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Terça-feira, 13 de Agosto de 2019

Mirando o Douro

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Miranda do Douro
A Terra de Miranda, bem encostada ao rio Douro, vê de cima da margem rochosa que dele se eleva a pique. Naquele lugar a curva estreita ainda mais o rio que cava fundo. Miranda do Douro é a fortaleza. E assim bem o entendeu D. Afonso Henriques que lhe concedeu Foral a 19 de Novembro de 1136. Foral que foi confirmado por D. Afonso II em 1217.
D. Dinis reconhecendo a importância militar do lugar, manda erguer o castelo de forma rectangular e de quatro torres. É portanto um castelo do século XIII. A quinta torre foi acrescentada por ordem de D. João I, já no século XV, que lhe mandou colocar as suas armas. A revolução da pólvora desse século levou à construção de uma barreira com bocas de fogo.
O Foral novo de D. Manuel foi-lhe passado em 1 Junho de 1510.
A sua importância crescente leva D. João III a pedir ao Papa Paulo III que crie a Diocese em parte das terras que antes eram da Arquidiocese de Braga. É Diocese a partir de 22 Maio de 1545. E também a partir desse ano é cidade. A primeira pedra da nova Sé é colocada só em 1552. Os primeiros Bispos viveram ainda no castelo até à construção do Paço Episcopal. Este só se iniciou em 1601 e só ficou concluído mais de um século depois.
No século XVII o castelo foi envolvido por uma estrutura pirobalística, o que reforçou ainda mais a sua capacidade defensiva. No entanto, a 8 de Maio de 1762, no contexto da Guerra dos Sete anos a Alcáçova foi arrasada pela explosão do paiol, destruindo o Castelo e os bairros à sua volta.
 
Hoje, Miranda do Douro, é uma cidade agradável. A cidade mostra-se ainda murada, mas já extravasou essa limitação granítica. O casco histórico é bem cuidado e atractivo ao turismo que é notoriamente uma das suas ofertas. O seu posicionamento de atalaia, é também miradouro. E mostra-se segura perante a ravina que conduz à água que cavou fundo a rocha. Desse promontório que é a cidade, tudo se vê de cima, como deuses. Assim nos sentimos.
publicado por antonio.regedor às 12:35
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Sexta-feira, 2 de Agosto de 2019

Roteiro por Terras do Nordeste Tranamontano

IMG_20190720_121504.jpg

 

O Nordeste de Portugal oferece vários ambientes, paisagens e muitas oportunidades de conhecer uma riqueza patrimonial que como nacionais deve ser do nosso orgulho e do nosso usufruto.

Para cima de Vila Real, há um roteiro de cidades começadas com a letra M e que constituem um roteiro de agradável interesse turístico.

Murça destaca-se na paisagem por ter todo o espaço do Concelho plantado a vinha, nos melhores terrenos. Alguns destes são terras de benefício. Ou seja, podem produzir vinho do Porto. Outros terrenos mais pequenos ou mais inclinados com oliveira. E ainda outros com amendoeira e outras árvores de fruto.

Mirandela continua a paisagem iniciada em Murça. É o centro da Terra Quente transmontana de grande riqueza agrícola. Mostra-se agradável. Preserva a ponte românica. O rio faz um grande espelho de água onde se desenvolvem várias actividades náuticas. Os espaços de jardins amenizam a intensidade do calor no verão e abrigam do vento em tempo de inverno. Os Távoras já aqui foram influentes. O seu Paço é agora a sede do Município, depois de já ter sido Quartel e Liceu.

Macedo de Cavaleiros tem posição privilegiada junto da albufeira do Azibo. Soube aproveitar muito bem este enorme potencial turístico. Conta já com duas praias que se repartem por pequenas enseadas que lhes dão dimensão humana, e tranquilidade. Mas muito mais potencial tem este grande lago resultante da barragem do Azibo. Há ainda muito a desenvolver.

Mogadouro fica já um pouco deslocado para o interior e isso sente-se no seu desenvolvimento. A terra natal de Trindade Coelho preserva ainda o castelo que foi doado a Pedro Lourenço de Távora em 1401 e o pelourinho símbolo de Concelho por Foral de D. Afonso III em 1272. A existência de arte rupestre na Boca da “Ribeira do Medal” conforma a ocupação desde território desde o Paleolítico Superior (42 000 anos), e em Penas Roias com vestígios de pinturas do Calcolítico (4 500 anos). Pena que o turismo local não tenha bons roteiros com estes lugares, estradas, caminhos e todas as indicações e condições necessárias à valorização detes lugares, com excepção da informação do castro de Vilarinho dos Galegos.

Miranda do Douro encostada a Espanha, beneficia turisticamente dessa posição. Impressiona pela sua fortificação. Conserva o que resta da explosão do castelo, e preserva e recupera o paço episcopal. Pertencia à Arquidiocese de Braga, até que em 1545 ganhou o estatuto de Diocese. É dividida em 1770 passando a existir uma outra em Bragança. Volta a unir-se em 1780 com sede em Bragança. Desde 1996 a designação é de Diocese de Bragança-Miranda.

publicado por antonio.regedor às 16:36
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Quarta-feira, 31 de Outubro de 2018

TRÊS MOMENTOS DA HISTÓRIAS DO PORTO

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A Muralha Fernandina, ou Cerca Nova. A primeira cerca do Porto foi construída no morro da Pena Ventosa e corresponde sensivelmente ao que é hoje a Rua de D. Hugo.
O crescimento da cidade no século XIV ditou a sua construção. Apesar do nome, foi iniciada ainda no tempo de D. Afonso IV e concluída em 1370, reinava D. Fernando.
Ponte pênsil D. Maria II que substituiu a ponte das barcas. Na imagem um dos pilares que amarrava os cabos que sustentavam o tabuleiro. Foi construída em cerca de dois anos. Iniciada em 1841 e terminada em 1842. Funcionou durante quarenta e cinco anos. Foi desmontada após a construção da Ponte Luiz I.
Ponte Luíz I. Na imagem pilar e parte do tabuleiro superior. O arco de ferro suporta o tabuleiro superior e suspende o tabuleiro inferior. Iniciada em 1881, terminou a construção em 1888. A sua construção corresponde ao grande crescimento do comércio e indústria da cidade e à necessidade de ligação a Gaia.
 
António Regedor
 
publicado por antonio.regedor às 16:28
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2018

Memória do 15 de Abril de 1972

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15 de Abril de 1972

Em Portugal, vivia-se o Marcelismo.

Salazar, o ditador, já tinha morrido. Caiu da cadeira, nomearam um novo chefe de governo. Marcelo Caetano, e mantiveram o Salazar a pensar que continuava a ser o Presidente do Conselho de Ministros (como ele dizia). Os ultras da ditadura até ao chefe mentiam. De tal maneira que, já com o governo de Marcelo em funções, alguns ministros davam-se à farsa de irem ter com Salazar, simular que iam a despacho na cama do hospital.

Dou esta nota trágica, de cómica que se torna agora à distância, e que tem muito de kinestésica e merecia a risada num espectáculo de comédia.

Mas apesar da comédia, o terror da ditadura nada mudou, desde a morte de Salazar em 1970. A polícia política apenas tinha mudado de nome, a censura continuava. A guerra colonial agravava-se. A fome, a mortalidade infantil, a fuga para o estrangeiro eram o visível quotidiano de 1972.

Nesse ano a 15 de Abril, foi convocada uma manifestação para a baixa do Porto. Hora de saída dos empregos. Ponto de passagem para a estação de S. Bento e da Trindade. Terminal dos transportes colectivos, corredor de circulação para Gaia pelo tabuleiro inferior da ponte Luíz I. Centro nevrálgico da cidade, mas também de enorme valor simbólico. Praça da Liberdade, em torno da estátua equestre de D. Pedro IV, O liberal que segura na sua mão a carta constitucional. A estátua está no lugar onde as tropas liberais chegaram um dia depois de desembarcaram na praia do Mindelo, Leça, onde hoje se pode ver o obelisco da memória. Tropas que sofreram o cerco do Porto pelos absolutistas, mas que resistiram. Por isso o Porto se reclama de invicta.

A Avenida dos Aliados fica na contiguidade da Praça da Liberdade e sem que se note onde está o limite. Apesar do regime se posicionar no eixo Nazi, a Avenida dos Aliados é igualmente de grande valor simbólico para agregar os que se aliaram contra o nazismo e agora se pretendiam manifestar contra o regime da ditadura e resquício desses tempos.

Como era habitual, nos dias 1º de Maio, a Praça, a Avenida, Ruas e locais circundantes tinham mais gente. E também como habitual, a zona era cercada de polícia e infiltrada de pides e legionários à paisana. A determinado momento os transportes passavam os términos para o Largo do Carmo e Praça da Trindade, e com cargas de bastonadas toda a zona desde o passeio das Cardosas ao edifício da Câmara era varrida de populares.

Eu já tinha visto cargas policiais, policias à civil a colocarem braçadeiras e a puxarem de cassetetes, legionários que desocultavam fitas dos bolsos dos casacos e batiam desalmadamente quem iam apanhando na sua proximidade. Tinha já pontos de fuga pensados, por entre o avanço da polícia. Já tinha ficado encurralado na sequência de manifestações estudantis, mas sem consequências. Uma vez numa cervejaria da baixa, mas tinha subido para o primeiro andar, uma outra vez na rua de Cedofeita e sido abrigado numa casa comercial que logo de seguida fechou as portas à polícia.

No 15 de Abril estava praticamente entre a Praça e a Avenida, não muito afastado da rua de Sampaio Bruno, que seria um dos pontos de fuga. Tinha-se concentrado mais gente que habitualmente no primeiro de maio. O caminho para a Praça da Liberdade era de reconhecer o posicionamento da polícia. Como habitualmente o dispositivo consistia em colocar várias carrinhas cheias de policia atrás da Câmara Municipal, Na Praça D. João I, em frente à estação de S. Bento, Largo dos Lóios, e Praça Filipa de Lencastre. A zona literalmente cercada, ficando quatro ruas estreitas, e muito pouco tempo por onde fugir. A Praça, em volta da estátua de D. Pedro IV estava literalmente pejada de gente. Alguns rostos conhecidos. Movimentos comprometidos, olhares instintivos, ouvidos alerta. Desta vez, do lado norte da estátua equestre, ergue-se uma bandeira nacional e o desfile inicia-se. Arranca quase de imediato o avanço da polícia, as correrias e a agitação dos agentes da pide e legionários que infiltrados iniciam as bastonadas e fazem prisões. A manifestação só teve tempo de avançar até ao início da Avenida , até junto à estátua da menina despida. Mas esse tempo de percurso tão curto e tão rápido, foi demasiado para a fuga planeada. Desta vez, pela rua estrita de S. Paio Bruno também avançou a polícia. Estava encurralado e havia que voltar para trás, para o café sport. O mais para o fundo possível. E fechar a porta à polícia. O café parecia ter ficado vazio dado o espaço que mediava o ajuntamento ao fundo do café e a porta. Não havia conversa. O tempo foi suspenso, em silêncio. Aguardar o nada. Com mais silêncio e sem mais correrias. A polícia aparece na frente do café, mandando abrir a porta. A ordem foi evacuar o café. A saída foi em fila indiana, encostados à parede e a caminho da Rua Sampaio Bruno. Ficava a incógnita. Era só medida de evacuação ou encaminhamento para a cadeia? Numa barreira a meio da rua um polícia mandava para trás. Mas a informação de que estávamos no café e um chefe nos tinha mandado sair exactamente por ali, deixou continuar a fila indiana. O truque da serenidade resultou. A retirado foi por Sá da Bandeira. Mas pelo menos não fora preso.

 

António Borges Regedor

 

publicado por antonio.regedor às 13:47
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Segunda-feira, 15 de Abril de 2013

História da primeira faculdade de Letras da UP

Um livro de Pedro Baptista, sobre a  história da primeira faculdade de letras do Porto, que nasceu em 1919, na Quinta Amarela, junto à Boavista, e desapareceu em 1931.

Foram nela professores como Leonardo Coimbra, Damião Peres, Francisco Torrinha, Magalhães Basto, Homem-Cristo, Newton de Macedo. E teve alunos  como Agostinho da Silva, Casais Monteiro, Delfim Santos ou Sant’ Anna Dionísio.

publicado por antonio.regedor às 10:50
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Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

"O Estado em Portugal"

Nas escolhas de Marcelo, refere "O Estado em Portugal" de Judite Gonçalves de Freitas, Professora Catedrática da Universidade fernando Pessoa, e coordenadora do Curso de Ciências da Informação e da Documentação da UFP

 

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/marcelo-marcelo-rebelo-de-sousa-livros-tvi24/1326842-4071.html

 

Nos próximos dias  farei aqui alguma notas de leitura

publicado por antonio.regedor às 10:23
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