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Terça-feira, 10 de Setembro de 2019

LINHA DO VOUGA

Estação de Espinho-Vouga.jpg

Linha do Vouga. * Também conhecida pelo Vouguinha. O cais está cheio e ainda há pessoas que se abrigam do sol na pouca sombra do edifício arruinado daquilo que em tempos foi a estação.

Na ausência de bilheteira, o revisor, ainda antes do comboio chegar inicia no cais a venda dos bilhetes.

Em dias de previsão de  grande afluência de passageiros, como é o período estival, o comboio é composto por  dupla composição. Só não transporta passageiros na última carruagem por não haver plataforma suficiente nos apeadeiros. O comboio vai cheio e estamos a meio do dia.

No Concelho de Espinho tem paragem em Silvalde e no Monte de Paramos. E segue para Oleiros, Paços de Brandão, Rio Meão, S. João de Ver, Vila da Feira, S. João da Madeira, Oliveira de Azeméis. Este percurso dentro da Área Metropolitana do Porto tem enorme potencial. Uma região que também é mal servida de transporte rodoviário de passageiros, e que obriga ao uso intensivo de automóvel. Existe o canal, há necessidade de reduzir as emissões de dióxido de carbono e promover o transporte público. Também a linha teria de ser electrificada e reforçados os meios de segurança nas passagens de nível. O mais importante para garantir o melhor impacto e desempenho seria alterar algum ponto do canal. Seria fundamental passar pelo centro e por vários equipamentos como o hospital, tribunal e outros serviços públicos em Santa Maria da Feira. E o melhor para formular estas condições fundamentais para a sua viabilidade económica, seria o formato de metro de superfície. O percurso que hoje é feito em uma hora, no formato metro e com boa infraestrutura, poderia reduzir esse tempo de deslocação.

Só a requalificação da via não garante o melhor desempenho, que é o da proximidade com as novas zonas urbanas. As Terras de Santa Maria precisam deste transporte público, colectivo e ambientalmente preferível .

*(Experiência de uma agradável  viagem neste comboio)

António  Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 15:35
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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2019

O Monstro ataca o caminho de ferro

slider_ap.jpg

No meu blog “bibvirtual” de 9 de Agosto de 2018, e com o título “Caminhos de Ferro a serem devorados”, dava conta da alemã Deutshe Bahn, ter comprado uma empresa que era inglesa, para começar a operar de forma privada a linha de Corunha ao Porto. Já todos sabemos que a partir deste ano uma normativa da União Europeia, que é comandada pela Alemanhã, obriga a liberalizar o sector ferroviário.

O cidadão comum só agora se terá dado conta que a União Europeia quer mesmo liberalizar o caminho de ferro. Mas isso é, de há muito, conhecimento dos alemães, das empresas ferroviárias, e portanto também dos políticos, e dos gestores da CP, como é bom de ver. E a operação de caça à CP está montada.

Em Agosto do ano passado foi o ridículo argumento que os comboios no pico do verão aqueciam mais que o habitual. Nunca tinha sido problema desde que os pendulares e Intercidades existem, mas o ano passado foi. Depois a cozedura da CP em lume brando continuou com o bombardeamento de notícias sobre a falta de manutenção. Lembremos que a Sorefame foi vendida à concorrente Bombardier que a desmantelou. Mais bombardeamento de notícias sobre a falta de carruagens e de locomotivas. Ficou a saber-se que há locomotivas do tipo do intercidades, paradas e que as carruagens em falta são alugadas à empresa espanhola. Sai agora uma nova notícia de compra de carruagens. Será a reedição de uma outra tentativa de aquisição de material circulante que já esteve para marcada há dez anos atrás e não se efectuou.

Tudo estaria bem, se esta aquisição viesse com determinação de investir na CP pública, contribuindo para a melhoria do serviço público, do desenvolvimento social, da promoção do transporte colectivo, da redução da factura do carbono e melhoria da qualidade de vida e finanças do país.

Tudo muito lindo, mas parece que não será bem assim. Sabemos por Francisco Fortunato em artigo assinado a 14 de Janeiro de 2019, que o negócio poderá não ser apenas o da aquisição de unidades para o serviço regional, mas poder envolver a RENFE e o longo curso. A RENFE faz logo saltar a campaínha dado ser a parceria de Vigo-Porto, a tal em que os alemães da Deutshe Bahn estão interessados. E o longo curso que é precisamente a linha apetecível por ser a que anda sempre cheia e dá lucro.

Em 2009 estavam proposta a aquisição de 25 automotoras para o serviço regional e 6 unidades para o longo curso.

Hoje fica-se apenas por 22 para o serviço regional e é avançado um instrumento empresarial internacional com a RENFE, leia-se uma empresa, para onde seriam transferidos os 10 pendulares, colocando a renfe cinco ou seis comboios também para esse eixo de negócio que é o longo curso. Tudo isto parece configurar a formação de uma empresa, que a pretexto da falta de capacidade de investimento e aliada ao interesse da exploração rentável pelos grandes grupos internacionais como a alemã Deutshe Bahn, aproveita a normativa da União Europeia, para efectuar a privatização. Coisa que não interessa aos Portugueses, ao Estado Português, à economia nacional. Talvez interesse aos alemães, aos chineses e a alguns gestores que a esta hora estarão a pensar no seu recrutamento para a futura empresa privada.

Uma eventual privatização das linhas mais rentáveis da CP, iria deixá-la apenas com as linhas de necesssidade social que são obviamente as menos rentáveis. O que seria muito mau para a empresa pública e para o Estado. 

António Regedor

 

Fonte: António Regedor bibvirtual https://bibvirtual.blogs.sapo.pt/caminhos-de-ferro-a-serem-devorados-199704

Francisco Fortunato. www.sindefer.pt

publicado por antonio.regedor às 15:58
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2018

Caminhos de Ferro a serem devorados

CP ESCUDO.jpg

Desde há algumas semanas, e estamos em Agosto de  2018,  têm havido muitas notícias  sobre a CP. Curiosamente acontecem após o governo  ter anunciado uma nova frente de trabalho da renovação da linha do norte, entre Ovar e Gaia.  São notícias, os atrasos, a falta de material circulante, a subsituição de carruagens de qualidade e tipologia inferior em determinados percursos, a falta de manutenção ao nível da qualidade e conforto, a falta de pessoal de manutenção mas oficinas da empresa EMEF, (a empresa da CP especializada na manutenção). E mais recentemente o ar condicionado que não funciona acime de detreminado patamar.

Claro que dá vontade de verificar caso a caso cada um destes argumentos contra a ferrovia, que parece terem aparecido todos agora e ao mesmo tempo com a mesma causa. Vejamos.

A renovação da linha do norte já vem do tempo do cavaco. E sabe-se que as intervenções são apenas para repor as boas condições de circulação e segurança. Não permitem aumentar as velocidades que os alfas e pendulares podem fazer. Diz-se não haver mais comboios, mas há locomotivas  novas, paradas. A falta de carruagens já é conhecida há muito, até por necessidade de alargar a rede de alfas e pendulares a outras cidades que não apenas Lisboa e Porto. A falta de pessoal especializado e que demora a formar, já é conhecida há muito tempo. E finalmente, a piada do ar condicionado, que é de origem, não falhou agora.

Por tudo isto, é legítimo pensar, que nos dias mais próximos se montou um circo para denegrir a CP como empresa pública. E para reforçar esta ideia surge a notícia do início da operação privada na linha de Corunha ao Porto, por uma empresa que foi inglesa mas comprada recentemente pela alemã   Deutshe Bahn. Não esquecendo que são os alemães que mandam na europa, convém ligar esta informação a outra.  A normativa europeia que obriga a liberalizar o sector feroviário já em 2020. E já agora dizer que os pendulares, os tais que estão equipados com o ar condicionado que não presta são da Fiat. E muito provavelmente a alemanha (siemens alstom) estará interesada em vender os seus produtos.

Se aparecer o anúncio da venda da CP, ou só da linha do norte,  que sem dúvida é a mais rentável, não nos vamos espantar. Já suspeitamos  que é orquestrado,  o que se vem dizendo de mal da CP. 

 

Há uma enorme voracidade do sector privado pelo sector público com potencial de lucro. 

 

Nota explicativa: Estado é a sociedade aberta em que os sócios são todos os cidadãos contribuintes com um valor de quota correspondente ao seu IRS.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 12:14
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