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Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2021

navegação

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Já fiz alguma navegação em embarcações à vela e construídas em madeira. E também algumas regatas. Em quase todas as situações há uma peça a afinar, uma outra que se danifica, um parafuso que salta. E em momentos de condições atmosféricas mais agrestes, já testemunhei um brandal a partir e mesmo mastros quebrados.  Tudo isto em ambiente de camaradagem e com várias embarcações e barcos de apoio, é fácil de resolver. Lançam-se uns cabos de reboque e ninguém fica para trás. Todos chegam a bom porto para nos dias seguintes se dedicarem a reparar os danos.

Estas pequenas experiências fazem-me imaginar, tanto quanto possível, a impressionante logística necessária para a navegação no tempo da expensão marítima portuguesa.

O pensar que no barco teria de ir tudo o que fosse necessário para as reparações.  Madeiras em tábua, em tronco para o caso de partir mastros. Ferramentas para isso. Martelos, laminas de serra cravos, estopa, tecidos, cabos  e diversas ferramentas e peças.

O mesmo para a alimentação das tripulações. O biscoito como alimento fundamental. Mas também farinha e diversos grãos secos onde o feijão seria rei. A carne seria de porco, vaca, carneiro toda salgada, mas também alguns animais vivos. Imagino galinhas para ter ovos frescos e alguma vaca para dar leite além da carne em algum momento. Talvez enchidos e queijos que era o habitual dos viajantes e peregrinos. Também pescando se comeria peixe fresco de modo a poupar ao máximo as provisões de secos e salgados. Os frutos seriam secos. Possivelmente figos, uvas, amêndoas, nozes, avelãs.  E claro que não faltaria vinho e água. Esta em barricas e a piorar a qualidade com o tempo. Mas que com algumas paragens para fazer as aguadas. Ou seja, o abastecimento de água, o bem mais precioso. A navegação exigiria toda o equipamento disponível à época, como as cartas de marear, compassos para traçar rotas, astrolábios, quadrantes.  Haveria equipamento de primeiros socorros em uso na época. E claro, as habituais bugigangas para trocar com os indígenas. Espelhos, sinos, facas, pentes, anéis e vidros coloridos, peças de roupa.  E com tanto valor a bordo e vidas a salvaguardar, não poderia faltar espadas, lanças, escudos, arcabuzes e balas, canhões e respectivas bolas de ferro. Capacetes e couraças. Tudo metido em embarcações que hoje nos fazem espantar de tão pequenas para tão grande aventuras e feitos.    

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 17:04
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2021

A leitura é uma amizade  

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A editora Relógio D´Água, editou recentemente 2020, “Sobre a Leitura” de Marcel Proust.  O autor fala das suas leituras e refere muitos outros autores. 

Na sua memória está presente o tempo dos seus pais pronunciarem “Vamos lá, fecha o livro, são horas de almoçar”, p. 9. Hoje a diferença estaria na palavra telemóvel e no livro que não se levava para a mesa.  Proust ao serão “quando já não havia muito para ler antes de chegar ao fim. Então, correndo o risco de ser punido…assim que os meus pais se deitavam, tornava a acender a minha vela;” p. 18.  Recorre a uma citação de Descartes no “Discurso do Método”: “a leitura de todos os bons livros é como que uma conversação com as pessoas mais bem-criadas dos séculos passados que foram seus autores”. P. 22.  E nesta partilha de leituras e de autores, refere que “Schopenhauer não adianta nunca uma opinião sem a apoiar logo a seguir em várias citações” … “Lembro-me de uma página de “O Mundo como Vontade e como Representação” em que há talvez vinte citações seguidas”. P.34.  Para logo a seguir dizer que “a leitura é uma amizade”. P. 36. Proust reconhece na leitura a construção do indivíduo, principalmente dos clássicos.

Proust, Marcel – Sobre a Leitura. Lisboa: Relógio D´Água, 2020

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 12:51
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Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2021

O Segredo de Compostela

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Alberto Santos já nos tinha oferecido “A Escrava de Córdova” e a “Profecia de Istambul”. Neste livro volta aos temas da História, que o autor bem domina.

O romance decorre no século IV, quando as elites romanas aderiam ao cristianismo. Uns grupos predicavam e interpretavam a tradição cristã de formas variadas. Prisciliano e o seu grupo pregavam a sua visão cristã no lado ocidental da península ibérica. Foram considerados hereges, e em consequência decapitados. Uma hipótese defendida por vários autores é a de que as ossadas descobertas num túmulo pertençam aos Priscilianos.

Quanto à lenda, só no século VII se difunde a ideia que Santiago teria predicado na Ibéria. E só no século XIX, o Papa Leão XIII decreta, sem qualquer comprovação científica que as ossadas poderiam pertencer a Santiago.

Santos, Alberto – O Segredo de Compostela. Porto: Porto Editora, 2013.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 18:35
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Domingo, 24 de Janeiro de 2021

Hypatia de Alexandria

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Hypatia foi uma filósofa, matemática e astrónoma da escola Neoplatónica de Alexandria do século IV. Nasceu entre 350 a 370 em Alexandria. Era filha de Téon de Alexandria que se distinguiu na filosofia, astronomia e matemática. Hypatia teve influência de Eudoxo de Cnido, de Diofanto, de Plotino, de Amónio Sacas e do próprio pai, Téon.  

Viviam-se os últimos tempos do Império Romano que enfraquecia e a breve se iria a desagregar. O seu espaço foi sendo ocupado pelo cristianismo. A cultura Greco-Latina foi sendo substituída de forma mais ou menos tumultuosa pela cultura cristã de influência neoplatónica. O espaço deixado pela administração imperial foi sendo apropriado pelos sectores do cristianismo intolerante e totalitário. As religiões diferentes foram perseguidas e mesmo no interior do movimento cristão desenrolavam-se lutas fraticidas entre as várias correntes de interpretação e prática cristã que se consideravam hereges entre si.

Neste contexto Hypatia que era próxima do governador de Alexandria, Orestes, tinha grande animosidade  por parte do Bispo Cirilo. A sua morte morreu barbaramente assassinada por uma horda de cristãos de Alexandria em 8 de Março de 415. Os cristãos atacaram-na, torturaram-na e lançaram-na a uma fogueira.

Tendo nascido em Alexandria, estudou em Atenas. Regressou à sua cidade natal para ensinar matemática e filosofia. Conhecia a obra de Ptolomeu e dedicou-se à construção de astrolábios.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 14:29
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Sábado, 23 de Janeiro de 2021

Dulcineia

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De 21 para 22 de Janeiro de 1961 o paquete “Santa Maria” foi tomado de assalto.

A acção revolucionária, de nome de código “Operação Dulcineia” foi efectuada pela organização composta por portugueses e espanhóis denominada Directório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL).  Era chefiada pelo português Henrique Galvão e pelo espanhol  Jorge de Soutomayor e composta por 24 exilados políticos portugueses e espanhóis.

A 24 de Janeiro Galvão lança o primeiro comunicado onde diz: : “Em nome da Junta Nacional Independente Libertação presidida General Humberto Delgado presidente também eleito República Portuguesa fraudulentamente privado seus direitos governo Salazar apresei ocupei com forças meu comando como primeira parte libertada do território nacional o navio “Santa Maria” depois breve combate pelas 1.45 a.m.” Pede reconhecimento político a todos os governos e povos livres do mundo e declara abertas as hostilidades contra “governo tirânico Salazar”.

O Navio é avistado apenas no dia seguinte, 25 de Janeiro, e passa a ser sobrevoado regularmente, sem qualquer sinal de hostilidade por americanos e ingleses.

Nos EUA, John F. Kennedy tomara posse como Presidente há cinco dias, a 20 de Janeiro de 1961.  

 

A 1 de Fevereiro Jânio Quadros toma posse como Presidente do Brasil e garante asilo político a Galvão.

No dia seguinte, o paquete atraca no Recife. Os passageiros começaram a desembarcar.

Chegava ao fim o sequestro do ‘Santa Maria’.

Os sistemas políticos que se estabeleceram cerca dos anos 30 e que levaram à segunda guerra mundial foram quase todos mudados.  Restava ainda o falangismo espanhol e o salazarismo português. Também desde a segunda guerra mundial a hegemonia política mundial passou  para os estados unidos da américa.

Durante Portugal foi deixado à sorte do ditador Salazar por complacência  e interesse dos  dos EUA, como se pode verificar pela adesão de Portugal à NATO em 1949.  

Segundo (Belo 2009)  quando do desenvolvimento do seu processo de adesão à NATO, o Governo português colocou a questão das suas colónias, face aos estatutos da Aliança Atlântica. Os aliados responderam que as colónias portuguesas “não poderiam considerar-se dentro da área de segurança prevista pelo Tratado, o que já acontecia com as possessões de outros países membros, como a França e a Inglaterra” (Rodrigues 2008 cit. in Belo 2009).

Segundo (Garcia 2001 cit. in Belo 2009 )“no quadro da Aliança Atlântica (NATO), África era apenas considerada uma área útil para manobras (nesse sentido, os EUA vinham utilizando bases militares no continente africano, instaladas nomeadamente em países como a Libéria e a Costa do Marfim), apesar dos repetidos apelos para a inclusão deste continente nos planos de contingência ou no perímetro de defesa da Aliança”.

“Segundo a visão do estrategista general Abel Cabral Couto, para além dos Estados, das Organizações Internacionais e das Organizações Transnacionais, passaram também a ser considerados actores do Sistema Político Internacional, os Movimentos de Libertação Nacional.” (Belo 2009: 15).

Poucos dias antes, a 11 de Janeiro tinha havido uma sublevação na Baixa do Cassange de cariz laboral na área algodoeira de Malange.

Logo a seguir á tomada do Santa Maria, a  4 de Fevereiro militantes do MPLA fazem o  assalto às prisões, Casa de Reclusão e Esquadra da PSP de Luanda.

A  organização apoiada e financiada pelos EUA, a 15 de Março, iniciam horrendos massacres que se espalharam por todo o Norte de Angola. 

John F. Kennedy, Jânio Quadros, a permanência num quadro ditatorial após a vaga democrática que seguiu à vitória dos aliados,  as fraudes eleitorais do regime salazarista, a organização dos opositores, os movimentos de libertação colonial (inicialmente apoiados pelos EUA, outros pela Rússia no âmbito da guerra fria e mais tarde também com interferência da China), a ocupação do paquete Santa Maria, o início da luta armada nas colónias. Dois meses que abalaram Portugal. (Em Dezembro do mesmo ano, 1961, a India invade e ocupa Goa, Damão e Diu em três dias).

 

 

Bibliografia

Belo, José António Dias Mota (2009) - Santa Maria – O Paquete Rebelde (Operação Dulcineia – “O acontecimento que viveu para ser esquecido”) Lisboa, Janeiro de 2009. Dissertação submetida como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História, Defesa e Relações Internacionais. ISCTE / ACADEMIA MILITAR

Couto, Abel Cabral (1988), Elementos de Estratégia – Vol. I, Lisboa, IAEM, 1988.

Francisco Proença Garcia,(2001) “Análise Global de uma Guerra. Moçambique 1964-1974”, p. 44.

Luís Nuno Rodrigues,(2008) “Salazar-Kennedy: a crise de uma aliança”, p. 23.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 19:21
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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2021

Não há só pandemia.

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A pandemia é uma questão de saúde que depende da ciência. Estamos a lidar com uma situação que não tem guião definido. É um vírus novo. O conhecimento científico vai sendo construído mas só depois das manifestações virais.   Não há adivinhação nem futurologia. É assim a ciência.  

Sendo uma questão de saúde geral, é também uma questão social. Depende do comportamento social. E sabemos que este campo é muito instável e por vezes irracional. Os comportamentos sociais podem ser tomados por pânico. Por comportamentos impulsivos e irracionalmente massificados. O tempo leva a desgaste psicológico e enfraquece o comportamento racional.  Os fenómenos gregários promovem tendências de massa por vezes negativas. O desconforto, a irritabilidade, as proibições, a contestação, a rejeição, podem a qualquer momento fazer irromper acções inorgânicas, irracionais, desestabilizadoras. As sociedades são assim. Têm capacidade de contenção e momentos de explosão. Quer uma e outra linha não devem ser ultrapassadas.

É também uma situação económica. A saúde precisa de recursos para actuar eficientemente na situação pandémica. A sociedade não pode parar a actividade económica. Mas a questão da saúde pública necessita de confinamento.  O confinamento prejudica a economia. A falta de economia compromete a racionalidade dos comportamentos sociais.

É à política, a administração da Polis,  à gestão da coisa pública, que cabe gerir a situação, os limites de cada um dos campos  e ser o vértice, o ponto de união deste difícil prisma.  Tanto mais difícil quanto a posição em que cada um se encontra vê o problema e os outros problemas pelo seu prisma, e obviamente refractado.

O domínio político tem acompanhado o conhecimento científico e adaptando à economia e ao comportamento social. Equilíbrio difícil por efeitos contrários. Em bom rigor e sem outras conotações pejorativas, diz-se em náutica que quando não há carta, a navegação faz-se à vista. Cautelosa e sempre com correcções. Este é o cenário que temos, mas é o único real. Tudo o resto são visões enganadoras dependentes do prisma com que as vemos.

 

António Borges regedor

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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2021

Ciência Aberta

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As formas de associação dos cientistas em Academias são os primeiros instrumentos de reconhecimento social da actividade científica.

A legitimação da actividade e produção científica pelos pares foi fundamental para o posterior reconhecimento social. E isso foi feito inicialmente pela sociedades científicas. As Academias. Em 1603 surgiu a Accademia Nazionale dei Lincei de Roma. Foi sócio desta academia Galileu Galilei. Em 1635 foi fundada a Académie Française. Em 1660 foi a vez da Royal Society de Londres e logo em 1666 a Académie des Sciences de Paris. Já em 1700 funda-se a Academia das Ciências de Berlim e em 1779 a Academia das Ciências de Lisboa.

As observações, experiências, inovações eram inicialmente apresentadas presencialmente nas Academias, para logo de seguida passarem a ser publicadas. E isso fazia-se nas próprias revistas das diversas Academias. A de Londres era a Philosophical Transactions e a de Paris com o Journal des Savants. Era a publicação nas revistas científicas que garantia a autenticidade da autoria, o que ainda agora acontece.

O crescimento da produção científica justificou o aumento de publicações científicas e o seu crescimento. No século XIX a produção científica aumenta nas Universidades e nos laboratórios industriais. Deixa praticamente de haver investigadores independentes para toda a produção se fazer dentro e enquadrada pelas instituições. Este fenómeno leva a A. M. Weinberg a designar o novo momento como Big Science em contraponto com a ciência anterior feita pelo investigador isolado no seu laboratório. Derek de Solla Price estuda o crescimento exponencial da ciência. E José M. Lopez Piñero tratou estatisticamente. E a investigação agora feita em grandes centros de investigação remete para Bruno Maltras que aponta para a profissionalização dos cientistas.

O final do século XX tem já como panorama uma grande parte da investigação feita em instituições privadas e já não exclusivamente nas universidades. E o paradigma económico liberal facilita transformar a produção científica num rentável negócio editorial. Sendo que a validação científica da produção continua a ser feita pela publicação de modo a ser divulgada pelos pares e colocada à discussão, ao comentário dos pares, as industrias de edição científica passaram a ter quase que a totalidade da publicação científica. Surge assim o problema do acesso `à publicação científica que passa a ser paga e dependente de interesse económico lucrativo. O que é contrário ao princípio da publicação para o conhecimento e confronto com a opinião dos pares e validação científica.

O passo seguinte foi necessariamente o de caminhar para o livre acesso ao conhecimento científico. A sociedade online veio possibilitar em muito a resolução do problema. A ciência aberta aumenta o trabalho colaborativo. Já não se limita apenas à disponibilização em fonte aberta das publicações, ou seja, aos resultados, mas também aos dados que estão na base dessas publicações.

O modelo de publicação em fonte aberta é da criação de repositórios de produção científica nas diversas instituições que estão ligados entre si, e pesquisáveis em grandes plataformas. Para dar o exemplo de Portugal: Uma tese é publicada online num repositório de uma universidade, que está conectado no directório Rcaap ( Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal) que é o grande repositório nacional. O que significa que qualquer investigação científica produzida está acessível a uma pesquisa em linha. Esta é também uma linha de orientação política da Comunidade Europeia através de vários instrumentos de promoção da ciência aberta.

 

António Borges Regedor

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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2021

La Boetie: A servidão voluntária

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La Boetie nasceu a 1 de Novembro de 1530. Estudou direito na Universidade de Bordéus. Em 1554 foi admitido na Magistratura, sendo Conselheiro no Supremo Tribunal de Justiça de Bordéus. Na sua vida conheceu Montaigne e é junto dele que morre a 18 de agosto de 1563.
O seu pensamento é de critica radical ao feudalismo e ao poder imposto.
No discurso sobre a servidão voluntária afirma que : É o povo que se escraviza, que se decapita, que, podendo escolher entre ser livre e ser escravo, se decide pela falta de liberdade e prefere o jugo” pag. 22.
Diz numa frase sua: Não vos peço que empurreis o tirano ou o derrubeis, peço-vos tão somente que não o apoieis” pag. 26
É desta forma que enfaticamente endossa a responsabilidade da tirania para a acção do povo. Quele que permite com a sua acção de apoio ou cobardia da escolha se deixa escravizar, oprimir, tiranizar.
La Boetie parte do princípio de que a natureza que naturalmente nos empurra para a socialização, não é por ela que a sociedade destina uma parte soa seus membros à escravidão. Ou seja, considera que não é por ordem natural que a sociedade oprime, subjuga, explora, divide, ou que provoca desigualdade, ou que não é solidária. Entende que a liberdade é natural e que todos nós nascemos livres e com vontade de defender essa liberdade com que nascemos.
“Há três espécies de tiranos. Uns reinam por eleições do povo, outros por força das armas, outros sucedendo aos da sua raça.” pag. 29. Admite que por engano os homens também se podem deixar subjugar. Dá o exemplo de Pisístrates que no século VI a.c. foi por três vezes tirano em Atenas.
Daí que afirme a importância da educação e que são os livros e o pensamento que transmitem aos homens o sentimento da sua dignidade e o ódio à tirania.
Assim, o tirano “só se sente em segurança quando consegue ter como súbditos homens sem valor” p. 42
Recorda a forma como Ciro dominou os Lídios sem ter de usar o exército e sem destruir a cidade. Fundou bordéis, tabernas e jogos públicos. Os jogos, espectáculos, gladiadores, medalhas eram para os povos antigos engodos da servidão. Os povos ludibriados achavam bonitos esses passatempos. Em Roma havia o circo e pão.
Não resisto a constatar como estava tão certo La Boetie. Actualmente, já só nos dão circo e jogos. Falta o pão e rareia a democracia.
 
La Boetie, Étienne de – Discurso sobre a servidão voluntária. Lisboa: antígona, 2020
 
 
publicado por antonio.regedor às 14:11
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Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2021

Amato Lusitano e o estudo da Sífilis

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A  Expansão Marítima de Portugal e Espanha não trouxeram da Américas do Sul apenas milho, açucar, prata e ouro. Levaram e trouxeram doenças epidémicas. Uma delas foi a Sífilis. E um português é figura importante no conhecimento clínico e epidemiológico dessa doença. 

Das quatro  treponematoses humanas conhecidas, a sífilis é a única que existe na Europa e que é transmitida por via sexual. Segundo (Morais 2019) estudos de biologia molecular apoiam a hipótese de que a sífilis foi introduzida na Europa a partir das Américas e ainda que  os avanços científicos nos domínios historiográfico, filogenético e paleopatológico são coincidentes sobre a sua génese sul-americana, sobre a data de introdução no nosso continente e sobre as circunstâncias sociopolíticas que determinaram a sua difusão.

O seu veículo de transmissão  foram os marinheiros de Cristóvão Colombo e o foco inicial do seu aparecimento  foi em Barcelona em 1493.

Vários autores referem-se a este facto e entre eles estão  Francisco López de Villalobos (c. 1473-1549), médico; Ruy Diaz de Ysla (1462-1542), cirurgião castelhano ; Gõçalo Fernández de Oviedo (1478-1557).

No estudo desta doença há um Portguês em destaque. É o médico João Rodrigues mais conhecido por Amato Lusitano. Um Cristão Novo resultado da conversão forçada de Judeus que nasceu em Castelo Branco entre 1510 ou 1511.  Estudou em Salamanca e foi mais um  entre muitos portugueses que por perseguição da Inquisição aos Judeus teve de fugir do País.  Fugiu para Antuérpia

Amato deve ter tido contacto com o estudo da Sífilis ainda em Salamanca num dos hospitais onde fez a sua formação. E posteriormente o seu contributo para o conhecimento clínico e epidemiológico da sífilis foi relevante. Boa parte da sua obra dedica-se à descrição do tratamento desta doença.

Foi professor e médico em Itália, viajou por toda a Europa e ainda pelo Império Otomano onde os judeus gozavam de liberdade de culto. Faleceu na Grécia, em Salónica vítima de epidemia de peste que ajudava a combater. 

Bibliografia:

Morais, J. A. David de (2019) - Introdução e difusão da sífilis na Europa: abordagem histórica e epidemiológica in Revista Portuguesa de Doenças Infecciosas. Volume 15 Setembro-Dezembro 2019 ISSN 0870 -1571

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 17:50
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Sábado, 9 de Janeiro de 2021

O mensageiro do Rei

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O mensageiro do Rei é um romance de  Francisco Moita Flores que coloca em paralelo  a realização de um filme com um romance, e dentro deste duas histórias de amor. A do Rei com a artista francesa e a do  mensageiro com a filha do burguês que queria ser conde.  O cruzamento da história do regicídio com a da implantação da república e do desânimo com esta última no advento da ditadura.

Com a experiência de Moita Flores temos as histórias de amor, com as apreciações políticas e notas sociais em que a nossa simpatia se reparte por todos. Simpatia pelo mensageiro e o infortúnio do seu amor não autorizado. Pela sua amada que é encerrada num convento por ordem do pai. Pelo Rei que se vê com um reino para governar, sem que isso lhe interesse ou alguma vez o esperasse. Pela sua amada que aceita o afastamento por amor de quem terá de fazer um casamento de conveniência real. O Rei segue o seu caminho real, o mensageiro enriquece na américa, a artista e amante real tem reconhecimento e fama internacional. Só a namoradinha do mensageiro morre de tuberculose o que nos faz nutrir ainda mais simpatia por ela.

É leitura obrigatória que certamente não será obstáculo de outras actividades porque o livro lê-se com a avidez do conteúdo.

Flores, Francisco Moita - O mensageiro do rei. Alfragide: Casa das Letras, 2017

António Borges Regedor

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