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Segunda-feira, 11 de Maio de 2020

A Pressão da praia.

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Como nas outras situações, tais como uso de equipamentos de protecção, utilização de espaços públicos, restaurantes, entre outros, a Direcção Geral de Saúde terá de emitir normas orientadoras do melhor uso da praia em período balnear.
A Norma, terá de ser da Direcção Geral de Saúde, que tem conhecimento científico para o fazer, não de qualquer outra voz interessada ou de um qualquer autarca a pensar com os pés na areia como já se ouviu.
São já vários meses em contexto de pandemia, várias semanas em confinamento e em diversas restrições à vida social. A maior capacitação do Serviço Nacional de Saúde, o abrandamento na progressão da infecção e especialmente o bom tempo e cansaço de estar confinado são um enorme factor de pressão para o uso tradicional da praia.
Mas como a pandemia não terminou, os comportamentos em praia deverão ter essa realidade presente e condicionadora. É natural e necessário reflectir em que condições o uso da praia não prejudicará o esforço de contenção da pandemia.
Desde logo é necessário ter em conta que a grande apetência pela praia decorre da vantagem para o exercício físico e também para o bem estar psicológico.
É importante conhecer os riscos que a praia possa comportar, nomeadamente os riscos de aglomeração. Não parece sensato querer concentrar todos os veraneantes nas praias concessionadas. Conhecemos a realidade e sabemos que a maior parte das pessoas nem se posiciona nesse tipo de praia. Desde logo por serem poucas, pequenas e estarem lotadas. A maioria está fora delas.
Sendo que a recomendação é a de afastamento e que o comportamento dos cidadãos tem dado na sua esmagadora maioria prova de responsabilidade nesse cumprimento, também aqui no uso da praia o princípio deve ser esse. E isso implica que os veraneantes utilizem as praias com menos aglomeração, o mais afastados possível, o que terá necessariamente de comportar a maioria da paria que não é concessionada.
O que se deve pedir é que não se abrande o afastamento social, que não se façam grupos e que mesmo nos membros da família haja cuidados devidos. Deve continuar a pedir-se responsabilidade social e defesa da saúde de todos.
Sendo que parece ser consensual o poder caminhar na praia, e o praticar desporto, não se entende a proibição de apanhar sol numa toalha com afastamento social. Há mais contacto no jogo de bola do que estar numa toalha. Gostaria de ver a explicação científica para o maior risco de apanhar sol numa toalha de praia. Se a razão for apenas a de acautelar a tendência para a permanência, e se querer pela mobilidade reduzir a permanência, então terão de proibir as zonas de permanência fixa nas praias concessionadas. Será bom que a regra seja clara e cientificamente alicerçada.
Ainda não há directiva da Direcção Geral de Saúde, e já pelo menos um autarca em bicos de pés anunciou a atitude autoritária e repressiva de colocar grades e drones a vigiar. É um indivíduo já conhecido por tendências securitárias e de contornos fora da lei com intervenção tida já noutra ocasião.
Seria mau se esta questão menor, viesse estragar a paz social existente num período tão difícil e que demonstrou enorme maturidade cívica.
 
António Borges Regedor
publicado por antonio.regedor às 19:12
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2020

Bicicleta no combate ao Covid-19

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A presença do vírus SARS-CoV-2 e da doença Covid- 19 obrigou-nos a um período de confinamento e colocou-nos a necessidade de cuidados no relacionamento social. Os cuidados de afastamento deverão manter-se até pelo menos encontrar-se uma vacina que geralmente dura cerca de ano e meio até se tornar aplicável. Até lá temos de manter o afastamento social enquanto haverá necessidade de retomar a actividade económica, o trabalho, e as deslocações inerentes a essas actividades. Os transportes públicos são um risco acrescido e que deverá tanto quanto possível ser evitado. Deve reduzir-se a pressão sobre os transportes públicos. Não é pensável transferir as necessidade de transporte para o veículo privado e muito menos de um só passageiro. O momento é o ideal para mudar o paradigma de mobilidade e optar fortemente por um meio de transporte individual, de mobilidade suave, que não congestiona o trânsito, que se estaciona facilmente e ainda promove a saúde e forma física do cidadão. É obviamente a bicicleta.

A bicicleta já vinha a ser promovida como o transporte do futuro. As cidades tinham iniciado a sua adequação a este modo de transporte seguro, limpo e saudável. É agora, em contexto Covid-19, a oportunidade de reforçar as condições urbanas e interurbanas de promoção desta mobilidade com todas as vantagens que se lhe reconhece.

Nos países nórdicos são de há muito tempo, desde o primeiro choque petrolífero, as medidas de promoção da bicicleta. Com a realidade Covid-19 também países como a Espanha, França e Itália se adaptam.

O mesmo deve acontecer em Portugal com as vantagens económicas, de saúde e de sustentabilidade e planeamento urbano.

A MUBI- associação pela mobilidade urbana em bicicleta, afirma que “ A utilização da bicicleta durante a pandemia permite manter o distanciamento para evitar o risco de contágio e contribui para reduzir a poluição do ar, factor associado a taxas mais elevadas de mortalidade por COVID-19. Ajuda, ainda, a descongestionar os transportes públicos, deixando-os mais livres para quem efectivamente precisa deles. A utilização da bicicleta e o caminhar proporcionam actividade física, contribuem para o reforço do sistema imunitário e reduzem os risco de várias doenças, como diabetes e obesidade. A OMS recomenda, sempre que possível, o seu uso nas deslocações necessárias durante a pandemia.”

Entre outras medidas poderão e deverão ser criados aquilo que a MUBI designa de corredores de saúde. Ou seja, facho de algumas ruas ao trânsito motorizado ou supressão de vias de trânsito a favor da criação de ciclovias ou alargamento de passeios para maior distanciamento físico. Redução do limite de velocidade em algumas zonas do meio urbano para 30 km/h.

A superação desta dificuldade social, por via da resolução da pandemia, deve constituir oportunidade para mudar de mobilidade para a promoção da bicicleta, da saúde , do ambiente e das cidades mais sustentáveis, humanas e agradáveis.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 08:04
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Terça-feira, 28 de Abril de 2020

Golfe e Covic-19

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Baixo risco de contágio por Covid -19 no Golfe
O Golfe tem poda a potencialidade de vir a ser uma prática desportiva, lúdica e social a voltar à normalidade com maior redução de riscos e com maior possibilidade de recuperação física e psicológica dos cidadãos.
Isto principalmente por duas razões: Ser praticado em espaço aberto e não ter contacto físico entre os participantes. Naturalmente poderá ter ainda mais segurança com algumas alterações na prática do jogo.
É necessário voltar à pratica do exercício físico como condição de manutenção da saúde e bem estar dos cidadãos. O Golfe tem essa vantagem. É praticado em espaços não poluídos, esteticamente agradáveis, onde o esforço é doseado de acordo coma condição física e melhora com a rotina. Permite o distanciamento social, podendo reduzir-se as formações a apenas dois elementos. Do ponto de vista da saúde mental, o sentimento de liberdade, o campo, os elementos da natureza, a paisagem, o desafio próprio da característica técnica do jogo são elementos importantes ao bem estar psicológico da pessoa.
O golfe é por essência uma pratica desportiva e de lazer de característica singular por não implicar o contacto físico.
O golfista podendo jogar acompanhado, não joga contra o seu parceiro de partida. Joga essencialmente para melhorar o seu desempenho e baixar o seu handicap de jogo em relação à exigência da dificuldade do campo. Ou seja, em cada jogo o golfista quer melhorar o seu jogo e fica satisfeito que os seus companheiros melhorem igualmente os seus respectivos desempenhos. Por isso desejam no início “bom jogo” também aos seus adversários.
No golfe não não se cria obstáculo ao  adversário, não há drible. O golfe é desempenho individual, cooperação e cordialidade.
No golfe ambos os jogadores cumprem as regras e registam as suas pancadas e pontos não necessitando de outros como árbitros. É um jogo de honestidade e clareza de procedimentos.
Cada jogador joga com a sua bola, os seus ferros e os seus aparelhos de colocar a bola, reparar greens. Não há partilha de materiais de jogo. Por isso oferece mais segurança.
Poderão e deverão, no entanto, ser ainda reforçados os procedimentos de segurança quanto a eventual contaminação derivada ao vírus covid-19.
- Redução dos contactos administrativos de pagamentos de gren fee idênticos ao de take away.
- Inibição de partilha de equipamento como buggies, trolleys, ferros e bolas.
- Treino em zonas de jogo apenas com material próprio ( zona de putting gren, e zona de treino de pitching e de bunker)
- Treino de Driving Range limitado à capacidade de lavagem e desinfecção das bolas.
- Inibição de Utilização dos Serviços comuns. Salas de sócios, reuniões, ginásios, balneários piscinas. Refeições só take away.
O Jogo deverá ser individual ou no máximo de duas pessoas por formação
As cortesias devem limitar-se a um cumprimento à distância com um descobrir a cabeça ou cordial vénia.
A manutenção da distância deve corresponder  ao afastamento necessário ao movimento das pancadas com segurança, o que no golfe corresponde a cerca de 4 ou 5 metros.
Nas bolas procuradas a recuperação só deverá ser feita pelo jogador da respectiva bola.
Em todos os buracos haverá dispositivos para lavagem ou desinfecção das mãos como já acontece para as bolas.
No green não haverá bandeira
O buraco deve ser elevado com uma esponja para o copo não ser tocado.
A areia dos bunkers deixa de ser reposta com ancinho, limitando-se ao alisamento com o pé.
É permitido outros meios de protecção, como uma segunda luva ou máscara.
Este conjunto de medidas para além daquela que a etiqueta do golfe já contempla permitirá jogar golfe com mais confiança e poder com este desporto cuidar da sua saúde física e psíquica.
António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 15:36
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Segunda-feira, 27 de Abril de 2020

Covid, Impostos, Paraísos Fiscais e Dividendos

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Não a ajudas às empresas que pagam os impostos no estrangeiro. (os tais do PSI-20), os que estão sediados em paraísos fiscais (os offshore) ou os que distribuem dividendos ( ganhos egoístas e anti-sociais)

Uma sociedade não é uma selva onde cada um se safa por si.

A humanidade construiu sociedades para se defender da selva.

A sociedade é um contrato entre humanos que firmam entre si padrões de liberdade (até onde cada um pode agir sem anular a liberdade do outro), igualdade (o direito aplica-se a todos por igual, independentemente da origem social, da riqueza ou instrução) , justiça (os conflitos de interesses são redimidos no sentido do equilíbrio dos prejuízos causados) , solidariedade (impede a ruptura social por incapacidade de qualquer uma das partes) e previdência ( prevê adversidades futuras ) e fraternidade (pressupõe paz, harmonia, cooperação, desenvolvimento pessoal e social).

É nestes princípios que se fundamentam as democracias sociais, humanas, morais e éticas.

Pelo contrato social, democrático, todos estão obrigados a contribuir (imposto) para um orçamento conjunto que atenda ás necessidades colectivas (defesa e segurança, saúde e previdência, instrução e cultura, trabalho e justiça).

Quem se escusa aos impostos, as empresas portuguesas que pagam os impostos no estrangeiros excluem-se do contrato social, excluem-se da comunidade, excluem-se da solidariedade. Esses não podem vir agora pedir ajudas, apoios, reduções, compensações. Se os querem, terão de os pedir aos países onde pagaram os impostos.

Quem tem alimentado os paraísos fiscais e com isso fugido aos impostos em Portugal, agora está na hora de os utilizar. Para esses e essas empresas sediadas em paraísos fiscais não poderá, em nome da coesão social, haver qualquer apoio.

Quem em tempo de dificuldade colectiva por imponderáveis da natureza, em que mais se justifica a solidariedade, e se aproveita dos ganhos para interesse egoísta e os divide por poucos em vez de corresponder à responsabilidade social para com a comunidade que lhes proporcionou os lucros, esses, não podem em nome da justiça vir reclamar apoios. Já os têm e da forma mais egoísta e anti-social.

As empresas na sua actividade que visa o lucro, repercutem nos preços o retorno do investimento, o custo do produto e o risco dos imponderáveis. Por isso fazem as amortizações, os pagamentos e as reservas de capital para assegurar imponderáveis. E quando se coloca a dúvida sobre tempos futuros e o dilema é fazer reservas para fortalecer a empresa ou distribuir dividendos debilitando a sua capacidade de resposta, a solução é a a da constituição de reservas, os accionistas agradecem continuar a ter empresa e não matar a galinha. Pois se não o fazem, deviam fazer. Em tempos de crise como a que vivemos, não é tempo de distribuir lucros. É tempo de acautelar a saúde também da empresa. Quem distribui lucros , não pode ao mesmo tempo vir dizer que está em dificuldades. Não pode ter apoio.

É nestes momentos que se vê se a governação defende a Nação, o Estado Social, ou se cede ao mais vil egoísmo.

Se a governação é capaz de resistir ás pressões e aos lobbies.

Se a governação está à altura do Estado Social.

Quem tem sede em offshore, quem paga impostos a estados estrangeiros, quem distribui dividendos, não pode agora vir pedir ajuda dos impostos dos cidadãos.

Não pode ser de outra forma sob risco de destruição social.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 19:53
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Quinta-feira, 26 de Março de 2020

A inutilidade dos testes massivos para o covid-19

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A inutilidade dos testes massivos

São muitos os comentários favoráveis à execução de testes massivos de covid-19. Compreende-se a pretensão. Há um certo cansaço do confinamento em casa. Uma enorme incerteza por quanto tempo durará esta provação. Nalguns casos será mesmo manifestação de depressão por limitação da liberdade. No entanto, a sensação de segurança dada pelos testes são uma ilusão.

Os testes referem-se a um momento estático. O teste só prova que no momento em que é feito a pessoa pode não apresentar indicadores de doença. Mas nada diz do momento seguinte. Pode no limite sair-se de um local onde se tenha feito o teste e logo a seguir ser contaminado. E o que fazer se logo a seguir ao teste houvesse um espirro, ou outra qualquer forma de transmissão? Fariam novo teste? Isso seria um absurdo, inutilidade e desperdício. Impossível viver nessa situação angustiante. Logo desaconselhável.

Se a pessoa não apresenta qualquer sintoma ou outro indicador, não faz sentido fazer o teste sistemático. O necessário é cada um fazer a sua auto-defesa. Ter afastamento social de 2 metros e cuidados de higiene. Um teste negativo pode ser um risco de excesso de confiança. Dar uma falsa sensação de segurança, o que seria ainda pior.

Os testes sistemáticos podem justificar-se em grupos de risco específico (saúde, defesa, segurança ou protecção civil) não de forma generalizada e sem critério.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 10:40
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Quarta-feira, 25 de Março de 2020

COVID-19 Três linhas de defesa.

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Vivemos tempos para os quais não estávamos preparados.

Uma pandemia provocada pelo designado vírus SARS-CoV-2 (COVID-19).

É um agente biológico novo, desconhecido, não se sabendo ainda como se comporta, sabendo já que traiçoeiramente ataca ainda sem manifestar sintomas, e para o qual não existe ainda a arma da vacina.

O combate a este agente biológico só é eficaz se for travado por todo o corpo social. Não é algo que se resolva apenas com medidas hospitalares. Esta luta terá de se constituir em três linhas de defesa.

A primeira linha é a da defesa pessoal. É necessário que cada um fique no seu abrigo. A sua casa onde está mais protegido. Isolamento não significa transpor para sua casa o convívio do café ou do grupo de amigos. É no contacto entre as pessoas que a transmissão se faz. E quantas mais pior. Na sua casa ter comportamentos de defesa pessoal. Lavar frequentemente as mãos. Usar roupa diferente de sair e de estar em casa. Depois de cada saída colocar a roupa da rua para lavar e tomar banho. Este é um procedimento de defesa pessoal.  Esta primeira linha da defesa pessoal é também assegurada pelas instituições sociais que cuidam e protegem os cidadãos mais vulneráveis. Os que estão mais debilitados pela doença e os que são cuidados e lares e residências para idosos,  e que  constituem  os cidadãos  de maior risco.

 

A segunda linha é a da defesa no espaço público e do tecido social. A defesa do território. A desinfecção dos espaços públicos tais como ecopontos; ruas pedonais; ou locais de concentração junto de serviços essenciais onde as pessoas ocorrem necessariamente, sejam supermercados, farmácias, bancos, comércios e zonas industriais em funcionamento. Essa linha de defesa que deve ser feita pelas autoridades locais, não pode ser negligenciada.  Ela é fundamental para diminuir os riscos de propagação da doença para quem tem de se deslocar aos serviços essenciais.  A acção das autarquias locais tem de ser o socorro das instituições que protegem colectivamente cidadãos mais vulneráveis. Quando essa barreira de solidariedade colapsa a rectaguarda deve ser apoiada pelas autoridades locais, não deixando avolumar os danos.  

 

A terceira linha é a última barreira de combate à doença, a que deve ser mais preservada por ser o último reduto de defesa perante a perigo de sucumbir. Aumentar a linha de defesa médica, implica aumentar as duas primeiras linhas de combate. Só assim asseguraremos que no caso de sucumbirmos ao ataque do covid-19 teremos um apoio médico disponível, garantido e preparado para nos socorrer.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 16:36
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Terça-feira, 24 de Março de 2020

Geração de medos

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Nasci num tempo em que o maior medo de contágio era a tuberculose. A doença tinha muito por onde progredir nos meios tocados pela fome e que viviam nas ilhas insalubres sem luz eléctrica, sem água canalizada, sem quartos de banho e com uma latrina partilhada. Assim vivia nos anos cinquenta a maioria da população portuguesa. Os tuberculosos, e eram tantos, que justificavam a existência de locais só para os atender. Eram isolados em sanatórios localizados em locais ermos no cimo das montanhas ou alguns à beira-mar. Aos segregados em casa eram-lhes separadas as roupas, talheres e louça. Para a matrícula na escola ou para ter emprego era necessária uma prova em como não estava tuberculoso. Apresentei micro-radiografias em todos os anos por altura das matrículas na escola.

O outro grande medo era o de ser espiado, escutado pela PIDE, a polícia política. Tal como agora evitavam-se os ajuntamentos. Medo de sermos ouvidos a dizer alguma coisa que fosse inconveniente, vistos com alguém que desagradava ao regime. Perseguidos pelo medo agia-se de forma conveniente, respondia-se como se esperava. O medo tolhia.

Nos anos sessenta surgiu um novo medo. O da guerra colonial. O regime viu nas suas províncias ultramarinas tornarem-se palcos de guerra. Encenadores ditatoriais fizeram dos portugueses actores em teatros de operações militares. O medo instalou-se com a perspectiva de ter de ir fazer guerra na Índia, Timor, Moçambique, Angola e Guiné, ou reforçar militarmente , Macau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Madeira e Açores.

A contaminação da guerra colonial foi tão grande que a cura começou com um levantamento falhado do Regimento de infantaria nº 5 sediado nas Caldas da Rainha. Fui encontrar estes militares em Junho de 1974 no RI5 das Caldas, onde me deram instrução militar, depois de terem sido libertados pelo 25 Abril de 74. O Golpe militar que acabou com os medos e encorajou à maior revolução económica e social na história de Portugal.

O crescimento económico e desenvolvimento social, cultural, científico foi travado por uma crise de sub-prime que rebentou nos estado unidos da américa e se espalhou fortemente na Europa apanhando Portugal como um dos elos mais fracos. A maior crise económica de que tenho memória na minha vida. Nova crise, novos medos. Estes no que disseram respeito aos rendimentos, à continuidade de qualidade de vida, à insegurança na saúde e velhice. O medo dos jovens não vislumbrarem horizonte de vida, dos adultos a meio da idade verem cair repentinamente o fim do emprego e da esperança de o voltar a ver, o medo dos mais idosos saberem em que condições se abreviaria a sua vida.

Ainda não saídos totalmente da última crise de vida, de emprego, de futuro, eis que mergulhamos noutro medo. O medo da nossa saúde abalar irremediavelmente pela acção de um vírus desconhecido, de rápida progressão epidemiológica, de maior agressividade  para com as gerações mais idosas, agravando patologias já existentes, e que faz dos mais resistentes transmissores invisíveis, assintomáticos e involuntários. O medo da contaminação, o medo da transmissão, o medo de não conseguir resistir ao tratamento das doenças associadas, já que para o vírus não há tratamento nem vacina. O medo de a vacina não estar pronta a tempo das novas vagas. O medo do surto de contaminação ser tão grande que não seja comportado pela capacidade instalada do Serviço Nacional de Saúde. O medo dos recursos médicos serem abalados de tal modo que não possam tratar de si nem dos outros. O medo dos comportamentos irracionais que não ajudem à contenção da doença. O medo até de ter medo que as coisas piorem. O medo das repercussões económicas e financeiras futuras.

Mas tal como na guerra o medo é necessário para nos proteger. Esta consciência do medo também nos deve ajudar a proteger.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 18:44
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