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Findo o Império Romano, o território da Península Ibérica foi dando espaço aos Suevos e Visigodos. No Norte de Portugal, na região do Barroso, bem na linha da actual fronteira de Portugal-Espanha, no marco 229 aparece o nome Wamba associado a um Castro.
O Castro de Wamba foi um povoado fortificado de planta rectangular e circular com duas cinturas de muralhas e um fosso escavado. O Castro regista ainda um santuário proto-histórico.
Wamba cujo nascimento terá sido cerca de 630 em lugar não conhecido e morre por altura do ano 688, foi rei Visigodo entre os anos 672 e 680 sucedendo ao rei Recesvinto. Wamba faria parte da aristocracia Visigoda. Terá sido eleito a 1 de Setembro de 672 em Gertici ou Gérticos que mudou o nome para Wamba em sua honra e que se situaria onde hoje é Valladolid. Foi coroado em Toledo onde foi ungido pelo Bispo Quirico na Igreja de S. Pedro e S. Paulo a 20 de Setembro do mesmo ano. Foi o último rei do esplendor visigodo. Após a sua morte começa a decadência do reino.
O reinado foi também de lutas entre a nobreza entre si e contra a população local, nomeadamente revoltas de Asturianos e Vascos. Simultaneamente o campo cristão está dividido com o combate da obediência de Roma contra o Arianismo considerada heresia. O maior perigo é que nesse ano em que é eleito os berberes islâmicos do norte de África tentaram a invasão da península.
Em 675 Wamba convocou o XI Concílio de Toledo em que se tomaram medidas para corrigir os abusos e vícios dos eclesiásticos.
O fim do seu reinado terá sido organizado pelo bispo de Toledo que narcotizando Wamba o tonsuraram, vestiram-lhe um hábito de monge e obrigaram-no a renunciar. Terminou no Mosteiro dos Monjes Negros de San Vicente de Pampliega em Burgos. No século XIII o Rei Afonso X ordenou a sua trasladação para a Igreja de Santa Leocádia no alcázar de Toledo onde já estava o seu antecessor Recesvinto. Actualmente estão no ayuntamento de Pampliega.
Em Portugal há ainda uma referência a Wamba em Vila Velha de Ródão com uma torre denominada castelo de Wamba.
Chegamos ao Castro de Wamba, partindo de Chaves para a aldeia de Cambedo. Aqui, nesta localidade de grande significado histórico na luta contra o Franquismo e o Salazarismo toma-se o caminho da fronteira e pouco antes do marco 229 encontramos o que resta do Castro. Hoje não passa de um monte com os vestígios do que terá sido partes do povoado fortificado. O ostracismo a que foi votada a aldeia pode justificar também o esquecimento deste património a merecer recuperação, valorização e memória histórica. Nele se cruzam vários momentos históricos deste território: O Castro e o período cristão de vários conflitos simultâneos entre os povos ibéricos, os cristãos e os avanços islâmicos. O período medieval onde o território pertencia ao couto misto. E o combate de Cambedo entre as forças militares portuguesas e os últimos guerrilheiros republicanos anti-franquistas em território português. Muitas histórias se cruzam neste território
António Borges Regedor

A Ponte da Misarela é conhecida pela ponte do diabo. E bem assim lhe podem chamar. E por várias razões. Por razões naturais. Localiza-se num profundo vale estreito, entre duas montanhas, e por onde se chega por carreiros serpenteados nas encostas de um e outro lado. É aqui bem perto que o rio Rabagão se une ao Cávado. E é aqui onde dois maciços rochosos, estreitam o rio que cai de uma fenda e o lança em caldeiras onde as pedras rolam até se polirem e formarem bolas graníticas, brinquedos de gigantes mitológicos ou do diabo, quem sabe. Dois rochedos que se elevam de um e outro lado do rio, são os contrafortes onde a ponte granítica encaixa e se comprime de robustez. Essa ponte medieval que foi reabilitada já no século XIX. Na sua vida foi palco de várias contendas, geralmente as motivadas pela independência e pela liberdade. Em Maio de 1809, durante as invasões francesas, neste lugar da freguesia de Ferral, juntaram-se oitocentos barrosões que ousaram travar caminho aos exércitos de Napoleão. Gente da terra, sem treino militar, mas calejada na rudeza da serra, conhecedora de todos os caminhos, atalhos e veredas onde emboscar, surpreender, golpear. No local, a placa indicativa do feito, afirma que sangrou o exército de Napoleão. E assim terá sido. Com as tropas em carreiros de pé posto, de largura nunca superior a suportar dois homens armados e equipados. Carregados da bestialidade da guerra. Na ponte onde há só lugar a passar uma carroça de cada vez. Fácil terá sido aos paisanos, tisnados do sol e esgueirando-se pelo arvoredo, fazer sangrar a tropa do imperador. Os lugares são muitos de onde com mosquete, ou só à pedrada se podia atingir a tropa fardada. As invasões fracassaram, o país manteve a independência. Mais tarde na luta fracticida entre liberais e absolutistas, a ponte voltou a receber os actores de mais um drama nacional. Desde 1870 que a nação estava dividida. Desta feita foram os liberais que vacilaram diante dos absolutistas comandados pelo General Silveira a caminho de espanha onde se refugiou. Quis o fado nacional que neste mesmo lugar a contenda entre os Constitucionais, Liberais do General Antas, derrotassem os cartistas absolutistas do Marechal Saldanha, do Duque da Terceira e do Barão de Leiria.
Do ponto de vista antropológico o local está ligado ao culto da maternidade. A mulher com dificuldade em ter filhos . As mulheres com dificuldades de maternidade, deveriam acompanhadas por mais dois homens aguardar o primeiro passante na ponte que lhes baptizaria a criança ainda na barriga. Os nascidos rapazes chamar-se-iam Gervásios e as raparigas, Senhorinhas.
António Regedor

Durante muito tempo, demasiado, os Museus foram pouco aliciantes para o público. Muitos, infelizmente, ainda o são. O Ecomuseu de Barroso em Montalegre foge a esse esteriótipo. Nele pode encontar-se o aliciante da dinâmica informativa que produz melhores resultados formativos. Para além das várias ferramentas digitais de informação, há uma característica a evidenciar. É a sua componente sensorial global. A visão, a que estamos acostumados mesmo nos museus mais estáticos. O Tacto, com a possibilidade de tocar nos vários objectos sem que ponha em causa a sua preservação. Já há muito havia no ecomuseu uma caixa sensorial do tacto que serve a identificação de produtos através do tacto. Uma caixa onde se mete a mão e se procura identificar o que contém. Pode ser batata, centeio, castanha ou outro dos produtos da região. A audição resulta de muitas ferramentas digitais e multimédia. O paladar fica para o final, após a visita à colecção, na loja do ecomuseu onde pode comprar diversos produtos locais, e deixando para o exterior para onde se prolonga o ecomuseu, nas lojas, cafés e restaurantes para saborear muito da gastronomia local.
António Regedor
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