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Quarta-feira, 30 de Junho de 2021

Pandemia e exercício físico

gEIRA romana.jpg

Há dias, ao ler as declarações do patologista clínico João Pereira de Almeida, fiquei com as ideias mais claras acerca de que exercício físico fazer.

Os exercícios físicos aeróbicos leves, que mais oxigénio proporcionam às células, são o pedalar (um dos melhores), caminhar, nadar e dançar. Arrisco a dizer que a prática do golfe também deve estar neste grupo de opções. 

Fico contente por corresponder ao meu lote de exercício físico que gosto de praticar.

Temos actualmente padrões de comportamento sociais e essencialmente psicológicos que nos afastam de modos de vida saudáveis. Um deles é o endeusamento do automóvel, considerar que é essa lata que garante estatuto social. Afinal o uso da biblicleta é bem melhor para a saúde individual e colectiva, melhor para o ambiente e qualidade de vida nas cidades. Afinal o estatuto de gente saudável está no uso da biblicleta. e que bem que lhe fazia ir para o trabalho a cada dia.  

Andar a pé é para mim habitual. Chego a recusar boleias, correndo o risco até de ser mal interpretado. Mas tenho a experiência de amigos deixarem de usar o carro em pequenas distancias e fazermos, em conjunto, os percursos a pé.  

Nadar é o que faço menos. Até porque sou mau nadador e só o faço na praia.  Resta-me compensar com as outras actividades físicas. 

Dançar  chegou a ser três horas por dia todos os dias. Desde a pandemia foi a actividade sacrificada. É um dos maiores impactos na manutenção da minha condição física. 

Resta o golfe. Não tanto como gostaria, mas com a vantagem de ser uma prática em espaços agradáveis. Grandes espaços verdes, arborizados, silenciosos, com frequentes presenças de aves, mamímeros, répteis. Onde é frequente haver  planos de água, com peixes e amfíbios. Em campos de golfe já vi  perdizes (em Porto Santo), coelhos e até esquilos (em Espanha) E mesmo  um exótico ganso do Egipto ( Espinho). Além disso a prática de golfe é sempre de várias horas. Tenho feito  cerca de  três horas. 

Infelizmente a pandemia tem colocado imensos obstáculos à concrtização destas práticas que se recohecem como as mais saudáveis. 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 17:37
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Segunda-feira, 28 de Junho de 2021

Rio Tinto

GRUPO.jpg

Muitos terão a imagem deste rio ser um dos mais poluídos do Porto. Hoje é um rio relativamente limpo. Pelo menos de aspecto e claramente na maioria dos parâmetros. Tem, naturalmente, alguns parâmetros ainda a melhorar, mas está nitidamente melhor. E esta melhoria muito se deve a um movimento criado há vários anos para a defesa do rio. Persistentemente o movimento informal de defesa do Rio Tinto tem conseguido alertar e pressionar para que as entidades competentes assumam a sua responsabilidade na preservação deste curso de água. 

A consciência  para defesa da qualidade dos cursos de água tem aumentado  e no passado dia 26 o MovRioDouro (movimento de cidadania em defesa dos rios da bacia hidrográfica do Douro, que congrega pessoas, membros da comunidade científica, grupos e associações para a defesa dos rios) organizou uma caminhada  comentada ao longo do rio Tinto, desde o Parque Oriental do Porto até à Ribeira de Abade já na margem direita do rio Douro. Estiveram presentes várias pessoas da comunidade científica, de organizações ambientalistas e autarcas. 

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 17:09
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Sexta-feira, 25 de Junho de 2021

Porto: ponto de encontro de história, arte e religião. Parte I – A Penaventosa. De Ernesto Vaz Ribeiro.

20210625_182329.jpg

O Porto tem mais um livro de divulgação. É da autoria de Ernesto Vaz Ribeiro e cobre uma área de conhecimento que não é habitual nos textos de divulgação da cidade.

Há várias publicações de história da cidade. Vários historiadores a ela se dedicaram. Nomes como Miguel Duarte, Oliveira ramos, Francisco Ribeiro da Silva  só para citar professores da universidade do Porto, mas há outros.

Ernesto Vaz Ribeiro, arrisca uma visão do Porto que não sendo muito comum.  Avança para além  da história com preciosa informação de arte e religião. A primeira surpresa é a apresentação do Porto a partir da informação geológica do local onde se iniciou o assentamento dos povos que vieram a dar início a este povoado e cidade. Faz referência aos vários povos que aqui se instalaram. Busca a origem do topónimo. E mais importante é o enquadramento social e cultural que à época proporciona o desenvolvimento da cidade e a íntima ligação com o despontar da importância do condado portucalense e a nacionalidade.

Ernesto Vaz Ribeiro coloca, e bem, a questão dos interesses religiosos de Braga contra Santiago.   A influência dos franceses de Borgonha, as suas ligações à poderosa abadia de Cluny. A colocação destes nas posições de liderança do Condado Portucalense.  O incómodo que será para a aristocracia portucalense, essencialmente a do norte do Douro.  A independência de Portugal resultado também da vontade da igreja local.

Colocado o enquadramento, o autor descreve de forma pormenorizada o povoado da Pena Ventosa, a evolução da cerca (ou cercas), a cividade e portas e espaços religiosos.  É nos espaços religiosos, e desde logo a Sé, que o livro nos concede enorme manancial de informação. Quer  do património construído, dos espaços de culto, da sua arquitectura, e pormenores artísticos.  Mas não se fica apenas por aí. É um excelente texto explicativo das várias ordens religiosas envolvidas nessas edificações religiosas e que fazem do livro tão singular na sua importância.

O livro de Ernesto Vaz Ribeiro dá razão ao título: “Porto: ponto de encontro de história, arte e religião. Parte I – A Penaventosa” A Editora é “Zéfiro” e a primeira edição é de Dezembro de 2010. Por comodidade o livro pode ser pedido  a zefiro@zefiro.pt. O meu chegou mais rápido que  pedido na livraria.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 18:21
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Quarta-feira, 23 de Junho de 2021

Hidrogénio, de momento, inviável economicamente.

sines refinaria.jpg

O combustível hidrogénio é apresentado como uma fonte de energia comparativamente mais fácil de armazenar do que baterias de diversos tipos. 

É, no entanto, pior que o armazenamento em energia potencial nas alfufeiras por exemplo. Será mais versátil para alguns tipos de transporte, mas também tem um enorme inconveniente que é o de necessitar de energia eléctrica para produzir essa forma de energia.  É assim como que uma energia terciária. Ou seja, é necessário consumir uma energia primária para produzir electricidade. E é necessário consumir electricidade (que já é energia secundária)  para produzir hidrogénio. Obviamente, o processo,  tem custo muito superior a outras formas de energia. 

Seria bom poder contar com mais esta forma diferenciada de energia.   Poderia diversificar-se o consumo de modo que se houvesse algum problema numa das formas de energia, haveria outras utilizáveis.  

Mas o problema económico não deixa de ser importante em situação de debilidade económica e de relativa incerteza futura que impõe ponderação e prevenção.

Duas empresas Galp e EDP têm o projecto  “H2Sines“  de produzir hidrogénio. Contam com a simpatia do governo e asseguraram já 30 Milhões de subsídio.  Dizem, no entanto , que não chega. Temos pena. É a demonstração pelas empresas que não conseguem um projecto economicamente viável e que dizem ir dar prejuízo nos próximos 15 anos.

Ficamos a saber que às empresas só interessa o projecto com os nossos impostos. Temos pena, mas não devemos estar dispostos a continuar a financiar lucros de empresas privadas com os impostos públicos.

Dispomos felizmente  de outras formas de energia,  igualmente renovável, e mais barata.

 E há ainda muito caminho a fazer na produção doméstica de energia, E é essa auto-produção que deve ser apoiada através dos consumidores que nelas investirem. (famílias e empresas).

 

António Borges Regedor 

 

publicado por antonio.regedor às 15:29
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Quinta-feira, 17 de Junho de 2021

O ouro move montanhas

tresminas imagem.jpg

Uma das razões para os romanos ocuparem o noroeste da península ibérica  foi sem dúvida a exploração de ouro que aqui encontraram em abundância.

Impressionante o seu esforço na procura de ouro tão necessário ao império.

O “Fojo da pombas” na Serra de Santa justa em Valongo foi explorado pelos romanos. A exploração era feita em galeria subterrânea.

“Jales”, perto de Vila Real, mas já Concelho de Vila Pouca de Aguiar, é outra mina já conhecida dos romanos e que ainda há poucos anos era explorada.  Terminou a exploração nos anos noventa. Era também uma mina com galerias subterrâneas a profundidade de cerca de seiscentos metros. 

Mais acima e ainda no mesmo concelho a exploração romana fez-se em “Tresminas”. A importância do local  leva mesmo à criação de um centro interpretativo e a visitas guiadas à mina com acesso a uma das galerias.  O método era o de desmonte através da combinação da pressão de furos na rocha, de calor e água.

Já em Espanha visitei na região de “Bierzo” (terra natal de Ximena Moniz, mãe de D. Teresa condessa de Portugal e avó de Afonso Henriques rei de Portugal), visitei “las medulas”, uma das maiores explorações mineiras de ouro da península ibérica.  Neste caso outros, o método de exploração foi o do desmonte das enormes montanhas argilosas com o auxilio de   água.  Milhões de metros cúbicos de montanhas removidas na procura de ouro, mudaram radicalmente a paisagem.

Literalmente: o ouro move montanhas.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 15:35
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Terça-feira, 15 de Junho de 2021

Produção Científica Nacional em Bibliotecas Públicas

produção científica.jpg

A DGLAB (Direcção-Geral do Livro, dos  Arquivos e das Bibliotecas) na área  da RNBP (Rede Nacional de Bibliotecas Públicas) , em serviços para profissionais tem uma lista de produção científica nacional  na temática das bibliotecas públicas.

É uma excelente iniciativa a possibilidade de pesquisa compilada acerca do tema. Admito que se encontra mais algumas teses de Doutoramento e dissertações de Mestrado para além das indicadas. Eu conheço mais uma tese que não está referida na lista. Conheço por ser uma tese em que tive participação  no Júri como arguente.  

Em todo o caso, a maioria da produção está certamente representada.

Fiz uma leitura rápida e encontrei citações minhas em três teses de Doutoramento e em duas dissertações de Mestrado, sendo que três das dissertações são de ex alunos meus.  Fico muito satisfeito saber que contribuí de alguma forma para a produção científica nacional nesta área das bibliotecas pública, como em outras.

Espero que venham a ser feitas listas da produção em bibliotecas escolares em especializadas, ou ainda em temas de indexação, cienciometria e avaliação de unidades de informação. Foram temáticas das minhas aulas que deram oportunidade a outros trabalhos de investigação científica.

Só tenho motivos para estar satisfeito.  

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 23:30
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Sexta-feira, 11 de Junho de 2021

Incunábulos

Rff4514a02a9ad6b008ffe100b547c798.jpgIncunábulo é a designação que se dá aos primeiros livros impressos com caracteres móveis desde 1455 a 1500. “in cuna” significa no berço. No berço da tipografia com caracteres móveis. Durante esses quase 50 anos os livros impressos procuravam imitar os manuscritos. Essa a sua principal característica distintiva.

Quando se coloca a questão de qual foi o primeiro livro impresso (incunábulo) em Portugal, devemos, antes, falar dos primeiros incunábulos. Porque são vários dependendo da perspectiva.

Em 1487 Samuel Gacon, um judeu fugido de Espanha, segundo a Academia das Ciências de Lisboa,  publicou em Faro  o “Pentateuco”.  O livro foi impresso em caracteres hebraicos.

Em 1488 é indicado como a data de publicação do “Sacramental”. É Rosemarie Horch(1986) que o afirma, indicando a existência do exemplar na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. A autora apresenta-o como o mais antigo livro escrito em Português, resultado de uma tradução do original em língua espanhola da  autoria de Clemente Sánchez de Vercial. O exemplar mencionado pela investigadora não possui as folhas finais, o colofon, donde se poderia recolher a informação do impressor e local da tipografia.  A investigadora fundamenta-se de  na livraria do arcebispo de Lacedemonia D. António José Ferreira de Sousa ter sido visto um outro impresso de 1488 mas sem lugar nem nome do impressor.  Mas também na descrição das iniciais dos capítulos há discrepância. E assim continuamos na incerteza.  

Acerca deste incunábulo Anselmo(1981) afirma tratar-se, provavelmente, da mesma edição (e do mesmo exemplar) que Inocêncio Francisco da Silva  descrevera no seu Dicionário Bibliográfico, atribuindo-lhe, de acordo com uma tradição persistente, a data de 1488.

Em 1489 foi impresso em Chaves o “Tratado  de Confissom”. Foi  desde 1965 pela voz do Dr. Pina Martins considerado o primeiro livro impresso em Portugal.  Considerando as dúvidas colocadas pelo “Sacramental” este pode ser mesmo o primeiro incunábulo escrito em Português.

Em 1494 João Gherlinc imprimiu em língua latina o “Breviárium Bracarense.

Em 1497 as “Constituições do Bispado do Porto” da autoria de Diogo Sousa foi impresso pelo tipógrafo Rodrigo Álvares. Estamos assim perante o primeiro tipógrafo português.

Vemos assim que temos vários primeiros impressos em Portugal, sendo que sobre um deles, “Sacramental” ficam a meu ver várias dúvidas.

Anselmo, Artur – Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1981

Horch, Rosemarie Erika – O primeiro livro impresso em língua portuguesa. Revista da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, nº 10 Jan/Mar 1986 (pag 9-40).

 

 

António Borges Regedor

 

publicado por antonio.regedor às 15:52
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Terça-feira, 8 de Junho de 2021

Angoche: Os fantasmas do Império.

20210608_191626.jpg

Angoche era o nome de um barco de cabotagem que fazia a viagem de Nacala para Pemba com carga que se diz ser armamento. Os dois portos são no norte de Moçambique e a viagem seria curta durante a noite. Saída ao fim de dia (17h30 ) e chagada de manhã (5h). Estranho que em cabotagem, navegação junto à costa, e em teatro de guerra, as autoridades portuguesas só três dias depois tomem conhecimento do desaparecimento do navio. É um agente da Pide que faz o relatório. Curiosamente o agente que mata Humberto Delgado e prepara a bomba que mata Eduardo Mondlane. E esse é o relatório que desaparece da Pide no golpe de 25 de Abril. As suspeitas são lançadas para os comunistas e o mesmo do relatório desaparecido.  Os tripulantes desaparecem e nunca se soube notícia do seu paradeiro e destino. As publicações sobre o assunto na época são sucintas e as posteriores, em livro,  inquinadas ideologicamente.  

É sobre este cenário que Carlos Vale Ferraz escreve mais um romance. Magistralmente tal como já o tinha feito também a partir das ambiências da guerra colonial,  que ele tão bem conhece, em “Nó Gego” e “A última viúva de África”. “Adensa-se o mistério do Angoche. A tripulação desaparecida.”Infrutíferas  todas as tentativas para encontrar vestígios dos tripulantes, do passageiro e da baleeira desaparecida.” Pag. 26.

Neste romance, que se lê avidamente e de uma só golfada, o autor dá a ambiência de Lourenço Marques,  e das movimentações de sectores militares. “Ardia a guerra no norte de Moçambique. Ardia no sul de Angola, na rodésia, Nas Nações Unidas, Na Organização  da Unidade Africana , em Moscovo, em Pequim,  em Nova Iorque, em Londres, e eles continuavam a frequentar os clubes – o Clube Militar, o Clube Naval, o Grémio -, a dançar nas boîtes dos hotéis Polana e Girasol, a ir à praia, à Costa do Sol, aos restaurantes, a consultar os médicos da África do Sul. “ pag 43.   Deixa pistas interpretativas sobre o acontecimento. Mostra o mapa dos vários países da região e dos seus interesses, interconexões, rivalidades. “ O bloqueio não passava de uma farsa, de um faz de conta para as potências ocidentais satisfazerem o terceiro Mundo e se engalanarem de um discurso antocolonialista nas Nações Unidas.” Pag. 49. Naturalmente das movimentações das polícias e inteligence.  Dos modos de vida local e muito de uma das figuras centrais dos interesses coloniais que é praticamente um segundo poder em Moçambique. “ ao contrário de Kaulza, que pensava apenas em si, Jardim, realista, possuía o sentido do tempo certo de formar um conjunto, a arte do dançarino que sobressai do elenco, mas necessita dele.” Pag 80.  Jorge jardim. E tudo isto no contexto da política colonial portuguesa para a África. “em vez de aproveitar a oportunidade para preparar feitores locais, Salazar inaugurou um Ministério do Ultramar e Lisboa, de onde despachava capatazes como governadores!” pag. 81.

Espero que lhes tenha proporcionado a curiosidade na leitura de mais este excelente livro de  Carlos Vale Ferraz , na Porto Editora em 2021.  

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 19:19
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Segunda-feira, 7 de Junho de 2021

Trilho de Vilarelho da Raia ou do Cambedo.

20210503_143655 (1).jpg

Eu preferia chamar-lhe trilho de Cambedo pelo simbolismo, paisagem e património arqueológico e  cultural.  É muito interessante até pela diversidade de troços que utiliza. Caminhos rurais, caminhos de contrabando, de fronteira  e via romana.

O trilho circular é extenso (17,4 KM) mas pode ser dividido.

O que mais me motivou neste trilho foi a visita a Cambedo. Sobre ela pairam as histórias do acolhimento que deu a guerrilheiros anti-franquistas e que motivou um cerco, bombardeamento e assalto à aldeia na tentativa de acabar com a bolsa de resistência republicana e  anti-franquista.  A história da guerrilha será motivo de um futuro escrito meu.

Cambedo aldeia da raia foi em tempos designada de antigo povo promíscuo, por misturar portugueses e espanhóis e não fazer distinção na actividade do seu quotidiano rural e afastado dos centros de decisão de um e outro país.  Vivendo uma realidade própria. Em 1864 na demarcação da fronteira estes povos promíscuos passaram para Portugal em troca das aldeais do Couto Misto que passaram a integrar o território de Espanha.

  Relativamente perto da aldeia situa-se um castro de razoável importância. Terra do Rei Wamba, Visigodo (672-680). O Castro é hoje um amontoado de pedras que merecia uma intervenção cuidada que lhe desse a dignidade que merece.  Também muito perto o caminho passa no marco 229 da fronteira Portugal-Espanha.  

Escolhendo fazer o caminho misto há a oportunidade de passar por moinhos de cereal e azeite e pela “fonte da facha”.

Não faltam pontos de interesse, num trilho agradável e muito diverso.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 12:59
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Sexta-feira, 4 de Junho de 2021

O que não se deve fazer em trilhos pedestres.

Arcassó percurso.jpg

Legenda da imagem: A carta tem assinalado a vermelho o traçado da A24. E a azul o troço que acompanha paralelamente  o talude da auto-estrada. Não podiam ter escolhido pior paisagem e pior caminho. 

 

O que não se deve fazer em trilhos pedestres.

O trilho Vidago- Arcossó (PR2 CHV) é desinteressante, mal desenhado, de má qualidade e perigoso.  Exemplo do que não deve ser um trilho. Usa no percurso troços de estradas municipais onde obrigatoriamente  se tem de caminhar pela via de circulação automóvel. Tem dois troços  a ladear paralelamente uma auto-estrada, áridos e sem qualquer interesse paisagístico ou patrimonial.   E no entanto é um trilho com potencial e agradável, se  redesenhado utilizando a ecopista do Tâmega  até Vilarinho das Paranheiras e retorno utilizando uma parte da via romana até Vidago. Este mesmo percurso permitia ainda uma extensão até à praia de Vidago ou manter aí o início e fim do trilho.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 14:43
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