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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2020

ortodoxia

7-fatos-que-mostram-a-ligacao-entre-voce-e-o-cosmo

Onde está a ortodoxia? O que a fundamenta?

Ortodoxia é segundo o Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa a qualidade do que está de acordo com a doutrina oficial de uma igreja.

Num curto espaço de tempo vimos três formas diferentes de teologia, de orientação e governação da igreja católica. João Paulo II, marianista. Com ele o governo da igreja foi acompanhado pelos escândalos do IOR ou banco do vaticano . Bento XVI, teólogo do espírito santo, preocupado com a fundamentação teológica , foi incapaz de fazer reformas na cúria e talvez por isso não tenha resistido a esse poder oculto que o continuou a manipular contra o novo papa. Francisco, o da simplicidade e proximidade tenta a mudança possível num vaticano com dois papas. Não será fácil orientar a igreja para a simplicidade. Não será fácil denunciar a economia que mata numa igreja de poder e de dinheiro. Qual destas três orientações é a ortodoxa? Poderão ser todas mesmo sendo tão diferentes. Poderá não ser nenhuma por incapacidade de determinar a verdadeira. Mas não é dramático que assim seja. A ortodoxia é o resultado de uma colectânia de pensamentos e confronta-se com a realidade. Em todas as religiões a ortodoxia dos livros sagrados resulta da compilação de textos diversos e escritos em tempos diferentes.

Os hebreus iniciaram a sedentarização em Canãa onde se venerava Baal e Asherah. Aí confrontaram-se com a civilização local. A sua ortodoxia vacilou. Dividiram-se em dois reinos. O do Norte aceitava tanto Jeová como Baal. Ainda hoje vemos os seguidores da tora divididos por várias correntes da mesma religião.

Os judeos, que passaram a cristãos depois da morte de cristo, confrontados com as realidades locais, adoptavam os costumes e festas existentes vestindo-as de cristãs. Até os locais de culto pagão (culto local mais antigo) passavam a locais de culto cristão. As divisões administrativas territoriais foram adoptadas do império romano. O Arianismo era o culto na península ibérica visigoda e sueva e que na ocupação islâmica era conhecido como tiro moçárabe. No período em que portugal conseguia o estatuto de reino, a cristandade local dividia-se entre o rito romano, o dos cruzados, e o rito hispânico, gótico ou moçárabe, dos que cá estavam. E o do bispo de Lisboa morto às mãos dos cruzados do tiro romano. A violência dos cruzados em Lisboa, foi contra os do rito moçárabe e não contra os mouros. Por isso Afonso Henriques pediu para poupar a população de Lisboa. Ele que tinha sido educado por bispos do rito moçárabe e que tinha um tio mouro. (Stilwell, 2015)

E a ortodoxia estava difícil de distinguir nos anos do Grande Cisma entre 1378 e 1417. “Sabemos que durante os anos de 1410-1415, na cadeira romana sentava-se Gregório XII, o já octagenário venesiano Ângelo Correr, na de Avinhão o aragonês Pedro Luna, como Bento XIII, bem como o supracitado, Baldassare Cossa, um napolitano eleito e sagrado em Bolonha, reconhecido com adopção do nome de João XXIII”. (Fonseca, 2015; p.65).  Tudo ortodoxia como é da definição.

Alguns autores defendem que Frei João Xira pregou em Lagos em 1415 o perdão a quem se alistasse na armada para a conquista de Ceuta com a bula concedida pelo antipapa João XXIII ao Rei João I de Portugal. (Fonseca, 2015)

E quanto ao  islão logo após a morte do fundador, dividiu-se em duas ortodoxias. A do companheiro Bakr e a do genro do profeta. E destas saíram mais ortodoxias. Ortodoxias é o que não falta no Islão como nas outras confissões.

Bibliografia
Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa. Lisboa, 2001

Fonseca, Joao Abel da – A empresa de Ceuta , Dos antecedentes as circunstâncias que ditaram as causas próximas. In Fonseca, Joao Abel da; Maia, Jose dos Santos; Soares, Luis Couto - . Ceuta e a Expansao Portuguesa. Lisboa: Academia de Marinha, 2015. ISBN: 978‑972‑781‑130‑4

Stilwell, Isabel – D. Teresa. Lisboa: Manuscrito Editora, 2015 isbn: 9789898818027

Doxa  (filosofia)– o mesmo que opinião Conjunto de ideias e juízos generalizados e tidos como naturais por uma maioria. (Dicionário Priberam)



António Borges Regedor

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publicado por antonio.regedor às 20:00
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2020

A vida com ameaça

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O aparecimento de um novo vírus, levou de imediato a tomar algumas precauções, mas a consciência de se tratar de algo duradouro obriga a pensar os nossos comportamentos e hábitos. Ter consciência que não é apenas a resolução do contágio , mas essencialmente os procedimentos de protecção. Desde logo hábitos alimentares para reforço das defesas orgânicas e hábitos físicos para reforços dessas defesas.

Comida saudável, variada em proteínas, hidratos de carbono, vegetais, fruta, água. Será preferível à comida repetitiva, plástica, pobre do hamburger, pizzas e batatas fritas. Redução ou eliminação do açúcar processado.

A escolha da actividade física também pode ser importante. A preferência pela actividade em espaços abertos e actividades de nulo ou baixo contacto físico.

Evitar as actividade em espaços fechados sempre que possível. Preferir a deslocação por locais com menos aglomeração de pessoas. Preferir transportes que dependam essencialmente de nós, como a bicicleta por exemplo.

Sabendo que estamos a agir com mais segurança, reduzimos o medo. Aumentamos a tranquilidade face aos desafios da vida.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 14:16
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2020

A luta contra os vírus do livro.

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Atenção: a foto é de um insecto e nada tem a ver com vírus. 

Atenção: o título é uma metáfora.

 

São vários os “vírus” que atacam o livro. Não se trata de um vírus como o que agora bem conhecemos que saltando do seu hospedeiro natural, procura o ser humano para a sua continuidade biológica. É doutros “vírus”, com aspas porque com outros significados.

Começamos pela condição química que limita os livros no tempo. E para esse "vírus " do tempo, os cuidados de preservação e restauro são necessários. Mas também a condição mecânica do livro o fragiliza. O manuseio, transporte e acondicionamento. A página dobrada ou rasgada, o caderno solto; a areia, ou a chuva. Sim porque o livro é de todo o terreno, e isso naturalmente degrada-o. Até há alguns livros que servem para colocar por baixo da perna da mesa para a estabilizar. Também pode servir para colocar por baixo do monitor do computador. Outros livros vão parar ao sótão ou à cave. E tudo isso enfraquece o livro e lhe limita a vida. Mas há também o ataque dos “vírus” biológicos. De vez em quando lá aparece entre outros, um lepisma saccharina (1) para fazer dos livros o seu restaurante. E contra esses o melhor remédio é os livros não ficarem esquecidos por muito tempo. Serem lidos, consultados, mudados de lugar, reordenados é a melhor solução contra os insectos. Outro perigo para os livros é o inovador “vírus" técnico. O que dá por nome de computador. O e-book, e toda a sorte de suportes digitais que concorrem com o livro clássico em papel. A predição do seu sucesso não tem sido tão grande como a anunciada. O anúncio do fim do livro continua em anúncio. É verdade que o suporte digital do livro ganhou espaço nos nossos formatos de leitura, especialmente na literatura técnica e científica. Mas a leitura de lazer continua a fazer-se essencialmente em papel. E sem receio o livro em suporte papel vai coexistir com os outros suportes, tal como foi durante toda a história do livro. Os suportes mudaram, o livro sempre existiu. A grande preocupação, aquela que realmente importa é que é dos maiores perigos para o livro são os "vírus" sociais. Um deles é o "vírus" educativo. O que desvaloriza o livro em favor de outras formas de entretenimento. O livro não deixa de ser um brinquedo, com que se constroem aventuras, como com qualquer outro brinquedo. O “vírus” cultural que desvaloriza as humanidades a favor das tecnicidades. A técnica sem ética não é progressiva, não é construtiva, não tem utilidade nem humanidade. O “vírus” político é dos mais perigosos por desvalorizar os sistemas e redes de informação, por desvalorizar as bibliotecas e arquivos que são os repositórios públicos do conhecimento. Por desvalorizar a função e competência específica desses profissionais da informação social. Porque os desvalorizam, os "olvidam" e dessa forma não têm os melhores a cuidar da informação social como res publica. E estes vírus sem política formada para as bibliotecas e arquivos, são os piores bibliófagos.



  • lepisma saccharina um insecto rastejante com cerca de 8 a 11 mm em adulto, prateado e com forma de peixe. Desenvolve-se em ambientes com humidade relativa superior a 50% e a temperaturas de 16 a 26 graus. Os ovos eclodem em seis meses.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 13:07
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Terça-feira, 1 de Setembro de 2020

Feiras do Livro 2020

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Neste ano de pandemia as feiras do livro viram-se arrastadas para o tempo de verão. Recuaram, mas não se renderam. Neste momento decorrem as Feiras do Livro de Lisboa e Porto. O Livro teima em não desaparecer. Mas não tem vida fácil. Outros produtos culturais concorrenciais estão mais próximos e têm mais promoção. A música, os filmes e séries de televisão por exemplo. A promoção e o apoio político ao Livro é a sua grande debilidade. A percepção é que a leitura de lazer é cada vez menor, a venda de livro a recuar pelo que se ouve dos comerciantes de livro e uma menor visibilidade das bibliotecas pública. Mas nem disto se pode ter a certeza, porque não há dados suficientes, actualizados e fidedignos para se estabelecerem indicadores. O último estudo sobre comércio livreiro em Portugal é de 2014. Dos Hábitos de Leitura o último estudo é de 2005. Estudo que durante muito tempo foi feito anualmente. A associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) deixou de os encomendar. Neste momento o site da APEL refere a Feira do Livro de Lisboa, mas omite a Feira do Livro do Porto. A Direcção Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB) , publica anualmente um relatório da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP), mas neste momento o último relatório disponível é o de 2018. Ainda assim é a fonte que conhecemos mais actualizada sobre a tendência de leitura e uso das bibliotecas, mas que naturalmente não nos fornece todos os dados sobre leitura e hábitos de leitura.

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 19:56
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2020

Os Debates e a Democracia

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A democracia surge na Grécia clássica baseando-se no uso da palavra para todos os cidadãos. Os cidadãos reunidos em Assembleia na "Ágora" tomavam as decisões políticas. A palavra tinha o mesmo valor para qualquer cidadão. O uso da palavra tornava-se fundamental para a decisão política que fosse a melhor para a cidade. E porquê o uso da palavra? Porque o objectivo da Assembleia era o de chegar a uma decisão consensual. E para chegar ao consenso é necessário expressar pontos de vista, contrapor, discutir, argumentar, dialogar. E na base do consenso obtinha-se a decisão mais conveniente para a cidade.
Temos assim que o objectivo do cidadão grego no exercício da democracia, não era o de derrotar o outro, mas o de encontrar a melhor solução para a cidade. E isso só se consegue pela discussão, pela apresentação de argumentos, pelo diálogo e pela convicção de todos da melhor decisão.
O homem grego era educado para a "Arethé", ou seja para a excelência. E excelência significa defender não o seu interesse particular, mas o interesse de todos. O melhor para a cidade. Se a decisão for a melhor para todos, também é a melhor para cada cidadão individualmente. E esse era o princípio da educação Grega, da Cidadania, da Democracia da Grécia Antiga.
A Democracia começa no debate e enfraquece ou morre quando se quer reduzir o debate.
 
Ágora – espaço público no centro da cidade.
 
António Borges Regedor
publicado por antonio.regedor às 18:51
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Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020

Revolução Industrial

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Locomotiva, a máquina a vapor que é produto da revolução industrial, mas ao mesmo tempo produtora dessa mesma revolução que a produziu. Era assim como uma pescadinha de rabo na boca. Os comboios, à época, eram composições formadas por uma significativa diversidade de carruagens. Locomotiva, vagão do carvão, vagão cisterna da água, carruagem do correio, carruagens de passageiros e no fim as carruagens de mercadorias.

As carruagens de passageiros eram estratificadas em três classes de conforto ou falta dele. Cada categoria de carruagem de passageiros tinha o preço a que cada classe social podia aceder. Os burgueses industriais ou comerciante enriqueciam. Os nobres empobreciam e em breve iriam falir e só ficar com os títulos, a arrogância e a frustração. Os servidores públicos, profissionais liberais, intelectuais de alguma posse ou rendimento, estavam no meio da escala social, e por isso a sua necessidade de afirmação política. Finalmente a arraia miúda, os pés descalços, a tropa fandanga, serviçais, criados e jornaleiros.

Cada um seguia na carruagem da vida e na que lhe correspondia no caminho de ferro.

No fim do comboio seguem as carruagens de mercadorias. Vão carregadas com matérias primas ou produtos acabados. São pedaços suados das minas, da agricultura, das oficinas e fabriquetas. Há carruagens para animais vivos, mais mortos que vivos pela viagem, a caminho do matadouro.

É a locomotiva da vida, da revolução industrial. A locomotiva que passou a levar as notícias mais depressa, as ideias mais longe, e também puxou revoluções. A locomotiva que tirou gente do campo e os levou à cidade. A máquina do comboio mágico que engolia camponeses num lado e vomitava proletários noutro lugar. A locomotiva que no fim de cada linha iniciava nova era.

O comboio que produziu a burguesia e que atirou a aristocracia para o tombo de história; Que deu luz à ciência e à técnica e ofuscou o clero; A locomotiva que puxou o comboio da história com novas ideias sociais e políticas. O comboio do liberalismo com nova economia e nova organização social. A locomotiva liberal que cilindrou o clero com a mais radical política anti-clerical na história de Portugal. O comboio que expulsou as ordens religiosas, lhes expropriou os bens, edifícios, igrejas, bibliotecas. A locomotiva da reforma administrativa que retirou ao clero as freguesias e os registos de nascimentos e óbitos. A máquina a vapor que encurtou distâncias; levou as gentes mais longe; rasgou caminhos; abriu horizontes. O comboio mudou o tempo, alterou a paisagem, queimou etapas. A máquina a vapor mudou o pensamento, a ciência, a filosofia, a pintura, a literatura. A locomotiva fez revoluções, escreveu História.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 13:41
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Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020

Locomotiva

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Locomotiva a máquina a vapor que é produto da revolução industrial, mas ao mesmo tempo produtora dessa mesma revolução que a produziu. Assim como uma pescadinha de rabo na boca, tal como a composição formada pelas diversas componentes dos comboios da época. Locomotiva, vagão do carvão, vagão cisterna da água, carruagem do correio, carruagens de passageiros estratificadas em três classes de conforto ou falta dele e de preço a que cada um podia aceder, assim como na vida real, na sociedade da época. Os ricos, burgueses industriais ou comerciante, que os nobres em breve iriam falir e só ficar com os títulos, a arrogância e a frustração. Os servidores públicos, profissionais liberais, intelectuais de alguma posse ou rendimento. E finalmente a arraia miúda, os pés descalços, a tropa fandanga, serviçais, criados e jornaleiros. Cada um na carruagem da vida e a que o caminho de ferro lhe fazia corresponder. No final, as carruagens de mercadorias. Matérias primas ou produtos acabados. Coisas das minas, da agricultura ou das oficinas e logo de seguida das fábricas cada vez maiores. Animais vivos, mais mortos que vivos pela viagem a caminho do matadouro.

Eis a locomotiva da vida, da revolução industrial, a que passou a levar as notícias mais depressa. Mas também as ideias mais longe, e as revoluções, A locomotiva que tirou gente do campo e os levou à cidade. A locomotiva que puxava todo este comboio mágico que engolia camponeses num lado e vomitava proletários noutro lugar desconhecido, tormentoso e sem retorno. O fim da linha, mas início de nova era.

A locomotiva que produziu a burguesia, que atirou para o caixote da história a aristocracia. Que qualificou o conhecimento da ciência e da técnica e desqualificou o clero. Que ganhou novas ideias sociais e políticas e inventou o liberalismo para organizar a sua vida, a sua economia, a sua política, a sua sociedade. Não conheço bem os outros países, mas no caso concreto de Portugal, foi a ideologia mais radicalmente anti-clerical que da história do País. Expulsou as ordens religiosas, expropriou-lhes todos os bens, edifícios, mosteiros, conventos, igrejas, bibliotecas. Retirou-lhes o poder dos registos demográficos, ficou-lhes com as freguesias.

A locomotiva encurtou distâncias, levou as gentes mais longe, rasgou caminhos, abriu horizontes. Mudou o tempo, alterou paisagem, queimou etapas. Mudou o pensamento, a ciência, a filosofia, a pintura, a literatura. Fez revoluções, escreveu História
 
António Borges Regedor
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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2020

No curso da água quente

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A viagem tinha rumo ao sul. Até Lisboa a boleia tinha sido de um senhor de meia idade que ia ao aeroporto da capital buscar uma filha que chagava do estrangeiro. Se disse de onde era, já não me recordo. A conversa fazia-se de assuntos vários e banais para matar a monotonia da estrada que se fazia a baixa velocidades. Não era para mais. Nem o carro era fogoso, nem o condutor desportivo. E a estrada ainda era o resultado dos caminhos romanos reconstruídos no Fontismo e que ainda nos anos vinte do século XX eram de terra batida. O percurso incluía entrar e sair das cidades, cruzar localidades e muitos obstáculos como feiras, festas, outros carros caminhetas e carroças. Cruzamentos, entroncamentos e outros contratempos. Fiquei numa bomba da segunda circular, já em Lisboa, com a intenção de continuar mais para sul ainda nesse dia. Ficar em Lisboa, tendo só um parque de campismo em Monsanto, estava fora de questão. A abordagem ao motorista de camião foi positiva. A limitação é que ia para Sines. Aceitei. Era melhor que ficar apeado numa estação de serviço. O camião ia descarregar para uma obra do Porto de Sines. O importante era seguir para Sul, pouco importava por que caminho. Já na ponte, ao tempo com o nome de Salazar, a cidade branca, a cor com que a vi já a meio da tarde, ficou para trás.

Sines apresentou-se já com luz de fim de de dia. Não foi fácil encontrar o camping, nem hoje o saberia encontrar de novo. A tenda foi montada na companhia da luz da lua. O comer foi o pouco que ainda havia na mochila, e acabou-se. O dia seguinte seria diferente.

O ar quente da manhã levou-me para a praia. Iria fazer o primeiro banho de mar em início de férias. Não me lembro de alguma vez ter tomado banho de mar com água tão fria. Dores nas articulações. Imobilidade dos músculos. Óbvia saída rápida da água. Perdura no meu cérebro o banho gelado nas águas de Sines.

Sair de Sines foi a decisão imediata. Foi necessário fazer alguns kilómetros até à estrada nacional para o Algarve. A ausência de transito à saída da vila arrastou por horas a tentativa de boleia. Nestes casos tomava-se a opção possível. Ir caminhando pela estrada de braço estendido, polegar erguido. Sempre era melhor que parado ao sol. Ia-se ganhando em kilómetros o que se perdia em tempo. Uma carroça puxada por uma muar foi lentamente ganhando terreno até me alcançar. A boleia na lentidão da carroça era melhor que a caminhada a pé. Bem melhor que ver passar carros que não paravam. e incomparavelmente melhor que o caminhas pela berma da estrada atraindo o pó para juntar ao suor.

Assim se reduziu a distância até a carroça se internar em caminho entre campos, e eu ficar novamente na estrada sujeito à sorte de caminhar para sul em busca da água quente.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 18:33
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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2020

cavalo de ferro

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Aguardava o último comboio do dia e o que faria ligação na estação central. Linha única ao longo do percurso. Só dupla nas estações para cruzamento dos comboios. Ainda o sol ia quente e o melhor que se podia encontrar era a sombra de pequenas árvores, e elas também com sede. O tempo ia passando para além da hora de tabela do comboio, e o tempo aumentava o estranho da situação. Demasiado tempo era já motivo para descartar o atraso e colocar outra hipótese. Perguntando o motivo do significativo atraso, a resposta foi a de que a locomotiva teria avariado mas que a composição já teria saído com atraso que eventualmente poderia ser recuperado em parte. Foi recobrada a paciência para continuar a espera, até que surgiu ao longe o comboio ansiosamente desejado. Era uma composição com duas locomotivas. A que efectivamente locomovia, e a outra que por avaria e sem capacidade própria se deixava arrastar. Não que não quisesse, mas por não poder. Para além destas, vinham as duas carruagens de passageiros. Uma bizarra composição de duas locomotivas para duas carruagens. Já dentro do comboio e com grande atraso, sem outras composições para cruzar, sem mais ninguém que aquele único comboio naquela única linha, foi então ver do que era capaz aquela locomotiva. O arrancar era penoso, o ganhar velocidade era lento, mas quando lançada na sua força máxima era vê-la cortar o vento que entrava quente pelas janelas abertas, o som ritmado, rápido, do deslizar nos carris, o chiar da fricção das rodas nos carris ao fazer as curvas, sem abrandar, a querer voar galgando distância, a comer tempo engolindo o ar e a sentir realmente o que é um cavalo de ferro.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 15:51
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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2020

FEST em Espinho

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Decorre simultaneamente em Espinho, Porto e Lisboa o FEST- Festival Novos Realizadores | Novo Cinema.

Fazer um festival de cinema é difícil. Muito mais nas actuais condições de confinamento, de limitação de mobilidade, de medidas adicionais de cautela em saúde pública e da retracção dos apoios, colaborações e parcerias.

E pelo que se sabe, o FEST tinha um festival preparado, e que devido à pandemia teve que reformular em pouco tempo, resultando num festival diferente.

A competição internacional, que este ano integra 10 obras de cineastas emergentes , vai decorrer, em simultâneo, em Espinho (Auditório da Junta de Freguesia de Espinho e Cinema Drive-in), no Porto (Cinema Trindade e Casa Comum/ Reitoria da Universidade do Porto) e em Lisboa (Cinema Ideal).

E os organizadores, o Director Filipe Pereira e a sua excelente equipa, tiveram a coragem de o fazer. Não se intimidaram com as dificuldades e imprevistos e tudo resolveram de modo a cumprir o FEST.

E se todas as dificuldades apontadas eram já suficientes para enorme preocupação com a organização em um local, o FEST, é ainda mais audaz e realiza em simultâneo o festival em três cidades.

O FEST nasceu em Espinho, pequeno, ainda me lembro, mas isso nunca o limitou. Desde sempre teve a preocupação de ultrapassar a barreira física do local onde nasceu para ganhar espaço mais amplo nacional e internacional. E sempre promoveu o Festival fora de Espinho, também me lembro porque assisti a algumas apresentações do FEST no Porto.

Do ponto de vista do programa é de uma cuidada escolha. Bons filmes, bons realizadores. Boas surpresas. Pessoalmente é nos festivais de cinema, com as ante-estreias ou ciclos ou trabalhos a competição que tenho visto dos melhores filmes que me recordo. E Espinho, terra de vários géneros de festivais de cinema tem-me dado essa oportunidade.

O que escrevo é resultado da observação da sessão de abertura, de uma sessão em sala e da experiência do drive-in.

Uma inovação e excelente forma de pensar o futuro de espectáculos em risco de pandemia é o drive-in. E esta inovação do FEST, devia servir para obtenção de conhecimento e competência para realizações futuras. A segurança sanitária é assegurada pelo distanciamento social. O modo de reservar o bilhete por contacto on-line com confirmação da reserva. É garantido o conforto. É possível a qualidade do visionamento do filme ou do espectáculo pelo posicionamento ordenado das viaturas de modo a que todas têm linha de visão. O som é fornecido pela sintonização de uma frequência no próprio carro. E tudo isto será ainda mais importante quando o tempo atmosférico não for tão favorável a espectáculos ao ar livre sem conforto.

E no caso concreto do drive-in do FEST, o controlo de entradas, a localização, a mobilidade das viaturas na entrada e saída tem sido feita de forma célere e eficaz e evoluindo com a experiência.

O FEST é um exemplo a seguir e arrisco a dizer que se formou uma equipa competente na organização deste tipo de evento. Parabéns a quem tem estado no terreno. O próprio director do festival afirma que “o sucesso se deve já ao grande número de colaboradores que dão corpo ao conjunto de tarefas necessárias à concretização do festival.”

O FEST tem enorme potencial de crescimento. É merecedor da nossa atenção e da nossa presença.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 12:10
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