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Terça-feira, 26 de Junho de 2018

O Molhe de Carreiros

IMG_20180624_162202.jpg

 Na foto, ente a barra do Douro e o paredão sul do porto de Leixões, é visível a localização do molhe de carreiros e é de notar a importância que deve ter tido no apoio ao porto do Douro quando ainda não existia Leixões. 

 

O Molhe de Carreiros

Muitas tardes de sol me levaram à praia do Molhe. Durante algum tempo tinha o hábito de aí ver o por do sol. E no entanto nunca se me tinha colocado a questão da sua existência, a razão da sua construção, a servidão que teria. Ele aí estava e isso bastava. Sem mais. Tudo o resto era o horizonte, o mar, a praia, o barulho das ondas, os cheiros, o iodo, o spray das gutícolas projectadas pelo embate das ondas nas rochas, o por do sol.

E tudo era assim, sem questão, até que um dia, o desassossego de um livro me chaga à mão.

Henrique Vieira de Oliveira em “ Achegas para a História do Porto de Carreiros” dá nota da existência de um “enfiamento” (1) na praia de Carreiros, hoje conhecida como Molhe, situada na Av. Brasil, freguesia de Nevogilde, Foz do Douro, Porto. Esse enfiamento é constituído por dois obliscos. Um em terra no seguimento da terceira coluna da pérgula. O outro nas rochas da praia que ainda se observará.

São o enfiamento do Porto de Carreiros. É constituído pelo Molhe que consiste em ser um quebra-mar para permitir um pequeno abrigo para quando os barcos não podiam entrar a barra do Douro e aí descarregavam pessoas, mercadorias e correio através de “catraias” pequenos barcos a remos.

A Rua de Carreiros corria paralela ao mar, em frente à actual Rua do Molhe, e onde hoje se situa a Avenida Brasil. Na Rua circulava o “Americano” veículo em trilhos e puxado por muares. Ligava o “Infante”, no Porto, a Leça da Palmeira.

No local há uns afloramentos de rochas que formavam um carreiro ou caneiro, relativamente abrigado da ondulação e que servia a pesca artesanal.

O molhe está assente nessas formações geológicas muito antigas. Tem 165 metros de comprimento. Composto por uma parte baixa, mais perto da praia, e alinhada pelo azimute 42º e o da parte alta pelo azimute 25º.

Segundo o Ingenium – Boletim da Ordem dos Engenheiros de Jan 1987 a construção teve início em 1884 e foi concluída a 1 º fase em 1892. No entanto o piloto-mor da barra do rio Douro, José Fernandes Tato, aponta para o início da obras em 1825, concluída a 1 fase em 1862 e prolongado em 1886 (Oliveira: 1989. pag 30). Conjugando esta discrepância com a informação de Adolpho Loureiro publicado na Imprensa Nacional em 1904, pag 355, que refere um 4º período de 1869 a 1882 se retoma e conclui o Molhe de Carreiros. (Oliveira: 1989. pag 30). Para logo na página seguinte falar do prolongamento de 1881 a 1885 (Oliveira: 1989. pag 31). A colocação da puzzolana só terá sido concretizada em Abril de 1882 e em 1884 assente o gradeamento (Oliveira: 1989. pag 31).

O mais certo é que tenha havido várias fases com interrupção de trabalhos e que motive a discrepância e o termino se refira em momentos diferentes a trabalhos diferentes na obra.

Hoje aí está o molhe da Carreiros, sem a sua função inicial, na praia do molhe que poucos se lembram que o local se chama carreiros.

Nota:

(1) Enfiamento é um termo de náutica que significa uma linha de posição de dois ou mais pontos fixos (pontos conspícuos). Definem a proa da embarcação em relação a esses pontos, permitindo manter um azimute constante à linha traçada por esse enfiamento. Geralmente estão colocados num canal, à entrada dos postos e abrigos.

Podem ser em terra ou no mar. Luminosos ou não. E colocados no mesmo plano vertical. No caso de serem três pontos o enfiamento constitui uma linha de grande rigor. Podem ser observados à vista ou com auxílio de objectos ópticos.

BIBLIOGRAFIA

Oliveira, Henrique Vieira de – Achegas para a História do Porto de Carreiros. Porto: [O Progresso da Foz], 1989. Notas: Tenho dúvida da editora. Não possui D-L. nem ISBN. Tem patrocínio da RAR e Colaboração da Junta de Freguesia de Nevogilde. Associação de Cultura e Turismo da Foz, e O Progresso da Foz. Impresso em Lello & Irmão – Porto. Não tem bibliografia, nem índices. Tem uma lista de imagens incompleta. A numeração das fotos não está em legenda das mesmas o que dificulta a identificação.

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António Borges Regedor

 

publicado por antonio.regedor às 16:15
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