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Quinta-feira, 29 de Agosto de 2019

Enfraquecimento do poder de Estado. Consequências

IMG_20190720_135824.jpg

O fim do Império Romano, no século IV, ditou o enfraquecimento da Europa no seu todo. Deixou de haver uma administração igual para todos os territórios, deixou de haver uma Lei geral, uma política comum de impostos. As estradas foram abandonadas, os edifícios públicos deixaram de ter manutenção, os hábitos de higiene foram abandonados, a limpeza pública ruiu, a saúde colapsou. A educação abandonada, a cultura definhou.

Politicamente os senhores locais apoderaram-se do que puderam, subjugaram o mais fracos e pobres, fizeram leis que lhes convinham, cobraram impostos que queriam.

Não tardou muito a sentirem-se os efeitos. No século VI surgem as pestes na Europa e duraram até ao século VIII. No Império do Oriente tal não aconteceu de imediato. A Constantinopla acorreram os sectores cultos da sociedade, e que mantiveram os padrões de vida da tradição Helénica e continuada na cultura Romana.

O enfraquecimento da Europa, pelo desmantelar da administração Romana, pelo modelo feudal, e pela peste, com a consequente redução da população, desmantelamento da produção, estado geral de fome e doença, fez da Europa um espaço nulo, politico, económico, cultural e socialmente.

Ao enfraquecimento da Europa no século VI, corresponde a expansão do Islamismo no mesmo século e seguinte. Obviamente as duas coisas estão ligadas.

A Europa só recupera no século IX e X. E isso corresponde ao crescimento das cidades, ao desenvolvimento do comércio, aumento da produção. Aparecem novas moedas, entre elas o Florim de grande aceitação. E, claro, a pressão sobre o Islão que leva à reconquista cristã do Al Andaluz, das rotas do Oriente e retorno ao domínio do Mediterrâneo.

Neste contexto de progresso surgem no século XIV as confrarias e as corporações e entre elas as Universidades. Daí é um salto até ao Renascimento e à Ilustração.

É bom reflectir sobre o enfraquecimento do Estado e o surgimento dos pequenos poderes locais que produzem os novos pequenos feudais sem nobreza alguma. Quando me falam da tradição portuguesa do municipalismo é do estado de feudalização que me querem falar.

 

publicado por antonio.regedor às 12:33
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