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Segunda-feira, 9 de Abril de 2018

Biblioteca Évora

BÉvora interior.jpg

 

 

No passado dia 25 de Março, a Biblioteca Pública de Évora fez 213 anos. A sua origem relaciona-se com a morte, em 1800, de Frei Joaquim Xavier Botelho de Lima que deixou no Paço Metropolitano um vasto e valioso núcleo de livros encadernados. É nomeado para Arcebispo de Évora D. Frei Manuel do Cenáculo. Foi com essas obras que estabeleceu o fundo original da futura biblioteca.

A crescente influência das correntes culturais do Iluminismo no nosso país e os progressos no comércio, indústria e, principalmente, do ensino que marcam este período do século XVIII tardio, contribuem para a paulatina mudança de mentalidades. Datam igualmente do século XVIII importantes e decisivas iniciativas no âmbito científico e educativo, de entre as quais destacamos, nomeadamente: a fundação da Real Academia de História (1720), a fundação do Real Colégio dos Nobres (1761), a instituição da já referida Real Mesa Censória (1768), a formação da Imprensa Régia (1772), a reforma da universidade e a promulgação dos estatutos (1772), a lei relativa à organização do ensino primário (1772) e, finalmente, a fundação da Academia Real das Ciências (1779).

É ainda neste período do ministério do Marquês de Pombal que se lançam as bases de uma profunda e radical mudança em todos os níveis de ensino. (1)

Segundo (Vaz, 2006) “A biblioteca como espaço público, ou seja, como local frequentado por categorias sociais diversas e incluindo os grupos populares, é uma invenção do século das Luzes. A abertura de bibliotecas ao público, bem como a sua multiplicação, integra-se no contexto cultural de finais do século XVIII...” (2)

Em 1802 D. Frei Manuel do Cenáculo foi nomeado arcebispo de Évora. Logo no ano seguinte iniciou a adaptação para biblioteca, do Pavilhão do lado Oeste do Paço Episcopal. As obras duraram cerca de dois anos e quando terminaram, a 25 de Março de 1805, Cenáculo quis por sua mão iniciar a instalação da biblioteca. Ainda numa concepção de biblioteca privada. E de ideia e obra muito própria, escreveu no seu diário: “ Fui pôr o primeiro livro nas estantes da minha livraria; foi o primeiro tomo da Polyglota de Ximenes; fui com o vigário geral, capellães e pessoas da família. Mandei abrir um caixote e o primeiro livro que deparei foi a 'Évora Glorioza', o que me pareceu coisa de reflectir". (3)

Os Estatutos foram publicados em 21 de Setembro de 1811, e foram asseguradas a favor da biblioteca, as rendas provenientes da Mitra e da Fábrica da Sé.

Cenáculo tinha ainda uma concepção de Biblioteca –Museu e dessa forma foram constituídas as colecções da Biblioteca, como se pode verificar por um relatório de

1845 em que constavam : "25.000 volumes singelos, 5.000 volumes dobrados, 1800 códices manuscritos, 6.000 e tantas medalhas; 300 e tantos painéis, um pequeno museu de productos naturais; outro de raridades, monumentos da antiguidade, lapidas, inscrições, etc."

Passou ainda pela vicissitude de ter sido saqueada aquando da Guerra Peninsular, ter sofrido um forte revés dado pelo Miguelista D. Frei Fortunato de São Boaventura.

Permitiu a vitória liberal que fosse enriquecida com incorporação de fundos de conventos extintos e ao longo do tempo fosse igualmente beneficiando de doacões e aquisições.

A República, em 1916, anexa à Biblioteca o Arquivo Distrital, situação que se manteve até ao Decreto –Lei nº 60 de 1997.

Entretanto o Estado Novo garante-lhe o acesso a toda a bibliografia produzida no país, a parir de 1931, através do expediente do Depósito Legal. Dez anos depois inaugura a hemeroteca.

A Biblioteca de Évora é ainda um caso particular no sistema nacional de bibliotecas públicas, porque pelo Decreto-Lei 92/2007 de 29 de Março passou a integrar a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, e desde 2012 integra a Biblioteca Nacional de Portugal.

Bibliografia

(1) Regedor, António B. - Bibliotecas, Informação, Cidadania. Políticas Bibliotecárias em Portugal. Séculos XIX-XX. Porto: Universidade Fernando Pessoa. 2014. http://hdl.handle.net/10284/4291 p.45

(2) Vaz, Francisco António Lourenço (2006) – “A Fundação da Biblioteca Pública de Évora”, in: Vaz, Francisco A. Lourenço e Calixto, José António, Frei Manuel do Cenáculo, Construtor de Bibliotecas, Casal de Cambra: Caleidoscópio, p. 57

(3) Biblioteca pública de Évora . Wikipedia https://pt.wikipedia.org/wiki/Biblioteca_P%C3%BAblica_de_%C3%89vora consultado em 7Abril 2018

 

NOTA SOBRE A FOTOGRAFIA 

Com esta foto do depósito pretendo mostrar que uma biblioteca não é apens estantes, mesas e cadeiras. 

É um infinito de trabalho, informação, potencialidade. 

 

 

António Regedor

publicado por antonio.regedor às 12:41
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Segunda-feira, 26 de Março de 2018

Grávida?

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O que sabemos de bibliotecas públicas, é resultado do uso que lhes damos.  Isto fica claro numa graça publicada no blog  blog: I work at a public library de July 29, 2015 que aqui reproduzo, e que tem imensa piada.

Occurrence, Rare

A fourth grade boy approached me at the reference desk. I was 36 weeks pregnant at the time.

Boy: “Are you pregnant?”

Me: “Yep.”

Boy: “Well, that’s something you don’t see every day. A librarian getting pregnant.”

 

http://iworkatapubliclibrary.com/tagged/611-Human-Anatomy

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 16:01
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Quarta-feira, 14 de Março de 2018

Bibliotecas com mudança

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Há poucos dias fui à biblioteca em Espinho consultar um jornal local. Agradavelmente vi uma roda de senhoras na sala polivalente a fazer “knitting”.

São as bibliotecas públicas a experimentarem novas actividades. A serem mais públicas no sentido de desenvolverem mais serviços públicos, a servirem mais públicos.

E muito mais mudarão as bibliotecas públicas, agora que uma parte do seu tradicional público escolarizado tem nas respectivas escolas melhores serviços de biblioteca.

 

António Regedor

publicado por antonio.regedor às 14:39
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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2018

Rede Nacional de Biblioteca Públicas

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No que diz respeito às políticas bibliotecárias, a alteração de regime político, em  Abril de 1974, não se fez sentir antes do ano de 1987, com o Decreto-lei 111/87 de 11 de Março.

Os antecedentes que conduzem à produção da política bibliotecária em Portugal pós revolução democrática de 25 de Abril foram: O clássico e tradicional Curso de Bibliotecário-Arquivista (1887), que vinha formando os técnicos desta área foi sucessivamente reformado, dando lugar em 1935 ao Curso de Bibliotecário-Arquivista sendo, finalmente, substituído pelo Curso de Especialização em Ciências Documentais (CECD), com a criação da pós-graduação na área nas Faculdades de Letras das Universidades de Lisboa e de Coimbra, em 1983, e na Universidade do Porto, em 1985.

A constituição da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (APBAD) aconteceu em 1973, depois de cerca de um ano de preparação.

Entre 31 de Janeiro e 4 de Fevereiro de 1983, o Instituto Português do Livro (IPL) realizou em Lisboa, com a colaboração da APBAD, sessões de um seminário que contou com a presença de Jean Tabet, reputado bibliotecário francês. O seminário teve a faculdade de promover a sensibilização da opinião pública e advertir o governo e as autarquias para a inexistência de uma verdadeira prática de leitura pública no país. Deste seminário saiu o conhecido manifesto intitulado “A Leitura Pública em Portugal - Manifesto”, da responsabilidade de Cabral, Nunes e Portilheiro (1983).

O 1.º Congresso da APBAD em 1985 e a resolução da Secretária de Estado da Cultura  espelha-se no Despacho 23/86 de 11 de Março, que considera “desejável que, progressivamente todo o País venha a ser dotado de uma rede de bibliotecas públicas, funcionando em moldes adequados às exigências do mundo actual”. Com a publicação do Decreto-Lei 111/87 de 11 de Março, as bibliotecas são concebidas para servir o público em geral, respondendo às necessidades de informação, autoformação e ocupação dos tempos livres. A política de leitura pública insere-se, deste modo, no desígnio de desenvolvimento cultural, assentando numa rede de bibliotecas municipais que deve cobrir todo o país. Para a concretização desta política, uma vez mais na história da criação da rede de bibliotecas, o Estado atribui às autarquias a responsabilidade de instituir as bibliotecas e garantir o seu funcionamento. A administração central reserva-se à cooperação técnicofinanceira.

Para a execução deste objectivo de política de leitura pública, através da Rede de Bibliotecas Municipais, o modelo é o do estabelecimento de contratos-programa entre a administração central e as autarquias.

Constata-se que a opção adoptada para a constituição das bibliotecas de leitura pública em Portugal é decalcada do modelo francês, mas de menor dimensão nos vários parâmetros.

Passados 20 anos do início da Rede Nacional de Biblioteca Públicas (RNBP), Oleiro e Heitor (2010) começam por salientar o subdimensionamento das bibliotecas. Quanto às colecções, as autoras referem vários aspectos de incumprimento do programa, sendo que 60% das bibliotecas foram abertas sem atingirem os valores mínimos de acervo documental recomendado pelo programa de leitura pública.

Outra nota negativa apontada por Oleiro e Heitor (2010) é o incumprimento do recomendado pelo programa da rede para os recursos humanos. Constata-se que nos três tipos de bibliotecas, o número de trabalhadores é inferior ao recomendado. No caso dos bibliotecários, com a categoria de técnicos superiores de biblioteca e documentação, só 73% das Bibliotecas Municipais de tipo 1 (BM1) cumprem o programa.  Perante estas evidências, Oleiro e Heitor  (2010) são levadas a concluir que, completados 20 anos do Programa de Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, estas, na sua generalidade, não cumprem os parâmetros mínimos recomendados pela Direcção Geral da Leitura e das Bibliotecas (DGLB) para os recursos de informação, humanos e tecnológicos. Existem grandes disparidades em bibliotecas do mesmo tipo, quanto à dimensão dos recursos e ao número de empréstimos domiciliários. As bibliotecas mais pequenas são as que evidenciam as maiores dificuldades no cumprimento do programa. 

 

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 16:55
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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018

Bibliotecas da Rede Gulbenkian

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A rede de bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian é criada a 4 de Setembro de 1956, fazendo parte do serviço de educação, de acordo com a vontade testamentária do seu fundador, Calouste Sarkis Gulbenkian.

A rede privada de bibliotecas de leitura pública assenta numa concepção que se afasta claramente do paradigma continental e tradicional de bibliotecas, criadas por legislação que endossa às autarquias os custos do seu funcionamento. O modelo Gulbenkian está efectivamente mais próximo do conceito anglo-saxónico de ‘free library’. Estamos em presença de um modelo que conta com a colaboração de um mecenas, em que a ideia de ‘livro’ corresponde a um instrumento de educação e alfabetização indispensável ao desenvolvimento

social, cultural e económico do país. Do mesmo modo, o modelo de bibliotecas móveis Gulbenkian desenvolve-se, tendo por base princípios organizativos diferentes e inéditos do serviço de biblioteca, se comparados com o modelo em vigor, mormente o empréstimo domiciliário e o livre acesso às estantes.

O rápido incremento das unidades móveis permitiu aos coordenadores do Programa da Rede de Bibliotecas da FCG constatar a rápida adesão do público leitor ao serviço criado, daí que em 1961 tenha começado a “verificar-se que não bastava a existência de tais unidades móveis e que seria igualmente necessário o estabelecimento de unidades fixas” (Gulbenkian, 1994, p.9).

A dimensão do impacto da iniciativa de promoção da leitura e do livro conduzida pela Fundação Calouste Gulbenkian, entre os finais dos anos 50 e os inícios dos anos 90 do século XX, com a instalação das bibliotecas itinerantes e fixas, pode avaliar-se pelo número de instituições itinerantes e fixas. O número máximo das primeiras foi de sessenta e duas unidades (Gulbenkian, 1994, p. 9) e o número máximo de unidades fixas foi de cerca de duzentas. Em 1993, data em que o serviço passa a designar-se “Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura”, são referidas 3.206 localidades servidas. Na década de 80 do mesmo século, foram

adquiridos para as bibliotecas itinerantes e fixas 2.397.094 exemplares de livros; foram atendidos 1.755.943 leitores anualmente; e objecto de empréstimo, em 10 anos, 52.511.988 livros. O serviço da rede da Fundação Calouste Gulbenkian atingiu um montante de 6.265.377.531$00 na década de 1980 (Gulbenkian, 1994, p. 54). A rede foi extinta em 2002 em consequência de fortes constrangimentos orçamentais da FCG. O principal traço caracterizador desta rede reside no facto de se tratar de um sistema centralizado. Aspectos que são relativos à política de constituição, tratamento técnico, gestão e difusão da colecção bibliográfica da rede de bibliotecas. Os pontos fortes do modelo de rede de bibliotecas Gulbenkian eram a política de selecção e aquisição que dependia inteiramente da Fundação Calouste Gulbenkian. As aquisições de novas espécies eram feitas directamente às editoras, depois de ter sido efectuada a selecção dos títulos a adquirir pela Comissão Consultiva de Apreciação de Livros, constituída

exclusivamente por “elementos alheios aos quadros da Fundação Calouste Gulbenkian (escritores e críticos de competência reconhecida)”. (Fundação Calouste Gulbenkian/Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura, 1994, p. 19).

O catálogo do acervo bibliográfico das bibliotecas Gulbenkian era, de igual modo, efectuado centralmente e posteriormente disseminado por todas as bibliotecas da rede.

As aquisições tinham um tratamento documental centralizado, conforme referimos, antecipando o envio dos exemplares para as Bibliotecas Itinerantes e Fixas disseminadas pelo território continental e ilhas. Na sede do serviço–Fundação Calouste Gulbenkian–havia ainda uma Biblioteca Central de Empréstimo, composta por bibliografia mais especializada, destinada

também a empréstimo feito por correio.

O modelo de centralização das várias tarefas técnicas do serviço de bibliotecas Gulbenkian comporta várias vantagens. A primeira das quais é a redução dos preços, quando feita a aquisição directamente às editoras, diminuindo desde logo o custo adicional promovido pela cadeia de comercialização do livro, incluindo a distribuição. Na centralização do tratamento documental há também inúmeras vantagens. A catalogação e a classificação são feitas por título e não por exemplar, conferindo uniformidade e normalização a estas operações técnicas.

De uma única operação de tratamento documental, são catalogados e indexados todos os exemplares enviados para as Bibliotecas Itinerantes e Fixas. Deste modo, é possível reduzir custos em recursos humanos qualificados e colocar os funcionários das bibliotecas a desenvolver outras actividades, no âmbito da missão da biblioteca.

De igual modo se verifica uma uniformização nos procedimentos e orientações de funcionamento.

Podemos identificar como pontos fracos o que respeita, nomeadamente, aos colaboradores. A Fundação Calouste Gulbenkian não colocava qualquer exigência específica de qualificação profissional do bibliotecário. Inicialmente, a FCG, nas parcerias que estabelecia para a instalação de bibliotecas, colocava a um nível muito elementar as exigências dos então designados “encarregados de biblioteca”. Somente a partir dos anos 80 do mesmo século era exigida aos “encarregados das bibliotecas” das unidades fixas o 11.º ano de escolaridade, ou o curso de técnico-auxiliar de BAD (Biblioteca, Arquivo e Documentação). Como demonstrativo desta opção, a Fundação designava de “encarregado de biblioteca” os responsáveis pelo funcionamento das unidades. A designação de “director da biblioteca” pela Gulbenkian surge muito tardiamente, tanto mais que coincidiu com o lançamento do Programa de Avaliação de

Bibliotecas (PAB), no ano 2000 (Borges, 2002, pp. 5 e 21-23).

Para a Fundação Calouste Gulbenkian a prioridade estava no empréstimo do livro e não nas condições físicas das bibliotecas. O menosprezo pelas condições de instalação das bibliotecas está patente na brochura publicada pelo serviço de bibliotecas da fundação, em 1994, quando refere: “coisa que em verdade não se faz com fachadas mais ou menos catitas, ou até mais ou

menos formosas” (Fundação Calouste Gulbenkian/Serviço de Bibliotecas, 1994, p. 31). Em 1994, a rede de bibliotecas Gulbenkian, em confronto com as bibliotecas construídas ao abrigo da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (desde 1987), criadas sob uma nova concepção de

espaço e de serviços, justificava a sua opção de rede, afirmando que o serviço se orgulhava do “carácter popular das suas bibliotecas, da assumida modéstia de muitas das respectivas instalações, da franca simplicidade da maioria dos funcionários” (Fundação Calouste Gulbenkian/Serviço de Bibliotecas 1994, p. 31).

O PAB surge no ano 2000 e resulta, como já adiantamos, da necessidade e oportunidade do Serviço de Biblioteca e Apoio à Leitura (SBAL) desenvolver um programa que, aplicado num pequeno grupo de bibliotecas, pudesse ser exemplar para a requalificação da própria rede.

Pretendia-se a implementação de um programa inovador e de referência para todas as outras bibliotecas.

 

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 13:53
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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018

Três possíveis razões para o fracasso da intenção repúblicana de criar bibliotecas públicas

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É possível assinalar três razões principais que contribuíram para a ausência de concretização das intenções republicanas de criação de uma rede de bibliotecas no país: a questão cultural de que a maior expressão é o analfabetismo, a questão ideológica e o modelo económico definido para a criação de bibliotecas.

De facto, como afirmamos, a primeira razão poderá encontrar-se no enorme índice de analfabetismo e na prioridade que o regime pretendeu conceder à questão da instrução pública. O regime republicano tem uma enorme preocupação com a instrução do povo nos ideais da cidadania republicana, e a leitura é elemento essencial para atingir esse objectivo.

Entende-se que só um povo a saber ler poderá corresponder ao ideal de cidadão consciente, informado e interveniente na vida pública. Por isso se diz que “Enquanto regime instaurado à luz duma ética de cidadania e democracia política, onde a instrução era um instrumento central, a I República irá necessariamente atribuir relevância à questão da leitura pública” (Melo, 2010, p. 13).

A segunda razão que entendemos poder estar na ineficácia da política de leitura pública é a questão ideológica. A primazia dada à política educativa tem a ver com a forte luta pelo controlo ideológico das camadas populares que leva os republicanos a colocar em marcha a enorme tarefa de promover o ensino laico e de cariz anticlerical, mormente na segunda metade do século XIX. Neste contexto, podemos, de algum modo, afirmar que a política de bibliotecas

populares é mais ideológica que educacional. As elites políticas republicanas mantêm a política bibliotecária herdada do liberalismo de oitocentos e, ‘latu sensu’, a legislação de 1870. Assim, a legislação que cria a Inspecção Geral das Bibliotecas e Arquivos Públicos (1887), posteriormente refundada pelo Decreto de 24 de Dezembro de 1901 com a designação de Inspecção das Bibliotecas Eruditas e Arquivos, mantém-se na República e coexiste com a Inspecção das Bibliotecas Públicas e Móveis, criada em 18 de Março de 1911. Quanto ao

organismo que tutela e supervisiona a inspecção das bibliotecas eruditas, é mantido pela política republicana em moldes idênticos aos do período anterior.

A ideia republicana sobre política bibliotecária assentava no desígnio de conceber, a par das bibliotecas tradicionais destinadas às elites ilustradas, bibliotecas para o povo, numa clara desvalorização social dos equipamentos destinados às camadas mais baixas da população e menos alfabetizadas, contribuindo desse modo para a manutenção de uma visão elitista da

função da biblioteca. Ora, tal quadro ideológico não concorrerá positivamente para a promoção das mesmas, nem para a promoção social dos leitores e potenciais beneficiários.

O que resulta destas ideias e correntes intelectuais que têm por objectivo a criação em Portugal de um sistema de bibliotecas semelhante ao das ‘free libraries’ anglo-saxónico, é o afastarem-se desse modelo na constituição das colecções bibliográficas e, consequentemente, na divisão dos públicos. As elites políticas liberais portuguesas concebem uma estrutura dicotómica de bibliotecas: por um lado, as bibliotecas eruditas destinadas às elites, as que

acolhem as livrarias confiscadas aos extintos conventos e as existentes nas escolas de ensino superior; e, por outro lado, as bibliotecas populares destinadas às camadas inferiores da população que retêm colecções ideologicamente orientadas.

Finalmente, a terceira razão é de natureza económica. No espaço anglo-saxónico o financiamento das bibliotecas públicas era feito através do lançamento de impostos locais e da participação e interesse de mecenas.

A prática de mecenato é frequente na criação de bibliotecas que recebiam igualmente o suporte financeiro público, de que é exemplo o industrial escocês, emigrado nos EUA, Andrew Carnegie (1835-1919), que “financiou a construção de 2509 bibliotecas no mundo anglosaxónico, segundo o princípio da sua posterior manutenção pelas comunidades locais” (Melo, 2010, p. 8).

O modelo de financiamento público no espaço anglo-saxónico surgiu em 1850 com o Public Libraries Act. O governo em Inglaterra autoriza o lançamento de impostos locais destinados às bibliotecas. Em Portugal, o modelo é completamente diferente. Não se verifica a existência de mecenas, como na Inglaterra e nos Estados Unidos, nem a legislação orienta, de algum modo,

o modelo de financiamento das bibliotecas. O Decreto de 18 de Março de 1911, no seu artigo 11.º, “obriga”, este é o termo utilizado, a fundar bibliotecas populares. No caso de os municípios já possuírem bibliotecas, terão que instituir secções populares. Este é um bom exemplo da separação conceptual e tipológica, patente no decreto de 1911, que mantém as bibliotecas eruditas e as bibliotecas populares, a que junta a tipologia das bibliotecas móveis.

Porém, as dificuldades dos municípios em obter a receita necessária para a criação e manutenção das bibliotecas populares e das bibliotecas móveis eram impeditivas da consumação do projecto republicano.

Em resumo, a relação entre o poder central e o poder local na concretização dos objectivos de criação de um sistema nacional de bibliotecas destinadas às camadas populares revela-se ineficaz. Falha  em termos do conceito de biblioteca, porque não corresponde à ideia original

anglo-saxónica, é igualmente nulo pela ausência de meios de concretização do projecto, imputando aos municípios os custos de criação e manutenção das unidades.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 13:44
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Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2017

Expurgo em Bibliotecas

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A propósito de uma notícia de que a Biblioteca da Universidade de Indiana na Pensilvânia, está a fazer um expurgo de quase metade dos seus livros que não foram emprestados desde o ano 2000.
Se nunca tinham feito expurgo, é natural que agora tenham esse valor que pode parecer grande, mas não o é.
O processo científico torna muita da informação desactualizada. Calcula-se que actualmente, em média, a cada cinco anos metade do conhecimento científico esteja desactualizado. Há sectores onde a desactualização é muito rápida, a informática por exemplo, e outros em que é bastante mais lenta. Mas em média, é isto que se passa. O conhecimento renova-se a cada dez anos.
Por esta razão o expurgo, para quem o faz, actualiza em cerca de 10% todos os anos. Claro que nem tudo o que é desactualizado é expurgado. Há matérias que apesar de desactualizadas continuam a ser referidas, até para termo de comparação ou produção de diacronias. E assim, o expurgo incide essencialmente no critério de documento não consultado. Mas não deixa de estar no valor aproximado dos 10%. O que refaz o equilíbrio de actualização da colecção de forma permanente.
Mesmo para as bibliotecas de leitura pública, é este o padrão. No programa de análise de bibliotecas (PAB) ,em que participei no ano 2000 a 2002, uma parceria entre a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundación Bertelsmann da Catalunha, fizemos a contagem dos documentos não emprestados e era sensivelmente esse o valor que encontrávamos.
Isto deve ser tido em atenção dos gestores e técnicos de biblioteca, para demonstrar a necessidade de investimento regular na colecção. Não a deixar degradar, porque a desactualização da colecção leva à redução do uso e consequentemente à redução dos utilizadores, e em espiral à redução da visibilidade e utilidade da biblioteca, à sua nulidade ou utilização residual ou mesmo ao desvio para outros fins e actividades que não a sua missão e necessidade essencial e prioritária.
 
 
António Regedor
publicado por antonio.regedor às 14:40
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Sábado, 25 de Novembro de 2017

Biblioteca de Santa Maria da Feira

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Modernização em tempos difíceis
 
Apesarde se viverem tempos difíceis e desfavoráveis ao investimento em equipamentos de cultura, saber, literacia e informação, nas bibliotecas, ainda há as que fogem a este desinteresse pelo que mais forma e promove a cidadania.
A biblioteca de leitura pública de Santa Maria da Feira, actualiza-se, moderniza-se e renova-se na forma de interagir com o seu público. Utiliza equipamento de empréstimo e devolução automático de bibliografia. Estes equipamentos permitem melhorar a capacidade técnica da biblioteca, retirando os técnicos de actividades rotineiras e de menor valor acrescentado, e afectando-os a tarefas que permitem melhor eficiência do serviço prestado e melhor desempenho individual e colectivo dos recursos humanos. Também desta forma lhes permite alargar o horário de prestação de serviços sem sobrecarga do esforço dos recursos humanos.
Alarga a sua oferta a objectos tridimensionais, neste caso,instrumentos musicais. Desta forma inova, alarga os serviços e aumenta os potenciais utilizadores.
É bom saber que há bibliotecas que fogem à regra do desinvestimento cultural e não se escudam nas dificuldades orçamentais. Prova-se que há dinheiro, mas que é mal aplicado pela generalidade das autarquias. A biblioteca de leitura pública de Santa Maria da Feira é referência de bom exemplo. Claro, que conhecendo eu, a excelente qualidade técnica e humana da Bibliotecária e Gestora de Informação, Etelvina Araújo, nada disto me espanta. 
 
António Regedor
 
publicado por antonio.regedor às 18:38
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Domingo, 22 de Outubro de 2017

Escritaria

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ESCRITARIA

 

É já uma normalidade em Penafiel. Durante vários dias, a cidade passa a escritaria. Pendões, paineis, frases gravadas nos muros, caixas para arrumos de de livros ou outras escritas nas ruas. Montras escrituradas, decoradas com motivos de escrita, vestidos de livros asas de folhas de livros, folhas que saem de máquinas, canudos escritos que sobressaiem nas montras, fotos de outras escritarias. Exposições, leituras encenadas e apontamentos de livros em cena tudo muito bem ligado com piano de Chopin. O teatro faz-se no exterior. Feira de livro, autógrafos.  Vendem-se livros, castanhas assadas.  O almoço é excelente, o vinho bom e o preço agradavelmente económico, tudo servido com  simpatia.  Compra-se abóbora  de que mais tarde se fará compota.   Toma-se café com pastel, compra-se tabaco e joga-se no euromilhões.  A economia mexe, cresce em Penafiel com a escritaria. Da biblioteca à feira do livro onde decorrerá a sessão de autógrafos, percorre-se a avenida.  A loja de pronto a vestir tem um vestido com folhas de livro e um top com págins do “equador” . Na montra seguinte um “cocar” de penas das páginas de “Não te deixarei morrer, David Crockett”. A loja de calçado desportivo tinha uma linha sóbria e distinta  vitrine com ciclindros feitos de cartazes da escritaria. E para todas as montras não podia deixar de se olhar. Miguel  Sousa Tavares autografou esta 10ª edição.

 

 

António Regedor

publicado por antonio.regedor às 15:14
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Segunda-feira, 9 de Outubro de 2017

Makerspaces

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Os espaços “Makerspaces” são espaços de ambiente digital e manual, de cooperação, coworking, espaço de trabalho, para curiosos, empreendedores, criativos podem aprender e desenvolver os seus próprios projectos ou simplesmente satisfazer as suas curiosidade e produzir as suas realizações.

São espaços que disponibilizam informação, facilities e ferramentas diversas e em ambiente colaborativo potenciam aprendizagens, projectos e negócios, mum ecosistema de crriatividade e inovação.

As bibliotecas, constituem a base desta perspectiva de aprendizagem e criação. Com pequenas aportações são potencialmente geradoras de resultados cognitivos, sociais colaborativos, criativos e de elevado potencial económico e empresarial.

É recente, mas já com alguns estudos, este modelo de desenvolvimento das bibliotecas públicas. Apresentamos  um pouco da bibliografia  recente e já monográficamente estruturada  do interesse que suscita esta matéria.  É bibliografia muito actual que registo desde 2014 até ao ano passado.

 

 

Roffey, T., C. Sverko, et al. (2016). [e-Book] The Making of a Makerspace: Pedagogical and Physical Transformations of Teaching and Learning: Curriculum Guide. Vancouver, Canadá, University of British Columbia, 2016

Blikstein, P., S. L. Martinez, et al. (2016). [e-Book] Meaningful Making: Projects and Inspirations for Fab Labs + Makerspaces. Torrance, CA USA, Constructing Modern Knowledge Press, 2016.

Roslund, S. and E. P. Rodgers (2014). [e-Book]  Makerspaces: 21 century skill innovation library. Ann Arbor, Michigan, Cherry Lake Publishing, 2014.

Berman, E. and P. Thomas [e-Book]  San José Public Library Mobile MakerSpace Guide. San José, Californía, San José Public Library

Kirk, E. H. and R. Morgan-Hatch (2015). [e-Book] Co-Making: Research into London’s Open access Makerspaces and Shared Workshops Workshop East. London, London Legacy Development Corporation, 2015

Grave, Colleen. Librarian’s Guide to LittleBits and STEAM. Library Journal, 2016

 

António Regedor

publicado por antonio.regedor às 12:05
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