Torrente Ballester. Nascido em Ferrol em 1910, foi em Salamanca que faleceu depois de deambular por Oviedo, Compostela, Madrid, Pontevedra e Estados Unidos. Foi em 1975 que regressou a Salamanca.

Lembrei-me disto, por ter lido agora “Doménica” que foi publicado postumamente em 1999, o ano da sua morte.

Na foto:  sentado no café Novelty ao lado da estátua de Ballester

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 13:32
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Quinta-feira, 5 de Setembro de 2019

O Bibliotecário

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O Bibliotecário, é o primeiro romance de A. M. Dean um professor de culturas antigas. O romance parte da antiga biblioteca de Alexandria que pretende não ter sido destruída, mas escondida. Que terá sido preservada e alimentada durante o tempo, por bibliotecários que mesmo sem se conhecerem trabalharam em rede para a perpetuação dessa grande biblioteca repositório do conhecimento humano. A procura do lugar onde se encontra esse legado de conhecimento acumulado não nos leva a espaço físico, nem mesmo à tentativa de a retomar com a nova biblioteca de Alexandria. A primordial não se encontra em espaço físico, foi digitalizada. Ela está por todos os lados, em rede, acessível de qualquer computador. No romance, duas grandes forças mundiais e antagónicas conspiram entre si para dominar a informação. E o domínio da rede é o domínio global. O romance é, no essencial, uma alegoria à grande biblioteca da actualidade que é a internet.

Dean, A. M. – O Bibliotecário. Lisboa: Clube do Autor, 2012.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 11:36
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Quarta-feira, 4 de Setembro de 2019

O tempo entre costuras

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Num bairro modesto de Madrid uma jovem aprende costura. Estamos em tempos próximos da guerra civil. No seu universo social estão desde a amiga aderente do partido comunista, até a um namorado rejeitado que adere ao franquismo. Passa ao lado desse conflito por um casamento que a leva a Marrocos, onde a infelicidade do casamento a coloca na necessidade de recorrer à costura. A sua competência e sucesso profissional coloca-a em ambiente social privilegiado. A guerra e os contactos a que tem acesso lançam-na involuntariamente na espionagem. Sira muda de nome e adopta um campo de batalha.
O livro está também numa série televisiva. A autora, Professora Universitária, depois de vários trabalhos académicos, escreve este livro que nos encanta e agarra à leitura.
 
Maria Dueñas – O tempo entre costuras. Porto: Porto Editora, 2010.
 
António Borges Regedor
 
publicado por antonio.regedor às 14:12
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