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Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020

Revolução Industrial

Locomotiva.jpg

Locomotiva, a máquina a vapor que é produto da revolução industrial, mas ao mesmo tempo produtora dessa mesma revolução que a produziu. Era assim como uma pescadinha de rabo na boca. Os comboios, à época, eram composições formadas por uma significativa diversidade de carruagens. Locomotiva, vagão do carvão, vagão cisterna da água, carruagem do correio, carruagens de passageiros e no fim as carruagens de mercadorias.

As carruagens de passageiros eram estratificadas em três classes de conforto ou falta dele. Cada categoria de carruagem de passageiros tinha o preço a que cada classe social podia aceder. Os burgueses industriais ou comerciante enriqueciam. Os nobres empobreciam e em breve iriam falir e só ficar com os títulos, a arrogância e a frustração. Os servidores públicos, profissionais liberais, intelectuais de alguma posse ou rendimento, estavam no meio da escala social, e por isso a sua necessidade de afirmação política. Finalmente a arraia miúda, os pés descalços, a tropa fandanga, serviçais, criados e jornaleiros.

Cada um seguia na carruagem da vida e na que lhe correspondia no caminho de ferro.

No fim do comboio seguem as carruagens de mercadorias. Vão carregadas com matérias primas ou produtos acabados. São pedaços suados das minas, da agricultura, das oficinas e fabriquetas. Há carruagens para animais vivos, mais mortos que vivos pela viagem, a caminho do matadouro.

É a locomotiva da vida, da revolução industrial. A locomotiva que passou a levar as notícias mais depressa, as ideias mais longe, e também puxou revoluções. A locomotiva que tirou gente do campo e os levou à cidade. A máquina do comboio mágico que engolia camponeses num lado e vomitava proletários noutro lugar. A locomotiva que no fim de cada linha iniciava nova era.

O comboio que produziu a burguesia e que atirou a aristocracia para o tombo de história; Que deu luz à ciência e à técnica e ofuscou o clero; A locomotiva que puxou o comboio da história com novas ideias sociais e políticas. O comboio do liberalismo com nova economia e nova organização social. A locomotiva liberal que cilindrou o clero com a mais radical política anti-clerical na história de Portugal. O comboio que expulsou as ordens religiosas, lhes expropriou os bens, edifícios, igrejas, bibliotecas. A locomotiva da reforma administrativa que retirou ao clero as freguesias e os registos de nascimentos e óbitos. A máquina a vapor que encurtou distâncias; levou as gentes mais longe; rasgou caminhos; abriu horizontes. O comboio mudou o tempo, alterou a paisagem, queimou etapas. A máquina a vapor mudou o pensamento, a ciência, a filosofia, a pintura, a literatura. A locomotiva fez revoluções, escreveu História.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 13:41
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Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020

Locomotiva

Locomotiva.jpg

 

 

Locomotiva a máquina a vapor que é produto da revolução industrial, mas ao mesmo tempo produtora dessa mesma revolução que a produziu. Assim como uma pescadinha de rabo na boca, tal como a composição formada pelas diversas componentes dos comboios da época. Locomotiva, vagão do carvão, vagão cisterna da água, carruagem do correio, carruagens de passageiros estratificadas em três classes de conforto ou falta dele e de preço a que cada um podia aceder, assim como na vida real, na sociedade da época. Os ricos, burgueses industriais ou comerciante, que os nobres em breve iriam falir e só ficar com os títulos, a arrogância e a frustração. Os servidores públicos, profissionais liberais, intelectuais de alguma posse ou rendimento. E finalmente a arraia miúda, os pés descalços, a tropa fandanga, serviçais, criados e jornaleiros. Cada um na carruagem da vida e a que o caminho de ferro lhe fazia corresponder. No final, as carruagens de mercadorias. Matérias primas ou produtos acabados. Coisas das minas, da agricultura ou das oficinas e logo de seguida das fábricas cada vez maiores. Animais vivos, mais mortos que vivos pela viagem a caminho do matadouro.

Eis a locomotiva da vida, da revolução industrial, a que passou a levar as notícias mais depressa. Mas também as ideias mais longe, e as revoluções, A locomotiva que tirou gente do campo e os levou à cidade. A locomotiva que puxava todo este comboio mágico que engolia camponeses num lado e vomitava proletários noutro lugar desconhecido, tormentoso e sem retorno. O fim da linha, mas início de nova era.

A locomotiva que produziu a burguesia, que atirou para o caixote da história a aristocracia. Que qualificou o conhecimento da ciência e da técnica e desqualificou o clero. Que ganhou novas ideias sociais e políticas e inventou o liberalismo para organizar a sua vida, a sua economia, a sua política, a sua sociedade. Não conheço bem os outros países, mas no caso concreto de Portugal, foi a ideologia mais radicalmente anti-clerical que da história do País. Expulsou as ordens religiosas, expropriou-lhes todos os bens, edifícios, mosteiros, conventos, igrejas, bibliotecas. Retirou-lhes o poder dos registos demográficos, ficou-lhes com as freguesias.

A locomotiva encurtou distâncias, levou as gentes mais longe, rasgou caminhos, abriu horizontes. Mudou o tempo, alterou paisagem, queimou etapas. Mudou o pensamento, a ciência, a filosofia, a pintura, a literatura. Fez revoluções, escreveu História
 
António Borges Regedor
publicado por antonio.regedor às 16:07
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Quarta-feira, 29 de Julho de 2020

Edifícios e mudança de funcionalidade

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Ainda a Europa se encontrava numa época  obscura, já o Médio Oriente vivia grandes civilizações e produzia grande pensamento.  A civilização Persa. A riqueza cultural,  técnica, científica e civilizacional da Babilónia. A civilização Fenícia que nos legou a escrita. O trânsito civilizacional  que passou do Oriente através do Médio Oriente como a escrita numérica indiana que é conhecida por árabe, a pólvora ou o papel e até mesmo a impressão tabular. No Médio Oriente desenvolvem-se as religiões monoteístas ou expandem-se por essa região como aconteceu com o islão.  

O Cristianismo desloca-se do Médio Oriente para Ocidente pela Síria  e Turquia. Nestes países foram construídas e existem ainda algumas das igrejas mais antigas da cristandade. Uma dessas igrejas é a de Santa Sofia em Istambul, que já foi Constantinopla e antes Bizâncio. Sabemos que os edifícios de culto devem  geralmente a sua existência a locais desde sempre destinados a esse fim. E que ao longo do tempo foram servindo os vários cultos que se iam sucedendo.  Como também se iam sobrepondo os edifícios destinados a esses mesmos cultos.

São diversos os casos de lugares de culto que serviram já diferentes religiões. Igrejas transformadas em Mesquitas. Como foi o caso de Santa Sofia. Mesquitas transformadas em Igrejas com aconteceu em Sevilha, ou no nosso caso, como  bem conhecemos  em  Mértola.

A catedral de Hagia Sophia foi construída no século VI. Quando a região estava no domínio do Império Romano do Oriente. A cidade chamava-se Constantinopla e  era Cristã. A catedral situa-se à entrada do estreito de Bósforo. Foi convertida em mesquita no século XV e transformada em museu em 1934 por decisão do fundador da Turquia secular, Mustafa Kemal Ataturk.

 

Na idade contemporânea  as sociedades civilizadas tendem a considerar mais o património de compreensão histórica. Sejam escritos objectos ou edifícios. É nesse sentido que edifícios como os referidos, que serviram fins religiosos, valem não apenas pela sua funcionalidade, mas também e essencialmente pelo testemunho histórico e compreensão do diacronismo civilizacional.  É essa a razão porque se recuperam edifícios que serviram a função de antigas sinagogas, mesquitas e igrejas. E se preservam como museus. E porque não se destroem, não se deturpam nem usam para novas funcionalidades.   

Obviamente que há um limite de bom senso e de necessidade na determinação de imobilidade funcional de edifícios históricos. Não é útil nem sensato recusar novas funcionalidades. Não se pode tornar museu todos os edifícios que deixaram as suas funções iniciais, mas é importantes que alguns dos mais significativos sejam museus.

Conhecemos muitos edifícios que foram igrejas, mosteiros, castelos, palácios, armazéns, e que passaram a ser escolas , quartéis, hospitais, bibliotecas, hotéis.  Outros devem ser preservados na sua original funcionalidade para compreensão do contexto histórico, social, económico. A História também precisa de exemplos.  É o caso da Hagia  Sophia construída no século VI, ainda não existia o islão. Com tantas mesquitas em Istambul, e até mais importantes como é o caso da Mesquita Azul, a antiga igreja merecia a preservação que o regime laico do fundador da Turquia moderna,  Mustafa Kemal Ataturk,  lhes quis facultar em 1934.  Da mesma forma gostaria de ver a mesquita de Mértola no seu aspecto original, para melhor compreender e sentir toda a ambiência cultural que é a vila com mais representação dos vestígios da cultura islâmica em Portugal.   

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 22:42
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2020

Qubba

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Por vezes aparecem nos nossos roteiros sem que reparemos nelas. Algumas estão incrustadas em ermidas ou igrejas que aproveitando a sua estrutura primitiva e o local de implantação de desenvolveram para outras formas e utilizações. Aparecem também em fortificações. Em Portugal surgem por acção da arquitectura mudejar. São construções quadradas com cúpula semiesférica. O termo inicial traduz-se por cúpula. A sua finalidade era a de ser tumbas, eremtérios, mausuléos de mestres sufistas ou locais de peregrinação. Aparecem no Magreb e no al Andaluz. No Alentejo aparecem em Campo Maior (Qubba de Ouguela), em Vila Viçosa, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Estremoz, Elvas e outros locais.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 20:52
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Sexta-feira, 12 de Junho de 2020

Derrube de estátuas a copiar o Daesh

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Há uma onda de derrube de estátuas na Europa e nos Estados Unidos da América.

As estátuas hoje não são mais que documentos históricos. O que essas pessoas representam não pode ser percebido sem contextualização histórica.

A escravatura é das condições mais antigas da história. Na antiguidade passava-se da condição de ser livre possuidor de terra, para a condição de escravo por incumprimento de dívidas por exemplo. O indivíduo livre passava a escravo porque ficava sem a propriedade da terra, mas continuava nela, na sua casa, a cultiva-la como dantes.. Não raro os escravos eram cultos e tinham razoável condição social. A educação de muitos cidadãos na Grécia, criadora da democracia, era feita por escravos. Era frequente ver escravos e homens livres a trabalhar lado a lado. Com os descobrimentos e a importação de escravos, qualquer pedreiro proprietário de escravos trabalhava lado a lado com os seus escravos. Comerciantes tinham escravos que vendiam mercadorias por Lisboa. A história regista escravos brancos, louros nórdicos, morenos árabes, negros africanos, ou de qualquer outra origem cor de pele. Durante muitos séculos a História da Humanidade regista a condição de escravo no seu contexto social. Isso corresponde a um tempo que não é o de hoje. As luzes, as ciências, o conceito de humanidade e cidadania da revolução francesa, os conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade, os direitos humanos, e muito também a revolução industrial, deram fim à escravatura como condição social.

Apesar de ditar o fim da escravatura os problemas económicos, sociais e de mentalidade não foram extintos. E o facto é que ainda há actualmente bolsas de sociedades islâmicas que praticam a escravatura. Gostava de ver os ignorantes que andam a derrubar estátuas a serem mais diligentes quanto a esta aberração na actualidade. Mas era pedir demais à sua inteligência.

A História está cheia de personalidades controversas que se as víssemos fora dos contextos históricos estaríamos estupidamente a apagar toda a História.

Os Faraós do Egipto tinham por prática os casamentos incestuosos, e tinham escravos, acaso derrubaremos as pirâmides?. Platão participou num governo de tirania em Atenas, e tinha escravos, acaso derrubaremos o Partenon e as estátuas de Platão ? E deixaremos de o estudar?

Os esclavagistas que levaram escravos africanos para as Américas não andavam a caçar escravos. Compravam-nos nas feitorias do litoral a escracocratas que eram igualmente negros e com isso enriqueciam. (Pelógia 2013) e (Souza 2006 apud Mocelin; Camargo 2010)

Ver hoje europeus e americanos a derrubar estátuas copiando os comportamentos dos terroristas islâmicos do Daesh é ver ignorantes de história, gente que age por impulso, irracionais, que se limitam a usar o cérebro reptíliano ( MacLean 1990).

E triste é também ver políticos indignos da responsabilidade inerente aos cargos, a pactuar cobardemente com as hordas de arruaceiros, ignorantes e imitadores da mais profunda e repugnante fobia à cultura.

A História não se apaga nem de destrói. A História tem de ser estudada, compreendida, discutida. O curso da História implica corrigir o que for de corrigir e louvar o que for de louvar. A História é apenas a memória de um caminho percorrido que permite reflectir e orientar no caminho a percorrer.

 

Ver também:

Barroco Tropical – de José Eduardo Agualusa

 

http://www.rfi.fr/br/africa/20160522-mulheres-de-angola-lideravam-trafico-de-escravos-para-o-brasil

Rosa Aparecida Pelógia - A ESCRAVIDÃO ENTRE OS PRÓPRIOS AFRICANOS, 2013.

 

 

Fonte da Foto : NUNO FOX / Expresso

publicado por antonio.regedor às 13:20
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Sexta-feira, 5 de Junho de 2020

São Bento da Avé Maria

azulejos S. Bento.jpeg

 

Da estação de São Bento se diz das mais bonitas.  E assim é a obra do Arquitecto Marques da Silva.  Da mesma forma não  ficamos indiferentes aos painéis de azulejos da autoria de Jorge Colaço datados de 1905/1906. Um evocativo do que ficou conhecido por Torneio dos Arcos de Valdevez em 1140. Um  facto importante no restabelecimento da paz entre Afonso I de Portugal e Afonso VII de Leão e Castela.  O jovem rei português tinha invadido a Galiza e em resposta Afonso VII invade pelo Soajo e encontra as posições de Afonso Henriques acampado e cortando o passo na Portela de Vez. Após algumas escaramuças e vendo que maiores prejuízos haveria no confronto, os contendores decidiram a contenda em torneio. Na Idade Média a arte da guerra envolvia muitos participantes. Cavaleiros que os senhores locais se obrigavam a armar, muitos camponeses feitos soldados de tempos a tempos para efectuar escaramuças, rapinas, cercos mais ou menos demorados e alguns combates. Curiosamente e ao contrário do que vulgarmente se supõe, não se morria muito. E esta disputa em Arcos de Valdevez é um exemplo disso. Com a mediação do Arcebispo de Braga João Peculiar foi retomada a paz.

Um outro painel  evoca a entrada de D. João I, em 1387 no Porto,   para o casamento com D. Filipa de Lencastre. A noiva já o esperava desde Novembro do ano anterior, vinda directamente de Inglaterra, de acordo com o estabelecido com o Tratado de Windsor que combinou o casamento. D. Filipa de Lencastre ficou alojada no Paço Episcopal aguardando o Rei, seu noivo que entrou no Porto e se alojou no convento de S. Francisco. O casamento foi celebrado na Sé Catedral a dois de Fevereiro de 1387.

A  conquista de Ceuta em 1415 está também representada nos azulejos da estação de S. Bento. O facto é de enorme significado para a cidade e para o país. Foi nos estaleiros de Miragaia que se construiu cerca de metade da armada que conquistou Ceuta. À época Miragaia era um praia de extenso areal onde se instalavam estaleiros navais. Dá também origem à denominação de tripeiros pelo facto do Porto ter abastecido de carne a armada e sobrarem as vísceras não utilizáveis na viagem, mas que o povo não deixou de consumir.

Para final fica a referência do painel que resulta de um mito e mistificação da história de portugal. É o mito de Egas Moniz. Mito criado pelo  trovador João Soares Coelho  que tentando para si projecção social  se dizia descendente por via bastardo de Egas Moniz.   Vivendo já no século XIII João Soares Coelho     procurando glorificar o seu possível tetravô glorificava-se a si próprio.

Na verdade, documentos da época referem que Afonso Henriques cedeu ás exigências de Afonso VII.  Não há certeza do cerco a Guimarães. E o aio de Afonso Henriques deverá ter sido Ermígio Moniz de Ribadouro, irmão mais velho de Egas Moniz, que nos documentos assina em primeiro lugar e  que foi  o primeiro conselheiro de Afonso Henriques e desempenhou funções políticas como membro mais importante da corte.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 18:58
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Quarta-feira, 8 de Abril de 2020

A História da Humanidade corrige os erros, depois de exageros.

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O Iluminismo, expressão científica da visão do mundo, corrigiu o modelo obscurantista. O Liberalismo, expressão da burguesia ascendente, alterou o modelo terra-tenente da aristocracia rentista. O Republicanismo, expressão da liberdade, igualdade e fraternidade mudou o estatuto de súbdito para o de cidadão. No pós segunda guerra as democracias, expressão do bem estar social, do estado previdência e intervenção do estado nos sectores estratégicos corrigiram o liberalismo. No final do século vinte o neoliberalismo destruiu a social democracia herdeira do período de paz. É agora perante uma pandemia que percebermos que é fundamental o sector estratégico da economia estar na mão do Estado (que somos nós todos), que é fundamental a saúde, o ensino, a defesa, segurança e comunicações e transportes serem do estado. Ou seja, serem de nós todos.

Porque claramente vemos a mentira dos liberais que queriam menos estado. Banqueiros, Industriais, Concessionárias de serviços públicos como auto-estradas por exemplo, com lucros privados por deterem serviços públicos, reclamam hoje pelo estado. Para esses vampiros liberais o estado é hoje o que fizeram dele: mínimo, pobre, sem poder de os ajudar. É caso para dizer a frase de que os liberais tanto gostam: É o mercado seus estúpidos.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 17:57
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Terça-feira, 13 de Agosto de 2019

Mirando o Douro

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Miranda do Douro
A Terra de Miranda, bem encostada ao rio Douro, vê de cima da margem rochosa que dele se eleva a pique. Naquele lugar a curva estreita ainda mais o rio que cava fundo. Miranda do Douro é a fortaleza. E assim bem o entendeu D. Afonso Henriques que lhe concedeu Foral a 19 de Novembro de 1136. Foral que foi confirmado por D. Afonso II em 1217.
D. Dinis reconhecendo a importância militar do lugar, manda erguer o castelo de forma rectangular e de quatro torres. É portanto um castelo do século XIII. A quinta torre foi acrescentada por ordem de D. João I, já no século XV, que lhe mandou colocar as suas armas. A revolução da pólvora desse século levou à construção de uma barreira com bocas de fogo.
O Foral novo de D. Manuel foi-lhe passado em 1 Junho de 1510.
A sua importância crescente leva D. João III a pedir ao Papa Paulo III que crie a Diocese em parte das terras que antes eram da Arquidiocese de Braga. É Diocese a partir de 22 Maio de 1545. E também a partir desse ano é cidade. A primeira pedra da nova Sé é colocada só em 1552. Os primeiros Bispos viveram ainda no castelo até à construção do Paço Episcopal. Este só se iniciou em 1601 e só ficou concluído mais de um século depois.
No século XVII o castelo foi envolvido por uma estrutura pirobalística, o que reforçou ainda mais a sua capacidade defensiva. No entanto, a 8 de Maio de 1762, no contexto da Guerra dos Sete anos a Alcáçova foi arrasada pela explosão do paiol, destruindo o Castelo e os bairros à sua volta.
 
Hoje, Miranda do Douro, é uma cidade agradável. A cidade mostra-se ainda murada, mas já extravasou essa limitação granítica. O casco histórico é bem cuidado e atractivo ao turismo que é notoriamente uma das suas ofertas. O seu posicionamento de atalaia, é também miradouro. E mostra-se segura perante a ravina que conduz à água que cavou fundo a rocha. Desse promontório que é a cidade, tudo se vê de cima, como deuses. Assim nos sentimos.
publicado por antonio.regedor às 12:35
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Sexta-feira, 2 de Agosto de 2019

Roteiro por Terras do Nordeste Tranamontano

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O Nordeste de Portugal oferece vários ambientes, paisagens e muitas oportunidades de conhecer uma riqueza patrimonial que como nacionais deve ser do nosso orgulho e do nosso usufruto.

Para cima de Vila Real, há um roteiro de cidades começadas com a letra M e que constituem um roteiro de agradável interesse turístico.

Murça destaca-se na paisagem por ter todo o espaço do Concelho plantado a vinha, nos melhores terrenos. Alguns destes são terras de benefício. Ou seja, podem produzir vinho do Porto. Outros terrenos mais pequenos ou mais inclinados com oliveira. E ainda outros com amendoeira e outras árvores de fruto.

Mirandela continua a paisagem iniciada em Murça. É o centro da Terra Quente transmontana de grande riqueza agrícola. Mostra-se agradável. Preserva a ponte românica. O rio faz um grande espelho de água onde se desenvolvem várias actividades náuticas. Os espaços de jardins amenizam a intensidade do calor no verão e abrigam do vento em tempo de inverno. Os Távoras já aqui foram influentes. O seu Paço é agora a sede do Município, depois de já ter sido Quartel e Liceu.

Macedo de Cavaleiros tem posição privilegiada junto da albufeira do Azibo. Soube aproveitar muito bem este enorme potencial turístico. Conta já com duas praias que se repartem por pequenas enseadas que lhes dão dimensão humana, e tranquilidade. Mas muito mais potencial tem este grande lago resultante da barragem do Azibo. Há ainda muito a desenvolver.

Mogadouro fica já um pouco deslocado para o interior e isso sente-se no seu desenvolvimento. A terra natal de Trindade Coelho preserva ainda o castelo que foi doado a Pedro Lourenço de Távora em 1401 e o pelourinho símbolo de Concelho por Foral de D. Afonso III em 1272. A existência de arte rupestre na Boca da “Ribeira do Medal” conforma a ocupação desde território desde o Paleolítico Superior (42 000 anos), e em Penas Roias com vestígios de pinturas do Calcolítico (4 500 anos). Pena que o turismo local não tenha bons roteiros com estes lugares, estradas, caminhos e todas as indicações e condições necessárias à valorização detes lugares, com excepção da informação do castro de Vilarinho dos Galegos.

Miranda do Douro encostada a Espanha, beneficia turisticamente dessa posição. Impressiona pela sua fortificação. Conserva o que resta da explosão do castelo, e preserva e recupera o paço episcopal. Pertencia à Arquidiocese de Braga, até que em 1545 ganhou o estatuto de Diocese. É dividida em 1770 passando a existir uma outra em Bragança. Volta a unir-se em 1780 com sede em Bragança. Desde 1996 a designação é de Diocese de Bragança-Miranda.

publicado por antonio.regedor às 16:36
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Quarta-feira, 31 de Outubro de 2018

TRÊS MOMENTOS DA HISTÓRIAS DO PORTO

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A Muralha Fernandina, ou Cerca Nova. A primeira cerca do Porto foi construída no morro da Pena Ventosa e corresponde sensivelmente ao que é hoje a Rua de D. Hugo.
O crescimento da cidade no século XIV ditou a sua construção. Apesar do nome, foi iniciada ainda no tempo de D. Afonso IV e concluída em 1370, reinava D. Fernando.
Ponte pênsil D. Maria II que substituiu a ponte das barcas. Na imagem um dos pilares que amarrava os cabos que sustentavam o tabuleiro. Foi construída em cerca de dois anos. Iniciada em 1841 e terminada em 1842. Funcionou durante quarenta e cinco anos. Foi desmontada após a construção da Ponte Luiz I.
Ponte Luíz I. Na imagem pilar e parte do tabuleiro superior. O arco de ferro suporta o tabuleiro superior e suspende o tabuleiro inferior. Iniciada em 1881, terminou a construção em 1888. A sua construção corresponde ao grande crescimento do comércio e indústria da cidade e à necessidade de ligação a Gaia.
 
António Regedor
 
publicado por antonio.regedor às 16:28
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