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Terça-feira, 24 de Março de 2020

Geração de medos

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Nasci num tempo em que o maior medo de contágio era a tuberculose. A doença tinha muito por onde progredir nos meios tocados pela fome e que viviam nas ilhas insalubres sem luz eléctrica, sem água canalizada, sem quartos de banho e com uma latrina partilhada. Assim vivia nos anos cinquenta a maioria da população portuguesa. Os tuberculosos, e eram tantos, que justificavam a existência de locais só para os atender. Eram isolados em sanatórios localizados em locais ermos no cimo das montanhas ou alguns à beira-mar. Aos segregados em casa eram-lhes separadas as roupas, talheres e louça. Para a matrícula na escola ou para ter emprego era necessária uma prova em como não estava tuberculoso. Apresentei micro-radiografias em todos os anos por altura das matrículas na escola.

O outro grande medo era o de ser espiado, escutado pela PIDE, a polícia política. Tal como agora evitavam-se os ajuntamentos. Medo de sermos ouvidos a dizer alguma coisa que fosse inconveniente, vistos com alguém que desagradava ao regime. Perseguidos pelo medo agia-se de forma conveniente, respondia-se como se esperava. O medo tolhia.

Nos anos sessenta surgiu um novo medo. O da guerra colonial. O regime viu nas suas províncias ultramarinas tornarem-se palcos de guerra. Encenadores ditatoriais fizeram dos portugueses actores em teatros de operações militares. O medo instalou-se com a perspectiva de ter de ir fazer guerra na Índia, Timor, Moçambique, Angola e Guiné, ou reforçar militarmente , Macau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Madeira e Açores.

A contaminação da guerra colonial foi tão grande que a cura começou com um levantamento falhado do Regimento de infantaria nº 5 sediado nas Caldas da Rainha. Fui encontrar estes militares em Junho de 1974 no RI5 das Caldas, onde me deram instrução militar, depois de terem sido libertados pelo 25 Abril de 74. O Golpe militar que acabou com os medos e encorajou à maior revolução económica e social na história de Portugal.

O crescimento económico e desenvolvimento social, cultural, científico foi travado por uma crise de sub-prime que rebentou nos estado unidos da américa e se espalhou fortemente na Europa apanhando Portugal como um dos elos mais fracos. A maior crise económica de que tenho memória na minha vida. Nova crise, novos medos. Estes no que disseram respeito aos rendimentos, à continuidade de qualidade de vida, à insegurança na saúde e velhice. O medo dos jovens não vislumbrarem horizonte de vida, dos adultos a meio da idade verem cair repentinamente o fim do emprego e da esperança de o voltar a ver, o medo dos mais idosos saberem em que condições se abreviaria a sua vida.

Ainda não saídos totalmente da última crise de vida, de emprego, de futuro, eis que mergulhamos noutro medo. O medo da nossa saúde abalar irremediavelmente pela acção de um vírus desconhecido, de rápida progressão epidemiológica, de maior agressividade  para com as gerações mais idosas, agravando patologias já existentes, e que faz dos mais resistentes transmissores invisíveis, assintomáticos e involuntários. O medo da contaminação, o medo da transmissão, o medo de não conseguir resistir ao tratamento das doenças associadas, já que para o vírus não há tratamento nem vacina. O medo de a vacina não estar pronta a tempo das novas vagas. O medo do surto de contaminação ser tão grande que não seja comportado pela capacidade instalada do Serviço Nacional de Saúde. O medo dos recursos médicos serem abalados de tal modo que não possam tratar de si nem dos outros. O medo dos comportamentos irracionais que não ajudem à contenção da doença. O medo até de ter medo que as coisas piorem. O medo das repercussões económicas e financeiras futuras.

Mas tal como na guerra o medo é necessário para nos proteger. Esta consciência do medo também nos deve ajudar a proteger.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 18:44
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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2019

Nó Cego

IMG_0745.JPG

Carlos Vale Ferraz, lançou em 1983 a ficção “Nó Cego”. Para mim, é a leitura deste autor, mas no sentido contrário do cronológico. Aqui dei conta em 4 de abril do ano passado, do seu mais recente romance “A Última Viúva de África (2017)”.

Este autor que também foi militar em Moçambique, coloca a acção em finais de 1969 no planalto dos Macondes, Mueda. Nome terrível para muitos portugueses. O jovem que “sentia a curiosidade dos gatos por tudo o que o rodeava e que desconhecia. De facto, jamais pensara em seguir a carreira militar.” p.28 Como tantos outros aqui estava, milicianos ou não, de arma na mão. Em pleno teatro de guerra. O nome do romance traz-me à memória a operação Nó Gordio no mesmo local. Ea história como na realidade começa antes com gente que queria ser diferente. O enfermeiro Cardoso queria ser pintor. Um dia “o professor foi levado mais uma vez para Caxias e o João Cardoso viu-se no meio da sala da mansarda, com tudo o que restava dos seus bens comuns desfeito e espalhado pelo soalho a seus pés”p. 45. É agora o enfermeiro da companhia.

“O clínico militar, um alferes miliciano mobilizado mal acabou a especialização...entrou na sala trazendo atrás de si o brigadeiro e o tenente-coronel que vinham em visita de inspecção.(...)Acendeu a luz amareladae deixou-se a fitr a cara do brigadeiro, a empalidecer enquanto observava o interior do cubículo negro. Apontou com o dedo musculado de cirurgião, sem uma termura:  - Aquilo que está dentro daquele caixote, embrulhado no pano de tenda, era, ou é, já nem sei, o corpo dum daqueles a quem o senhor chama “soldadesca”.”p. 81.

“E ali estava ele só, o dólman do camuflado ainda sujo da viagem, sentado num monte de pedras como se carregasse o peso de todas as canseiras, apensar nela, a entender os poetas e a poesia – “essa pieguice”, como ela lhe dissera um dia, quando, deitados numa prais de areia fina no Algarve, ela lhe lera um poema”. p. 241

E entretanto, na cidade, longe das operações de cerco e assalto, o “Azevedo Melo tinha o programa previsto para o dia completo de cruzeiro no mar dos seus convidados, que passava por uma experiência de pesca ao corripo.” p. 258

E assim vai correndo a ficção do “Nó Cego” ou Nó Gordio, como preferirem, o desempate da guerra que não aparece, nem na ficção nem na realidade.

 

Abtónio Regedor

publicado por antonio.regedor às 15:17
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