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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018

Bibliotecas da Rede Gulbenkian

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A rede de bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian é criada a 4 de Setembro de 1956, fazendo parte do serviço de educação, de acordo com a vontade testamentária do seu fundador, Calouste Sarkis Gulbenkian.

A rede privada de bibliotecas de leitura pública assenta numa concepção que se afasta claramente do paradigma continental e tradicional de bibliotecas, criadas por legislação que endossa às autarquias os custos do seu funcionamento. O modelo Gulbenkian está efectivamente mais próximo do conceito anglo-saxónico de ‘free library’. Estamos em presença de um modelo que conta com a colaboração de um mecenas, em que a ideia de ‘livro’ corresponde a um instrumento de educação e alfabetização indispensável ao desenvolvimento

social, cultural e económico do país. Do mesmo modo, o modelo de bibliotecas móveis Gulbenkian desenvolve-se, tendo por base princípios organizativos diferentes e inéditos do serviço de biblioteca, se comparados com o modelo em vigor, mormente o empréstimo domiciliário e o livre acesso às estantes.

O rápido incremento das unidades móveis permitiu aos coordenadores do Programa da Rede de Bibliotecas da FCG constatar a rápida adesão do público leitor ao serviço criado, daí que em 1961 tenha começado a “verificar-se que não bastava a existência de tais unidades móveis e que seria igualmente necessário o estabelecimento de unidades fixas” (Gulbenkian, 1994, p.9).

A dimensão do impacto da iniciativa de promoção da leitura e do livro conduzida pela Fundação Calouste Gulbenkian, entre os finais dos anos 50 e os inícios dos anos 90 do século XX, com a instalação das bibliotecas itinerantes e fixas, pode avaliar-se pelo número de instituições itinerantes e fixas. O número máximo das primeiras foi de sessenta e duas unidades (Gulbenkian, 1994, p. 9) e o número máximo de unidades fixas foi de cerca de duzentas. Em 1993, data em que o serviço passa a designar-se “Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura”, são referidas 3.206 localidades servidas. Na década de 80 do mesmo século, foram

adquiridos para as bibliotecas itinerantes e fixas 2.397.094 exemplares de livros; foram atendidos 1.755.943 leitores anualmente; e objecto de empréstimo, em 10 anos, 52.511.988 livros. O serviço da rede da Fundação Calouste Gulbenkian atingiu um montante de 6.265.377.531$00 na década de 1980 (Gulbenkian, 1994, p. 54). A rede foi extinta em 2002 em consequência de fortes constrangimentos orçamentais da FCG. O principal traço caracterizador desta rede reside no facto de se tratar de um sistema centralizado. Aspectos que são relativos à política de constituição, tratamento técnico, gestão e difusão da colecção bibliográfica da rede de bibliotecas. Os pontos fortes do modelo de rede de bibliotecas Gulbenkian eram a política de selecção e aquisição que dependia inteiramente da Fundação Calouste Gulbenkian. As aquisições de novas espécies eram feitas directamente às editoras, depois de ter sido efectuada a selecção dos títulos a adquirir pela Comissão Consultiva de Apreciação de Livros, constituída

exclusivamente por “elementos alheios aos quadros da Fundação Calouste Gulbenkian (escritores e críticos de competência reconhecida)”. (Fundação Calouste Gulbenkian/Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura, 1994, p. 19).

O catálogo do acervo bibliográfico das bibliotecas Gulbenkian era, de igual modo, efectuado centralmente e posteriormente disseminado por todas as bibliotecas da rede.

As aquisições tinham um tratamento documental centralizado, conforme referimos, antecipando o envio dos exemplares para as Bibliotecas Itinerantes e Fixas disseminadas pelo território continental e ilhas. Na sede do serviço–Fundação Calouste Gulbenkian–havia ainda uma Biblioteca Central de Empréstimo, composta por bibliografia mais especializada, destinada

também a empréstimo feito por correio.

O modelo de centralização das várias tarefas técnicas do serviço de bibliotecas Gulbenkian comporta várias vantagens. A primeira das quais é a redução dos preços, quando feita a aquisição directamente às editoras, diminuindo desde logo o custo adicional promovido pela cadeia de comercialização do livro, incluindo a distribuição. Na centralização do tratamento documental há também inúmeras vantagens. A catalogação e a classificação são feitas por título e não por exemplar, conferindo uniformidade e normalização a estas operações técnicas.

De uma única operação de tratamento documental, são catalogados e indexados todos os exemplares enviados para as Bibliotecas Itinerantes e Fixas. Deste modo, é possível reduzir custos em recursos humanos qualificados e colocar os funcionários das bibliotecas a desenvolver outras actividades, no âmbito da missão da biblioteca.

De igual modo se verifica uma uniformização nos procedimentos e orientações de funcionamento.

Podemos identificar como pontos fracos o que respeita, nomeadamente, aos colaboradores. A Fundação Calouste Gulbenkian não colocava qualquer exigência específica de qualificação profissional do bibliotecário. Inicialmente, a FCG, nas parcerias que estabelecia para a instalação de bibliotecas, colocava a um nível muito elementar as exigências dos então designados “encarregados de biblioteca”. Somente a partir dos anos 80 do mesmo século era exigida aos “encarregados das bibliotecas” das unidades fixas o 11.º ano de escolaridade, ou o curso de técnico-auxiliar de BAD (Biblioteca, Arquivo e Documentação). Como demonstrativo desta opção, a Fundação designava de “encarregado de biblioteca” os responsáveis pelo funcionamento das unidades. A designação de “director da biblioteca” pela Gulbenkian surge muito tardiamente, tanto mais que coincidiu com o lançamento do Programa de Avaliação de

Bibliotecas (PAB), no ano 2000 (Borges, 2002, pp. 5 e 21-23).

Para a Fundação Calouste Gulbenkian a prioridade estava no empréstimo do livro e não nas condições físicas das bibliotecas. O menosprezo pelas condições de instalação das bibliotecas está patente na brochura publicada pelo serviço de bibliotecas da fundação, em 1994, quando refere: “coisa que em verdade não se faz com fachadas mais ou menos catitas, ou até mais ou

menos formosas” (Fundação Calouste Gulbenkian/Serviço de Bibliotecas, 1994, p. 31). Em 1994, a rede de bibliotecas Gulbenkian, em confronto com as bibliotecas construídas ao abrigo da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (desde 1987), criadas sob uma nova concepção de

espaço e de serviços, justificava a sua opção de rede, afirmando que o serviço se orgulhava do “carácter popular das suas bibliotecas, da assumida modéstia de muitas das respectivas instalações, da franca simplicidade da maioria dos funcionários” (Fundação Calouste Gulbenkian/Serviço de Bibliotecas 1994, p. 31).

O PAB surge no ano 2000 e resulta, como já adiantamos, da necessidade e oportunidade do Serviço de Biblioteca e Apoio à Leitura (SBAL) desenvolver um programa que, aplicado num pequeno grupo de bibliotecas, pudesse ser exemplar para a requalificação da própria rede.

Pretendia-se a implementação de um programa inovador e de referência para todas as outras bibliotecas.

 

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 13:53
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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018

Três possíveis razões para o fracasso da intenção repúblicana de criar bibliotecas públicas

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É possível assinalar três razões principais que contribuíram para a ausência de concretização das intenções republicanas de criação de uma rede de bibliotecas no país: a questão cultural de que a maior expressão é o analfabetismo, a questão ideológica e o modelo económico definido para a criação de bibliotecas.

De facto, como afirmamos, a primeira razão poderá encontrar-se no enorme índice de analfabetismo e na prioridade que o regime pretendeu conceder à questão da instrução pública. O regime republicano tem uma enorme preocupação com a instrução do povo nos ideais da cidadania republicana, e a leitura é elemento essencial para atingir esse objectivo.

Entende-se que só um povo a saber ler poderá corresponder ao ideal de cidadão consciente, informado e interveniente na vida pública. Por isso se diz que “Enquanto regime instaurado à luz duma ética de cidadania e democracia política, onde a instrução era um instrumento central, a I República irá necessariamente atribuir relevância à questão da leitura pública” (Melo, 2010, p. 13).

A segunda razão que entendemos poder estar na ineficácia da política de leitura pública é a questão ideológica. A primazia dada à política educativa tem a ver com a forte luta pelo controlo ideológico das camadas populares que leva os republicanos a colocar em marcha a enorme tarefa de promover o ensino laico e de cariz anticlerical, mormente na segunda metade do século XIX. Neste contexto, podemos, de algum modo, afirmar que a política de bibliotecas

populares é mais ideológica que educacional. As elites políticas republicanas mantêm a política bibliotecária herdada do liberalismo de oitocentos e, ‘latu sensu’, a legislação de 1870. Assim, a legislação que cria a Inspecção Geral das Bibliotecas e Arquivos Públicos (1887), posteriormente refundada pelo Decreto de 24 de Dezembro de 1901 com a designação de Inspecção das Bibliotecas Eruditas e Arquivos, mantém-se na República e coexiste com a Inspecção das Bibliotecas Públicas e Móveis, criada em 18 de Março de 1911. Quanto ao

organismo que tutela e supervisiona a inspecção das bibliotecas eruditas, é mantido pela política republicana em moldes idênticos aos do período anterior.

A ideia republicana sobre política bibliotecária assentava no desígnio de conceber, a par das bibliotecas tradicionais destinadas às elites ilustradas, bibliotecas para o povo, numa clara desvalorização social dos equipamentos destinados às camadas mais baixas da população e menos alfabetizadas, contribuindo desse modo para a manutenção de uma visão elitista da

função da biblioteca. Ora, tal quadro ideológico não concorrerá positivamente para a promoção das mesmas, nem para a promoção social dos leitores e potenciais beneficiários.

O que resulta destas ideias e correntes intelectuais que têm por objectivo a criação em Portugal de um sistema de bibliotecas semelhante ao das ‘free libraries’ anglo-saxónico, é o afastarem-se desse modelo na constituição das colecções bibliográficas e, consequentemente, na divisão dos públicos. As elites políticas liberais portuguesas concebem uma estrutura dicotómica de bibliotecas: por um lado, as bibliotecas eruditas destinadas às elites, as que

acolhem as livrarias confiscadas aos extintos conventos e as existentes nas escolas de ensino superior; e, por outro lado, as bibliotecas populares destinadas às camadas inferiores da população que retêm colecções ideologicamente orientadas.

Finalmente, a terceira razão é de natureza económica. No espaço anglo-saxónico o financiamento das bibliotecas públicas era feito através do lançamento de impostos locais e da participação e interesse de mecenas.

A prática de mecenato é frequente na criação de bibliotecas que recebiam igualmente o suporte financeiro público, de que é exemplo o industrial escocês, emigrado nos EUA, Andrew Carnegie (1835-1919), que “financiou a construção de 2509 bibliotecas no mundo anglosaxónico, segundo o princípio da sua posterior manutenção pelas comunidades locais” (Melo, 2010, p. 8).

O modelo de financiamento público no espaço anglo-saxónico surgiu em 1850 com o Public Libraries Act. O governo em Inglaterra autoriza o lançamento de impostos locais destinados às bibliotecas. Em Portugal, o modelo é completamente diferente. Não se verifica a existência de mecenas, como na Inglaterra e nos Estados Unidos, nem a legislação orienta, de algum modo,

o modelo de financiamento das bibliotecas. O Decreto de 18 de Março de 1911, no seu artigo 11.º, “obriga”, este é o termo utilizado, a fundar bibliotecas populares. No caso de os municípios já possuírem bibliotecas, terão que instituir secções populares. Este é um bom exemplo da separação conceptual e tipológica, patente no decreto de 1911, que mantém as bibliotecas eruditas e as bibliotecas populares, a que junta a tipologia das bibliotecas móveis.

Porém, as dificuldades dos municípios em obter a receita necessária para a criação e manutenção das bibliotecas populares e das bibliotecas móveis eram impeditivas da consumação do projecto republicano.

Em resumo, a relação entre o poder central e o poder local na concretização dos objectivos de criação de um sistema nacional de bibliotecas destinadas às camadas populares revela-se ineficaz. Falha  em termos do conceito de biblioteca, porque não corresponde à ideia original

anglo-saxónica, é igualmente nulo pela ausência de meios de concretização do projecto, imputando aos municípios os custos de criação e manutenção das unidades.

 

António Borges Regedor

publicado por antonio.regedor às 13:44
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Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2017

Expurgo em Bibliotecas

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A propósito de uma notícia de que a Biblioteca da Universidade de Indiana na Pensilvânia, está a fazer um expurgo de quase metade dos seus livros que não foram emprestados desde o ano 2000.
Se nunca tinham feito expurgo, é natural que agora tenham esse valor que pode parecer grande, mas não o é.
O processo científico torna muita da informação desactualizada. Calcula-se que actualmente, em média, a cada cinco anos metade do conhecimento científico esteja desactualizado. Há sectores onde a desactualização é muito rápida, a informática por exemplo, e outros em que é bastante mais lenta. Mas em média, é isto que se passa. O conhecimento renova-se a cada dez anos.
Por esta razão o expurgo, para quem o faz, actualiza em cerca de 10% todos os anos. Claro que nem tudo o que é desactualizado é expurgado. Há matérias que apesar de desactualizadas continuam a ser referidas, até para termo de comparação ou produção de diacronias. E assim, o expurgo incide essencialmente no critério de documento não consultado. Mas não deixa de estar no valor aproximado dos 10%. O que refaz o equilíbrio de actualização da colecção de forma permanente.
Mesmo para as bibliotecas de leitura pública, é este o padrão. No programa de análise de bibliotecas (PAB) ,em que participei no ano 2000 a 2002, uma parceria entre a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundación Bertelsmann da Catalunha, fizemos a contagem dos documentos não emprestados e era sensivelmente esse o valor que encontrávamos.
Isto deve ser tido em atenção dos gestores e técnicos de biblioteca, para demonstrar a necessidade de investimento regular na colecção. Não a deixar degradar, porque a desactualização da colecção leva à redução do uso e consequentemente à redução dos utilizadores, e em espiral à redução da visibilidade e utilidade da biblioteca, à sua nulidade ou utilização residual ou mesmo ao desvio para outros fins e actividades que não a sua missão e necessidade essencial e prioritária.
 
 
António Regedor
publicado por antonio.regedor às 14:40
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Sábado, 25 de Novembro de 2017

Biblioteca de Santa Maria da Feira

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Modernização em tempos difíceis
 
Apesarde se viverem tempos difíceis e desfavoráveis ao investimento em equipamentos de cultura, saber, literacia e informação, nas bibliotecas, ainda há as que fogem a este desinteresse pelo que mais forma e promove a cidadania.
A biblioteca de leitura pública de Santa Maria da Feira, actualiza-se, moderniza-se e renova-se na forma de interagir com o seu público. Utiliza equipamento de empréstimo e devolução automático de bibliografia. Estes equipamentos permitem melhorar a capacidade técnica da biblioteca, retirando os técnicos de actividades rotineiras e de menor valor acrescentado, e afectando-os a tarefas que permitem melhor eficiência do serviço prestado e melhor desempenho individual e colectivo dos recursos humanos. Também desta forma lhes permite alargar o horário de prestação de serviços sem sobrecarga do esforço dos recursos humanos.
Alarga a sua oferta a objectos tridimensionais, neste caso,instrumentos musicais. Desta forma inova, alarga os serviços e aumenta os potenciais utilizadores.
É bom saber que há bibliotecas que fogem à regra do desinvestimento cultural e não se escudam nas dificuldades orçamentais. Prova-se que há dinheiro, mas que é mal aplicado pela generalidade das autarquias. A biblioteca de leitura pública de Santa Maria da Feira é referência de bom exemplo. Claro, que conhecendo eu, a excelente qualidade técnica e humana da Bibliotecária e Gestora de Informação, Etelvina Araújo, nada disto me espanta. 
 
António Regedor
 
publicado por antonio.regedor às 18:38
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Domingo, 22 de Outubro de 2017

Escritaria

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ESCRITARIA

 

É já uma normalidade em Penafiel. Durante vários dias, a cidade passa a escritaria. Pendões, paineis, frases gravadas nos muros, caixas para arrumos de de livros ou outras escritas nas ruas. Montras escrituradas, decoradas com motivos de escrita, vestidos de livros asas de folhas de livros, folhas que saem de máquinas, canudos escritos que sobressaiem nas montras, fotos de outras escritarias. Exposições, leituras encenadas e apontamentos de livros em cena tudo muito bem ligado com piano de Chopin. O teatro faz-se no exterior. Feira de livro, autógrafos.  Vendem-se livros, castanhas assadas.  O almoço é excelente, o vinho bom e o preço agradavelmente económico, tudo servido com  simpatia.  Compra-se abóbora  de que mais tarde se fará compota.   Toma-se café com pastel, compra-se tabaco e joga-se no euromilhões.  A economia mexe, cresce em Penafiel com a escritaria. Da biblioteca à feira do livro onde decorrerá a sessão de autógrafos, percorre-se a avenida.  A loja de pronto a vestir tem um vestido com folhas de livro e um top com págins do “equador” . Na montra seguinte um “cocar” de penas das páginas de “Não te deixarei morrer, David Crockett”. A loja de calçado desportivo tinha uma linha sóbria e distinta  vitrine com ciclindros feitos de cartazes da escritaria. E para todas as montras não podia deixar de se olhar. Miguel  Sousa Tavares autografou esta 10ª edição.

 

 

António Regedor

publicado por antonio.regedor às 15:14
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Segunda-feira, 9 de Outubro de 2017

Makerspaces

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Os espaços “Makerspaces” são espaços de ambiente digital e manual, de cooperação, coworking, espaço de trabalho, para curiosos, empreendedores, criativos podem aprender e desenvolver os seus próprios projectos ou simplesmente satisfazer as suas curiosidade e produzir as suas realizações.

São espaços que disponibilizam informação, facilities e ferramentas diversas e em ambiente colaborativo potenciam aprendizagens, projectos e negócios, mum ecosistema de crriatividade e inovação.

As bibliotecas, constituem a base desta perspectiva de aprendizagem e criação. Com pequenas aportações são potencialmente geradoras de resultados cognitivos, sociais colaborativos, criativos e de elevado potencial económico e empresarial.

É recente, mas já com alguns estudos, este modelo de desenvolvimento das bibliotecas públicas. Apresentamos  um pouco da bibliografia  recente e já monográficamente estruturada  do interesse que suscita esta matéria.  É bibliografia muito actual que registo desde 2014 até ao ano passado.

 

 

Roffey, T., C. Sverko, et al. (2016). [e-Book] The Making of a Makerspace: Pedagogical and Physical Transformations of Teaching and Learning: Curriculum Guide. Vancouver, Canadá, University of British Columbia, 2016

Blikstein, P., S. L. Martinez, et al. (2016). [e-Book] Meaningful Making: Projects and Inspirations for Fab Labs + Makerspaces. Torrance, CA USA, Constructing Modern Knowledge Press, 2016.

Roslund, S. and E. P. Rodgers (2014). [e-Book]  Makerspaces: 21 century skill innovation library. Ann Arbor, Michigan, Cherry Lake Publishing, 2014.

Berman, E. and P. Thomas [e-Book]  San José Public Library Mobile MakerSpace Guide. San José, Californía, San José Public Library

Kirk, E. H. and R. Morgan-Hatch (2015). [e-Book] Co-Making: Research into London’s Open access Makerspaces and Shared Workshops Workshop East. London, London Legacy Development Corporation, 2015

Grave, Colleen. Librarian’s Guide to LittleBits and STEAM. Library Journal, 2016

 

António Regedor

publicado por antonio.regedor às 12:05
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Domingo, 8 de Outubro de 2017

Blog e Rádio sobre bibliotecas e arquivos

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Na Universidade de Salamanca há um blog de título “Universo aberto”. É um blog da  biblioteca da faculdade de Traducción y Documentación da Universidade de Salamanca.

Há também um programa de rádio semanal sobre arquivos e bibliotecas. O título é:  “Planeta Biblioteca”. Fica o link para poderem apreciar um dos programas. Este dedidado aos livros electrónicos e à leitrua digital.  

https://www.ivoox.com/planeta-biblioteca-2017-07-26-libros-electronicos-lectura-digital-audios-mp3_rf_20008857_1.html

publicado por antonio.regedor às 15:05
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Sexta-feira, 31 de Março de 2017

O Mar e o Livro

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Como vivo na cidade com o mar por perto, aproveito essa oportunidade para o ver ainda mais de perto.  Caminho ao longo da praia e no regresso passo peo jardim e aproveito para atravessar pelo interior da biblioteca, usando mais essa sua funcionalidade. A de me encurtar o caminho para casa. Também permite que cumprimente os funcionários e amigos conhecidos alguns já de longa data.

Na passagem há duas grandes mesas com um caosmos de livros para onde lanço o olhar e frequentemente requisito os que ganharam a minha atenção.  Destra vez a minha atenção recaiu para um que compila a correspondência do 4º  Morgado de Mateus com a sua esposa. Chamou-me a atenção o facto de o livro  estar anotado como doação.   E isso faz-nos reflectir como hoje, as bibliotecas,  são tão diferentes dos constrangimentos a que já estiveram sujeitas.  Desde logo,  as doações.  Sempre se fizeram doações, mas estas revestiam-se antigamente de carácter muito formal.  Algumas delas, davam origem à própria biblioteca. Outras,  doadas a bibliotecas já existentes, exigiam em vários casos,   espaços, localizações,  mobiliário e até condições de utilização próprias. O livro ainda vincado do seu valor patrimonial, apesar de em declíneo, era ainda objecto de custódia privada. Modernamente, a concepção de livro mercadoria para consumo de grande rotação, alivia-o dessa carga patrimonial e alivia o seu possuidor da sua posse permanente. Em suma, estamos mais propensos a dar outros destinos ao livro lido, usado, que aquele arrumo que lhe era tradicional. Fazemos hoje mais frequentemente doações às bibliotecas.   Mesmo que isso acarrete novos problemas para elas. E muitas são as contrariedades que as bibliotecas sentem com as doações. No entanto, há algum benefício para a sua própria colecção. E isso é evidente com o facto de ter requisitado este livro que de outra forma dificilmente seria  adequirido pela biblioteca, ou não o seria nunca.   

(foto de olharesliterários’s blog)

António Regedor

publicado por antonio.regedor às 17:13
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Segunda-feira, 27 de Março de 2017

A aparente liberdade do livro electrónico

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Nielsen é uma empresa que estuda consumidores. Registou que  nos preimeiros meses de 2014 os livros electrónicos  eram 23 % da venda total de livros. Actualmente há uma estabilização neste segmento de mercado. 

Na verdade, os livros electrónicos não são vendidos. São apens vendidas licenças de acesso. Os livros nunca deixam de ser propriedade da editora.  É fornecida uma determinada quantidade de acessos.  Sendo assim, podem verificar o problema craido à biblioteca no serviç de empréstimo. Ao totalisar o número de acessos da licença. O empréstimo só se fará mediante um novo pagamento.  Quem mexe paga, e lá se vai o princípio da descoberta que é uma das mais atraentes possibilidades da biblioteca.   

 

Ea licença é tão temporal, que a Amazon já limpou várias cópias de livros electrónicos.

Também no sistema de controlo de vendas em distintos territórios, nem sempre é possível comprar um e-book num país e lê-lo noutro.

Também há livros codoficados que não permitem que pessoas não rgistadas acedam ao livro.

E há também a codificação para perceber de onde fi feita a cópias ileggal.

Para já não falar da necessidade do equipamento mediador da leitura, o livro electrónico como suporte mais facilitador do acesso, é uma aparência. Somos cada vez mais dependentes , menos livres, e mais pagadores de rendas.

Longa vida ao livro em papel.  

 

António Regedor

publicado por antonio.regedor às 15:35
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Sexta-feira, 17 de Março de 2017

sair à noite

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Quando  se fala  em sair à noite, o que se pensa é em cinema, teatro, um bar, discoteca, local para dançar, comer ou beber. Também pode ser o tradicional “ir ao café”, “beber um copo”. Pois bem, eu já saí à noite para ir à biblioteca participar numa sessão de poesia. Há muitos anos saía para ir estudar no café.

Desde 15 de Fevereiro, em Cascais,  é posível sair à noite, para ir a duas bibliotecas em Cascais. É mais um lugar na oferta da saída à noite. E a biblioteca tem  a vantagem de ser um espaço mais diversificado e polivalente que os demais concorrentes. Serviço de biblioteca, espaço para estudar, trabalhar em formato que também pode contemplar o coworking,  ponto de encontro, normalmente com bar,  e se tiver restaurante ainda melhor. Espaços para espactáculos, exposições, instalações, ensaios, dança,  música, reuniões associatvas, e muito mais.

O país teve a oportunidade de investir numa rede de equipamentos com qualidade, funcionalidade e  boa localização no âmbito dos territórios que é suposto servir.

Não é necessário investir mais para ter mais horas de disponibilidade fazendo baixar o rácio do custo/hora de abertura e o rácio de benefício/custo das actividades. Maior abertura valoriza os serviços prestados e o benefício da sua concessão para a biblioteca. Ganha dinâmica social associada a valorização cultural. 

Numa das bibliotecas da Dinamarca que visitei em trabalho o restaurante era no 4º andar. Em Beja a minha paragem preferida é no bar da biblioteca, no Porto agrada-me o bar/esplanada. Eu que até nem sou grande adepto de futebol, alinhava a ver a selecção a jogar, sentado no átrio de uma biblioteca. Fico à espera para ver se acontece.

 

António Regedor

publicado por antonio.regedor às 18:12
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