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Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2020

Manuel Resende

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A morte de um amigo deixa-me mais só na minha geração que tem a marca do Maio de 68 e Abril de 74. Conheci o Manuel Resende no Porto e com ele partilhei alguns momentos da transformação social democrática em Portugal. Engenheiro que se fez jornalista no Jornal de Notícias. Anti-militarista que se fez líder de soldados. Poeta que também traduziu poesia. A sua poesia pode ser encontrada na editora “cotovia”. A tradução do grego Konstantínos Kaváfis, uma edição da editora “FLOP” está em português e grego.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 12:40
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Terça-feira, 28 de Janeiro de 2020

15 anos a blogar

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A 28 de Janeiro de 2005 apareceu o blog Bibvirtual. Era uma forma de comunicação em grande expansão, à época. A SAPO tinha sido criada na Universidade de Aveiro e alojava muito dos blogues que se escreviam nesse tempo. O bibvirtual surgiu no contexto de aulas de ciência da informação que eu leccionava no curso de ciências e tecnologias da documentação e informação na Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão do Instituto Politécnico do Porto . O blog serviria para aqueles alunos de Licenciatura poderem comunicar entre si os estudos que iam fazendo e registando no blog. Dentro ou fora da sala de aula, todos estavam em comunicação permanente. Os estudos, as leituras, as interrogações de uns, serviam todos os outros. Foi um curso excelente, de onde saíram alunos excelentes. Facilmente integrados no mercado de trabalho e alguns em continuação de estudos.

Passada essa fase inicial, o bibvirtual continuou na mesma linha de apresentação de temas e notícias de ciência da informação. Evoluiu para integrar a temática das bibliotecas escolares, e apresentação de iniciativas editoriais . A partir de 2018 para além do livro como a principal presença nos post, outros temas de filosofia, ambiente e social também passaram a aparecer no bibvirtual. Essa diversidade é presentemente o seu perfil.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 15:00
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Quinta-feira, 9 de Janeiro de 2020

Dois Papas

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O filme “Dois Papas” põe em diálogo duas igrejas, duas formas de pensar a religião e a igreja, duas experiências e visões do mundo.

O Papa Ratzinguer, oriundo de um mundo desenvolvido. De um espaço religioso em que o maior confronto do catolicismo é com o protestantismo. Daí um papa, com a necessidade de evidenciar o recto pensamento teológico. Ratzinguer procurou centrar-se no Espírito Santo, tentando expurgar o que mais se desvia da ortodoxia divina.

Bergoglio é um Jesuíta de uma região pobre do globo. Que ao contrário do seu antecessor que sempre viveu afastado do mundo, Bergoglio sempre esteve em contacto com os pobres e oprimidos. Ele próprio sentiu a violência e a perseguição feita aos Jesuítas.

Ratzinguer especulativo e Bergoglio prático.

publicado por antonio.regedor às 14:07
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Quarta-feira, 8 de Janeiro de 2020

Sentimento de impunidade

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O Contrato Social assenta em princípios civilizacionais de Defesa, Segurança, Justiça, Educação, Cultura, e em valores de respeito, cortesia, solidariedade, trabalho e contribuição para o bem comum e estima da (rés)coisa pública.

O bem estar social não pode aceitar a destruição do que são pilares civilizacionais e valores sociais.

AS FFAA são cada vez mais solicitadas a uma multiplicidade de missões que vão da defesa à protecção civil e ambiente. Não é aceitável o desprezo e desvalorização do principal corpo de defesa nacional. AS forças de segurança pública querem-se cada vez mais civilistas, mais próximas e diversificadas nas suas competências. Não é aceitável o desrespeito e agressão a agentes de segurança pública. A educação é cada vez mais universal e mais ajustada às necessidades cognitivas dos estudantes. Não é aceitável a falta de respeito a um professor, a agressão por familiares e mesmo pelos próprios alunos. A saúde é continuamente melhor, mais preventiva, mais profissionais, mais próximos dos cidadãos, melhor acompanhamento, mais e melhores instalações e equipamentos. Não é aceitável a agressão aos profissionais de saúde.

O clima de impunidade não é aceitável. Reverter a legislação permissiva destas práticas anti-sociais e corrosivas da coesão social é imprescindível e urgente. A defesa da coesão da polis, a defesa do em estar, segurança e tranquilidade social é uma tarefa da democracia como forma de viver em contrato social. É uma responsabilidade das forças políticas democráticas, sob pena de se tornar bandeira dos grupos políticos autoritários, anti- democráticos e defensores das ditaduras.

publicado por antonio.regedor às 16:05
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Terça-feira, 7 de Janeiro de 2020

A insegurança de viver em paz

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Porque o assunto é demasiado sério, fica o registo para memória futura.

Qasem Soleimani

AEra o general comandante dos Guardas da Revolução, a principal força do regime do Irão. E também das milícias Quds. 

Foi o influente orientador do movimento militar Hezbollah. Este movimento está fortemente implantado no sul do Líbano. Conteve e derrotou Israel num ataque/invasão do sul do Líbano. O Hezbollah tornou-se um exército disciplinado, bem treinado, muito eficiente na guerra. Foi decisivo no combate contra os mercenários do Daesh contratados por toda a europa e médio oriente. O Hezbollah foi decisivo no terreno da Síria, na contensão do expansionismo sionista, e no apoio da política Persa/Xiita no Iraque. A coordenação dos vários grupos de combatentes Xiitas, dos seus resultados positivos em campo de batalha e de boa imagem das políticas xiitas foi obra de Qasem Soleimani.

Isto tornou-o no homem, mais temido e mais odiado dos Sunitas/Wahhabitas que reinam a Arábia Saudita e cuja política externa consiste na difusão do fundamentalismo wahhabita, na desestabilização dos países da região e no fomento do terrorismo. Qasem era odiado pelos sionistas de Israel que não conseguiram derrotar o Hezollah no sul do Líbano nem a sua estratégia na Síria. O Hezollah sendo movimento islâmico foi importante na derrota do fundamentalismo do Daesh e é hoje um elemento de estabilidade no sul do Líbano. Qasem Soleimani é odiado e temido pelos Estados Unidos por lhes ter anulado o derrube de Assad e revertido a guerra na Síria.

Qasem Soleimani foi o general da vitória na Síria, o comandante dos guardas da revolução iraniana, o orientador do Hazollah e actualmente o organizador de resistência à agressão americana no Iraque.  Guerra iniciada com a mentira das armas que o Iraque não possuía.

Qasem Soleimani foi decisivo na derrota do terrorismo islâmico do Daesh. O Daesh era apoiado pela Arábia Saudita, Israel, Estados Unidos e Turkia. Qasem Soleimani simbolizava a derrota de todos eles.

A assassinato terrorista deste General vencedor, apresenta-se como vingança e acção não ponderada por representar escalada de acção de retaliação e propiciadora de guerra a mais larga escala. Os Estados Unidos saem do Iraque sem vitória, sem glória, sem moral. Arriscam a sair derrotados, anulados e humilhados. Por cada passo em falso, o império enfraquece.

 

publicado por antonio.regedor às 15:20
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Quinta-feira, 2 de Janeiro de 2020

Mudar a cidade

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Nos últimos cem anos o carro mudou o paradigma de vida urbana. Associado ao petróleo criou um novo mundo assente no triângulo militar industrial. Carros, petróleo, armas. No século XIX mesmo a casa da cidade tinha galinheiro. No século XX trocou-o pela garagem. É agora visível, no século XXI que a vida na cidade e a sua forma de mobilidade se tornou um problema insuportável. O filme de terror podia ter o título de cercados por carros por todos os lados.

Ainda nasci a tempo de jogar a bola na rua, andar de triciclo em passeios de dois metros de largura. No passeio de uma rua a descer pude exercitar o equilíbrio necessário para andar de bicicleta. Nesse tempo, a rua era a ligação entre as duas faixas de casas. Hoje é uma barreira. A ligação foi mesmo restrita a uma faixa tracejada onde nem aí é seguro a travessia. As ruas tinam árvores que protegiam as casas dos ventos de inverno e amenizavam a temperatura no verão. Os começaram por estacionar entre as árvores, mas em pouco tempo roubaram-lhes o lugar. E a travessia da rua focou ainda mais blindada por fiadas de ferro e chapa. Os carros devoraram praças e jardins. Esconderam-se nas caves dos prédios e cercaram os quarteirões onde vivemos. Já dificilmente posso usar a bicicleta.

O caos na mobilidade, o custo da energia, a degradação da qualidade de vida, a falta de espaços de locomoção em segurança, a pegada ecológica e a evidente alteração climática resultado do modelo industrial e de mobilidade do paradigma actual, faz inevitavelmente querer mudar. Mudar para cidades mais humanizadas. Cidades com zonas pedonais, arborizadas, cicláveis. Com transporte público de qualidade, onde use o carro quando e onde necessário sem que ele seja a única forma de chegar onde quero. Carro que não polua, mas que sela alimentado a energia de fonte renovável e produzida por um aparelho de dimensão doméstica. Uma eólica ou fotovoltaico no telhado da casa que produza a energia que necessito. Sem facturas nem ivas nem outras complicações.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 15:27
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